A irritação era visível no rosto de Zico quando o assunto 'novo Maracanã' surgiu durante sua participação no PodPah Podcast. O maior ídolo da história do Flamengo não poupou palavras ao defender sua posição como dono absoluto do estádio carioca, relembrando os 334 gols marcados no local ao longo de sua carreira.
"Não existe novo Maracanã, rapaz! Te falar, novo Maracanã é o cace**! O maior artilheiro do Maracanã está à sua frente: 334 gols", disparou Zico durante o podcast.
A declaração do Galinho de Quintino revela uma questão que vai além da mera estatística. Desde a reforma de 2010 para a Copa do Mundo de 2014, criou-se artificialmente uma divisão entre o 'antigo' e o 'novo' Maracanã, separação que Zico considera equivocada e desrespeitosa com a história do estádio.
O abismo entre Zico e os artilheiros modernos
Para dimensionar a marca de Zico no Maracanã, basta compará-la com os principais artilheiros dos estádios brasileiros na atualidade. Pedro, atual centroavante do Flamengo, ultrapassou a marca de 100 gols no 'novo' Maracanã, mas ainda está distante dos números históricos do ídolo rubro-negro.
Conforme levantamento do SportNavo, nenhum jogador em atividade no Brasil possui números que se aproximem dos 334 gols de Zico em um único estádio. Gabigol, por exemplo, acumula cerca de 80 gols no Maracanã desde 2019, enquanto Calleri, artilheiro do São Paulo, tem aproximadamente 45 gols no Morumbi nos últimos três anos.

A diferença torna-se ainda mais gritante quando analisamos a longevidade de Zico no estádio. Entre 1971 e 1989, o meia-atacante transformou o Maracanã em seu quintal particular, marcando gols em clássicos decisivos, finais de campeonato e jogos históricos que ficaram gravados na memória do futebol brasileiro.
A reforma que dividiu opiniões
A modernização do Maracanã custou R$ 1,05 bilhão aos cofres públicos e reduziu a capacidade de 200 mil para 78.838 lugares. A obra eliminou as arquibancadas populares, instalou cadeiras em todos os setores e criou camarotes VIP, alterando completamente a configuração original do estádio.

Romário compartilha da mesma opinião de Zico sobre a divisão artificial criada após 2010. O ex-atacante defende que os feitos históricos não podem ser apagados por uma reforma estrutural, independentemente da magnitude das mudanças realizadas no estádio.
A polêmica ganhou força especialmente após Pedro começar a ser citado como possível sucessor de Zico na artilharia do estádio. O centroavante flamenguista, de 27 anos, tem contrato até dezembro de 2027 e cláusula de rescisão de € 100 milhões, valores que demonstram a confiança do clube em seu potencial goleador.
Números que falam por si só
A média de gols de Zico no Maracanã impressiona pela consistência: foram 334 gols em aproximadamente 435 partidas, resultando em 0,77 gol por jogo ao longo de 18 anos. Essa regularidade contrasta com a volatilidade dos atacantes modernos, que raramente mantêm o mesmo clube por mais de cinco temporadas.
Pedro, considerado atualmente o melhor centroavante brasileiro em atividade, precisaria manter sua média atual de 25 gols por temporada no Maracanã por mais 13 anos para igualar a marca de Zico. Uma projeção que evidencia a magnitude do recorde estabelecido pelo ídolo flamenguista.
A discussão sobre a 'propriedade' do Maracanã ganha relevância especial às vésperas do confronto entre Flamengo e Vitória, marcado para esta quarta-feira (22), às 21h30, pela ida da quinta fase da Copa do Brasil. O jogo será mais uma oportunidade para Pedro somar à sua conta pessoal no estádio que Zico considera eternamente seu.









