Sobre o Monte Roraima

O Monte Roraima é uma formação geológica localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, na América do Sul. Trata-se de um tepui, um tipo de montanha em formato de mesa típico do planalto das Guianas. Sua estrutura é marcada por falésias de aproximadamente 1.000 metros de altura, e seu planalto abriga um ecossistema distinto da floresta tropical e da savana ao redor. O alto índice pluviométrico da região deu origem a pseudocarstes, cavernas e solos lixiviados. A flora local é adaptada a essas condições, com elevado endemismo, incluindo diversas espécies de plantas carnívoras que obtêm nutrientes de insetos. A fauna, especialmente répteis e anfíbios, também apresenta alto grau de endemismo. O ambiente é protegido no lado venezuelano pelo Parque Nacional Canaima e, no brasileiro, pelo Parque Nacional do Monte Roraima. O ponto culminante, a 2.810 metros de altitude, está no extremo sul, no estado venezuelano de Bolívar. O segundo ponto mais alto (2.772 metros) fica ao norte do planalto, em território guianense, próximo ao marco da tríplice fronteira.

História e Conquistas

Conhecido pelos ocidentais apenas no século XIX, o Monte Roraima foi escalado pela primeira vez em 1884 por uma expedição britânica liderada por Everard Ferdinand im Thurn. Apesar de expedições posteriores, sua fauna, flora e geologia permanecem amplamente desconhecidas. A história de uma dessas incursões inspirou sir Arthur Conan Doyle a escrever o livro "O Mundo Perdido", em 1912.

A descoberta europeia da montanha ocorreu em 1595, durante a colonização espanhola e britânica. O poeta e explorador britânico Walter Raleigh descreveu uma "montanha de cristal" impossível de escalar, com numerosas cascatas, que pode corresponder ao Monte Roraima. Outros exploradores, em busca do Eldorado, também percorreram a região, habitada por povos ameríndios há pelo menos 10 mil anos. Atualmente, o entorno é ocupado pelos Pemons, descendentes dos Caraíbas, que se estabeleceram ali há cerca de 300 anos.

Há registros de que o cientista alemão Robert Hermann Schomburgk teria avistado a montanha em 1838, durante uma expedição patrocinada pela Royal Geographical Society. Em 1845, ele retornou para estudar a flora local e observou que o topo parecia inacessível devido às altas falésias. Outras expedições ocorreram em 1864 (Carl Ferdinand Appun), 1869 e 1872 (Charles Barrington Brown), e 1877 (Flint e Edginton). Henry Whitely, estudioso da avifauna, sugeriu que o cume poderia ser alcançado pela face sul com cordas e escadas.

A primeira escalada bem-sucedida foi em 18 de dezembro de 1884, por Everard im Thurn e Harry Perkins, patrocinados pela Royal Geographical Society, seguindo sugestões de Henry Whitely. A equipe encontrou uma passagem desconhecida até mesmo pelos Pemons. Novas expedições de botânicos, zoólogos e geólogos ocorreram nos anos seguintes. As cavernas passaram a ser exploradas por espeleólogos venezuelanos no final da década de 1930, especialmente a partir dos anos 1970. Em 1975, o Parque Nacional Canaima foi expandido para leste, tornando o Monte Roraima e a floresta circundante áreas totalmente protegidas, com exceção de uma pequena zona para trekking.

O Monte Roraima só foi reconhecido como ponto culminante do planalto das Guianas em 1931, quando uma comissão multinacional determinou a localização exata da tríplice fronteira. As falésias ao norte foram escaladas em 1973 por alpinistas britânicos. Com a melhoria das estradas na década de 1980, o turismo se desenvolveu na região.

Áreas de Conservação

O Parque Nacional do Monte Roraima, criado em 28 de junho de 1989 pelo decreto n° 97.887, abrange cerca de 116 mil hectares e tem como objetivo proteger o cenário natural da serra do Pacaraíma. Todo o parque está inserido na terra indígena Raposa Serra do Sol, e sua administração é compartilhada entre a Fundação Nacional do Índio, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a comunidade dos índios ingaricós. Na Venezuela, o maciço está dentro do Parque Nacional Canaima, uma das maiores áreas de conservação da América Latina, com mais de três milhões de hectares, declarado patrimônio da humanidade pela UNESCO.

Mitologia

Segundo a lenda dos índios Macuxi, que habitavam a região, antigamente não havia elevações no terreno. As terras eram planas e férteis, com caça, pesca e frutos abundantes. Certo dia, uma bananeira (árvore até então desconhecida) nasceu no local, tornando-se viçosa e cheia de frutos. A narrativa, contudo, foi truncada nas fontes disponíveis.

Toponímia

Em espanhol, o Monte Roraima é chamado de tepuy Roraima ou cerro Roraima, embora a grafia correta seja Roroima. Seu ponto culminante é conhecido como Maverick Stone, nome inspirado na semelhança com o veículo homônimo fabricado pela Ford.