Todo mundo sabe que Lucho Acosta voltou ao time. A parte que ninguém esperava é que voltou como titular. Nesta quarta-feira (6), às 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza, Luis Zubeldía confirmou o meia argentino na escalação inicial contra o Independiente Rivadavia pela 4ª rodada do Grupo C da CONMEBOL Libertadores — e transformou o que seria uma notícia de recuperação numa declaração de intenções. O Fluminense é lanterna com apenas 1 ponto. Perder aqui é quase sentença de morte na competição.
A aposta de Zubeldía num homem que saiu de maca em abril
O ar de Mendoza está seco nesta noite de outono argentino, e a pressão sobre o banco do Fluminense pesa mais do que a altitude da cidade. Zubeldía chegou ao jogo com o cargo balançando: duas derrotas seguidas, críticas crescentes e um grupo que ainda não encontrou identidade. A escalação divulgada antes do apito inicial — Fábio; Guga, Ignácio, Freytes e Arana; Nonato, Hércules e Acosta; Savarino, Canobbio e Castillo — foi recebida com surpresa pela imprensa especializada, que esperava Acosta no máximo como opção no banco.
O motivo da cautela era concreto: em 12 de abril, no clássico contra o Flamengo, Lucho Acosta deixou o campo ainda no primeiro tempo com lesão de grau 2 no ligamento colateral medial do joelho esquerdo. A previsão médica era de recuperação de até um mês, sem necessidade de cirurgia. Menos de quatro semanas depois, o meia já estava reintegrado ao elenco e evoluiu dentro do cronograma de transição física — mas a expectativa do entorno era de que entrasse apenas no decorrer da partida, não desde o início.
Zubeldía decidiu diferente. Segundo informações do entorno do clube, o técnico avaliou que, com Martinelli lesionado e Bernal cumprindo suspensão, o meio-campo tricolor não teria criatividade suficiente sem o argentino. A ausência dos dois forçou mudanças obrigatórias, e o treinador concluiu que meia-escalado-com-risco é melhor do que meio-campo-sem-criação. Nas palavras do próprio Zubeldía em coletiva antes da viagem, a mensagem foi direta:
"Acosta está bem. Avançou além do esperado. Decidimos que ele pode nos dar o que precisamos."
O Rivadavia que chegou ao Maracanã e não parou mais
Do outro lado do gramado do Malvinas Argentinas, o clima é de festa antecipada. O Independiente Rivadavia é a grande sensação do futebol argentino em 2026: líder isolado do Grupo C com 100% de aproveitamento em três jogos, o "Azul del Parque" venceu inclusive no Maracanã — a derrota que deu o pontapé inicial à crise tricolor. Sob o comando de Alfredo Berti, o time de Mendoza vem de duas goleadas consecutivas em casa e precisa de apenas mais uma vitória para carimbar a classificação às oitavas de final.

A diferença de pontuação entre os dois times no grupo é do tamanho da distância entre Recife e Porto Alegre — 9 pontos contra 1, um abismo que transforma qualquer tropeço do Fluminense em eliminação matemática quase certa. Berti escalou Molina no gol; Martinez, Bottari, Studer e Prieto na defesa; Bobadilla, Villa Cano, Gomez e Fernandez no meio; Arce e Bonifacio Moreno no ataque. Um time compacto, vertical, que já sabe jogar em casa com a torcida empurrando… e aí vem o problema.
O que Acosta pode mudar no equilíbrio tricolor
A lógica de Zubeldía tem fundamento. Sem Acosta, o Fluminense perdeu o fio condutor entre o meio e o ataque nas últimas rodadas. O meia é o jogador com mais passes decisivos do elenco na temporada e o único capaz de conectar Savarino e Canobbio com consistência. Com ele em campo, o triângulo ofensivo formado pelos três tem referência para triangular; sem ele, os atacantes ficam isolados esperando bolas longas que não chegam.
Nonato e Hércules ao lado de Acosta formam um meio-campo fisicamente capaz de sustentar a pressão do Rivadavia, mas a criação depende quase inteiramente do argentino recuperado. Fábio, aos 44 anos, segue como âncora defensiva e já declarou em entrevista recente que
"cada jogo na Libertadores é uma final. Estamos prontos para o que vier."A frase soa como mantra num vestiário que precisa de confiança mais do que de palavras bonitas.

O Fluminense sabe que uma derrota esta noite encerra qualquer esperança realista de classificação. Vencer não garante nada, mas mantém viva a matemática: o tricolor precisaria de uma sequência de resultados favoráveis nas duas rodadas finais. A partida é transmitida pelo plano premium do Disney+, com arbitragem do uruguaio Gustavo Tejera. A próxima rodada do Grupo C está marcada para a semana seguinte, e o Fluminense precisará vencer novamente — desta vez, em casa, no Maracanã — para ter qualquer chance de avançar.










