Luis Zubeldía carrega sobre os ombros uma missão que transcende os 180 minutos contra o Operário-PR. O técnico argentino tem a chance de encerrar um jejum que perdura há quase seis décadas no Fluminense: ser o primeiro de seu país a conquistar um título relevante defendendo o clube carioca. Desde 1967, quando Alfredo González comandou o Tricolor, nenhum argentino conseguiu levar o clube às glórias máximas.
Os números são implacáveis na construção deste cenário histórico. Em 59 anos de espera, apenas três argentinos dirigiram o Fluminense: González (15 jogos em 1967), Omar Pastoriza (um único jogo em 1985) e agora Zubeldía. A estatística contrasta drasticamente com a presença uruguaia no comando tricolor - sete técnicos do país vizinho já passaram pelo clube, quase metade dos 15 estrangeiros que comandaram o Flu em 123 anos de história.
Taça Guanabara não quebra o tabu histórico
Alguns poderiam argumentar que Zubeldía já conquistou um título pelo Fluminense ao vencer a Taça Guanabara de 2026. No entanto, a própria definição de "título relevante" no futebol brasileiro desqualifica essa conquista estadual como marco histórico suficiente. A Copa do Brasil, Libertadores, Campeonato Brasileiro e até mesmo o Campeonato Carioca completo (que Zubeldía perdeu nas penalidades para o Flamengo) carregam peso institucional incomparavelmente maior.
O histórico recente do Fluminense na Copa do Brasil oferece fundamentos sólidos para o otimismo. A equipe não perde uma estreia na competição há 12 anos - desde a derrota por 3 a 1 para o Horizonte, no Ceará, em 2014. Nas últimas 12 participações, foram 100% de aproveitamento nas estreias: 12 vitórias, 38 gols marcados e apenas oito sofridos. Um retrospecto que inclui goleadas históricas como o 8 a 0 sobre o Águia de Marabá em fevereiro deste ano.

"Estou muito feliz por ter estreado como titular com a camisa do Fluminense. Sabemos das dificuldades de uma competição como essa, então o primeiro jogo é muito importante, fora de casa. Esperamos fazer um grande jogo e trazer uma vantagem", declarou o volante Alisson à FluTV.
Adversário paranaense representa pedra no sapato histórica
O Operário-PR surge como primeiro obstáculo nesta jornada rumo ao título inédito, mas as circunstâncias favorecem claramente o Fluminense. O gramado do Estádio Germano Krüger apresenta condições precárias, fator que historicamente beneficia equipes tecnicamente superiores quando conseguem se adaptar rapidamente. Zubeldía escalou uma formação com Fábio; Samuel Xavier, Ignacio, Millán e Renê; Martinelli, Hércules e Alisson; Kevin Serna, Canobbio e John Kennedy.
A análise tática mostra que Zubeldía teve que fazer ajustes significativos devido às ausências de Lucho Acosta, Savarino e Facundo Bernal. Essas modificações, no entanto, podem beneficiar o time em um confronto que exige mais força física do que refinamento técnico, considerando as condições do campo em Ponta Grossa.
Números de Zubeldía sustentam confiança tricolor
O aproveitamento de Zubeldía no Fluminense apresenta dados que justificam as expectativas elevadas para a Copa do Brasil. Em 42 jogos, o argentino acumula 25 vitórias, oito empates e nove derrotas - um aproveitamento de 64,3% que se mostra superior à média histórica do clube em competições eliminatórias. Conforme levantamento do SportNavo, essa marca supera significativamente os números de González (seis vitórias em 15 jogos) e obviamente de Pastoriza (um empate em uma única partida).
A importância desta Copa do Brasil transcende questões estatísticas ou recordes históricos. Para Zubeldía, representa a oportunidade de consolidar seu nome na história tricolor e quebrar uma barreira que persiste desde os anos 1960. O técnico sabe que conquistar um título nacional pelo Fluminense o colocaria em patamar diferenciado entre os treinadores estrangeiros que passaram pelo clube.
Maracanã como palco da decisão histórica
A partida de volta está marcada para 12 de maio no Maracanã, estádio que pode testemunhar um momento histórico do futebol tricolor. Vencer o Operário-PR em 180 minutos garantiria a classificação às oitavas de final e manteria vivo o sonho de Zubeldía de se tornar o primeiro argentino campeão pelo Fluminense em título de relevância nacional.
O confronto desta quinta-feira às 21h30 representa muito mais que uma simples partida eliminatória. É o primeiro passo de uma caminhada que pode redefinir a relação entre técnicos argentinos e o Fluminense, quebrando um jejum que já atravessa gerações de torcedores tricolores.









