A última vez que um atacante com mais de 35 anos entregou números dessa consistência no Brasileirão Série A foi motivo de debate nas redações esportivas do país — e agora Yannick Bolasie coloca o nome nessa conversa com 8 gols e 4 assistências em 34 jogos pela Chapecoense na temporada 2026.

Início de carreira

Nascido em Lyon no dia 24 de maio de 1989, Bolasie chegou à Inglaterra com apenas sete meses de vida. Cresceu no bairro londrino de Brent e foi lá que o futebol se tornou destino — não apenas hobby.

A base do atacante foi construída nas divisões inferiores inglesas: Plymouth Argyle, Barnet e Bristol City foram os degraus iniciais de uma carreira que ganharia escala no Crystal Palace. O caminho foi longo, mas teve endereço certo.

No Palace, Bolasie virou peça central de uma das histórias mais intensas do futebol inglês recente: o acesso via play-offs da Championship, na temporada 2012-13, com o clube retornando à Premier League. Naquele mesmo ano, foi incluído na Equipe do Ano da Championship — reconhecimento individual que confirmava o que os olheiros já sabiam.

Do Crystal Palace, a janela se abriu para o Everton, e depois para o Aston Villa. A carreira na Inglaterra terminou com um vice-campeonato da Copa da Inglaterra em 2015-16, pelo Palace — derrota que dói, mas que também diz muito sobre o nível de competição em que Bolasie operou durante anos.

Números que importam

Oito gols. Quatro assistências. Trinta e quatro jogos. Na temporada 2026 do Brasileirão Série A, esses são os números de Bolasie com a camisa 11 da Chapecoense — e eles não pedem contexto para impressionar.

Para um atacante de 37 anos, participar diretamente de 12 gols em uma temporada de Série A é dado que poucos conseguem sustentar. A média é de um envolvimento a cada 2,8 jogos — ritmo que muitos jogadores dez anos mais novos não alcançam na mesma divisão.

O SportNavo levantou que, nas últimas rodadas, a Chapecoense enfrentou dois jogos de alta pressão: o empate em 1 a 1 com o Red Bull Bragantino na Arena Condá em 3 de maio, com drama e expulsão, e a derrota por 3 a 1 para o Botafogo em 18 de abril. Bolasie seguiu em campo nos dois confrontos — presença que, por si só, já diz algo sobre o papel que ocupa no elenco.

Fisicamente, o congolês mede 185 cm e pesa 84 kg — estrutura que ajuda a explicar a longevidade. Não é um jogador que depende apenas de velocidade de ponta; o corpo sustenta o jogo mesmo quando os metros por segundo diminuem com a idade.

Estilo de jogo

Bolasie é o tipo de jogador que você sente antes de ver no placar — como o trânsito da Avenida Paulista às 18h, ele não passa despercebido.

Formado como ponta, seu futebol sempre foi construído na base da imprevisibilidade. A capacidade de driblar em espaços curtos e a leitura de jogo para criar desequilíbrio foram marcas que o acompanham desde os tempos de Crystal Palace. No Brasileirão 2026, essas características se adaptaram: menos explosão pura, mais inteligência posicional.

Aos 37 anos, Bolasie não é mais o homem que vai isolar marcadores com velocidade bruta. É o jogador que sabe onde estar antes de a bola chegar — e essa transição de perfil é exatamente o que explica por que os números ainda são relevantes nesta fase da carreira.

A versatilidade que o permitiu atuar por seleções de três países — França, Inglaterra e República Democrática do Congo — também se traduz em campo: um jogador que se adapta ao contexto, seja no ataque posicional ou na pressão alta.

Conquistas e momentos marcantes

O acesso do Crystal Palace à Premier League, via play-offs da Championship em 2012-13, é o capítulo mais celebrado da carreira de Bolasie no clube inglês. Naquele mesmo ano, o reconhecimento individual veio com a inclusão na Equipe do Ano da Championship.

Em 2015-16, o vice-campeonato da Copa da Inglaterra com o Crystal Palace foi outro marco — chegar à final de um torneio dessa magnitude exige consistência ao longo de toda a temporada, não apenas lampejo.

Na seleção da República Democrática do Congo, Bolasie estreou em março de 2013, num empate por 0 a 0 contra a Líbia pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2014. Na Taça das Nações Africanas de 2015, marcou no empate em 1 a 1 contra a Zâmbia na fase de grupos. A RD Congo terminou o torneio na terceira posição — resultado histórico para a seleção.

A escolha de representar o Congo, podendo ter optado por França ou Inglaterra, é um dado que define o jogador além do campo: filho de pais nascidos no antigo Zaire, Bolasie fez uma escolha de identidade que poucos atletas na mesma situação fariam.

O que esperar daqui pra frente

Aos 37 anos, qualquer prognóstico de longo prazo seria impreciso — mas os próximos 12 meses têm contornos mais claros do que a idade sugere.

Bolasie completa 38 anos em maio de 2027. O cenário mais realista é que a Chapecoense avalie a renovação com base no desempenho do segundo semestre de 2026. Com 8 gols já marcados, o atacante tem margem para encerrar a temporada com números que justifiquem uma extensão contratual — ainda que provavelmente por mais uma temporada, não por ciclos longos.

Início de carreira Yannick Bolasie e os 37 anos que ainda a
Início de carreira Yannick Bolasie e os 37 anos que ainda a

O perfil de jogador experiente, com passagem por Premier League e seleção africana, também tem valor de mercado simbólico para clubes da Série A que precisam de liderança dentro de campo. Bolasie cumpre essa função na Chapecoense sem que isso precise ser dito em entrevista coletiva.

O risco real é físico: a janela de vulnerabilidade a lesões musculares cresce a cada temporada acima dos 36. Até aqui, porém, os 34 jogos disputados em 2026 indicam que o corpo tem respondido. O congolês de Brent ainda está em campo — e ainda está marcando.