Sobre o Ceilândia
Ceilândia é uma região administrativa localizada na porção oeste do Distrito Federal, sendo a subdivisão mais populosa do DF, com aproximadamente 350.347 habitantes, segundo dados da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) de 2021, divulgada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). Economicamente, destaca-se como uma das mais importantes do Distrito Federal, com um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em cerca de R$ 20 bilhões anuais, representando aproximadamente 10% do PIB total do DF.
Ceilândia forma uma conurbação com a região administrativa de Taguatinga, especialmente pelos setores M Norte e L Norte, área popularmente conhecida como "Tailândia" (junção dos nomes Taguatinga e Ceilândia). Também é conurbada com a região administrativa de Sol Nascente/Pôr do Sol. Foi criada como a 9ª Região Administrativa do Distrito Federal.
História e Conquistas
Antes da chegada dos portugueses, a região era habitada por povos cataguás. Os primeiros registros de ocupação de origem europeia datam do século XVIII, tradicionalmente estimulados pela busca de metais preciosos e pela atividade agropecuária. Na área também se instalaram negros escravizados fugitivos das minas de Paracatu e de Goiás.
Com a transferência da capital do Brasil do Rio de Janeiro para o atual Distrito Federal, as terras da região foram desapropriadas pelo governo do estado de Goiás entre 1956 e 1958, sob responsabilidade da Comissão Goiana de Cooperação para a Mudança da Capital do Brasil, presidida por Altamiro de Moura Pacheco.
Em 1969, apenas nove anos após a fundação de Brasília, o Distrito Federal já contava com 79.128 habitantes vivendo em ocupações irregulares, em aglomerados próximos ao centro da capital, para uma população total de 500 mil habitantes no DF. Naquele ano, realizou-se em Brasília um seminário sobre problemas sociais, onde o surgimento de áreas urbanas carentes de infraestrutura foi amplamente discutido. Reconhecendo a gravidade do problema, o governador Hélio Prates da Silveira solicitou a erradicação das invasões à Secretaria de Serviços Sociais, comandada por Otamar Lopes Cardoso. Foi criado um grupo de trabalho que se transformou na Comissão de Erradicação das Invasões.
Assim, surgiu a "Campanha de Erradicação das Invasões" (CEI, origem do nome "Ceilândia"), presidida pela primeira-dama Vera de Almeida Silveira. Em 1971, já estavam demarcados 17.619 lotes em uma área de 20 quilômetros quadrados, posteriormente ampliada para 231,96 quilômetros quadrados pelo Decreto 2.842, de 10 de agosto de 1988. Os lotes localizavam-se ao norte de Taguatinga, nas antigas terras da Fazenda Guariroba, destinados à transferência de moradores de diversas invasões, como IAPI, Vilas Tenório, Esperança, Bernardo Sayão e Colombo, entre outras, que somavam mais de 15 mil barracos e mais de 80 mil moradores. A Novacap realizou a demarcação em 97 dias, com início em 15 de outubro de 1970.
Em 27 de março de 1971, o governador Hélio Prates lançou a pedra fundamental de Ceilândia. Às 9 horas do mesmo dia, iniciou-se o assentamento das primeiras 20 famílias da invasão do IAPI. Ceilândia foi fundada em 27 de março de 1971 e recebeu a condição de região administrativa pela Lei 49, de 25 de outubro de 1989.
A etimologia do nome "Ceilândia" combina o prefixo "CEI", referente à Campanha de Erradicação das Invasões, com o sufixo "-lândia", de origem inglesa ou alemã, que significa "terra", "terreno" ou "lugar". O secretário Otomar Lopes Cardoso foi quem conferiu à nova localidade esse nome, inspirado na sigla e no sufixo então em voga.
Ceilândia abriga anualmente o evento "São João do Cerrado", considerado o terceiro maior São João do Brasil, atrás apenas de Campina Grande e Caruaru. O evento inclui parque de diversões, praça de alimentação, circo e artesanato, com temas variados a cada ano e atrações renomadas no cenário junino.
A padroeira da cidade é Nossa Senhora da Glória, cuja festa litúrgica ocorre em 15 de agosto.
Subdivisões
Originalmente, Ceilândia foi dividida nas áreas de Ceilândia Norte, Ceilândia Sul, Ceilândia Centro e Guariroba (os três primeiros, junto com parte da Guariroba, formavam o setor tradicional). Atualmente, também se divide em diversos outros setores, como o Setor M (QNM e EQNM), Setor N (QNN e EQNN), Setor O e Expansão do Setor O (QNO e EQNO), Setor P (QNP e EQNP), dividido em P Norte e P Sul, Setor Q (QNQ), Setor R (QNR) e Condomínio Privê (MOD). Até 2019, quando foi criada a região administrativa de Sol Nascente/Pôr do Sol, dois núcleos distintos eram considerados, não oficialmente, como parte da Ceilândia, sendo subúrbios densamente povoados. O controle urbano tem sido uma prioridade do governo local, embora com sucesso limitado diante da inevitável expansão urbana.
Economia
Com cerca de 400 mil habitantes, Ceilândia é considerada a região administrativa com maior influência nordestina no Distrito Federal. Sua economia é forte, baseada principalmente no comércio e na indústria, sendo também um celeiro cultural e esportivo, devido à diversidade artística e aos atletas que despontam em nível nacional e mundial.
O Setor de Indústrias de Ceilândia é um dos principais do DF, com fábricas de pré-moldados, alimentos e móveis. Segundo a Associação Empresarial de Ceilândia, ainda há espaço para crescimento. A região possui o maior número de comerciários do Distrito Federal (100 mil) e uma população economicamente ativa de 160 mil pessoas. Destaca-se também a grande quantidade de feiras, como a Feira Central, principal exemplo de empreendimento informal que fortalece a economia local.
Educação
Desde 2008, Ceilândia abriga um dos campi da Universidade de Brasília (UnB), oferecendo cursos de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Saúde Coletiva. Além disso, conta com um campus do Instituto Federal de Brasília, localizado entre a Faculdade de Ceilândia da UnB e a linha do metrô do Setor P Sul, que oferece cursos técnicos (Equipamentos Biomédicos, Eletrônica e Segurança do Trabalho), cursos de Formação Inicial e Continuada (FIC), curso superior de Licenciatura em Letras, além de extensão, PRONATEC e e-TEC.
Religião
A composição religiosa de Ceilândia é predominantemente católica, com 64,7% da população, seguida por protestantes (26,9%) e outras religiões ou pessoas sem religião (8,4%).
Acesso e Transportes
As "Estradas Parques" fazem a ligação rodoviária entre Ceilândia e o Plano Piloto de Brasília: DF-075 (Estrada Parque Núcleo Bandeirante - EPNB), DF-085 (Estrada Parque Taguatinga - EPTG, ou "Linha Verde") e DF-095 (Estrada Parque Ceilândia - EPCL, ou "Via Estrutural"). A rodovia federal BR-070, que margeia o setor norte da cidade, dá acesso aos municípios goianos de Águas Lindas de Goiás e Pirenópolis.
Ceilândia é servida por algumas estações do Metrô do Distrito Federal: Ceilândia Sul, Guariroba, Ceilândia Centro, Ceilândia Norte e Ceilândia, com outras duas em construção. A região também conta com vários terminais de ônibus urbanos, de onde partem veículos para diversas regiões do Distrito Federal.
