Resistiu. Depois de passagens por dois dos maiores clubes do futebol brasileiro, de uma temporada no Vitória e de um retorno ao Morumbi, Luan chegou a 2026 como um dos meias mais experientes do elenco do São Paulo — e isso, por si só, já é uma narrativa que merece ser lida com cuidado.
Sob a lente do treinador
Para um treinador, o meia que aparece em 30 jogos de uma temporada sem ser titular absoluto representa um tipo específico de confiança: a confiança de quem resolve situações pontuais sem precisar de holofote. Luan Vinícius da Silva Santos, 27 anos, 175 cm, camisa 33 do São Paulo no Brasileirão Série A de 2026, construiu exatamente esse perfil ao longo de uma carreira que já soma mais de uma centena e meia de partidas profissionais.
O que o dado de 30 jogos nesta temporada revela, antes de qualquer coisa, é continuidade. Um meia que não está no onze inicial fixo, mas que aparece trinta vezes no registro de partidas, é um jogador em quem o treinador confia para administrar ritmo, pressão e transições — funções que raramente aparecem na linha de gols, mas que estruturam o jogo coletivo. A única assistência registrada nesta temporada é o número visível; o trabalho invisível é o que justifica a recorrência.
Sob a lente do torcedor
O que o torcedor do São Paulo que acompanha o time há cinco ou seis anos enxerga em Luan é uma trajetória de altos e baixos que espelha a própria instabilidade do clube no período. Em 2021, o meia somou 7 jogos na CONMEBOL Libertadores — com 2 gols e 1 assistência nessa competição, seu melhor desempenho continental registrado. Para quem estava nas arquibancadas do Morumbi naquele ano, aquele Luan parecia um jogador prestes a explodir.
O que se seguiu foi mais complexo. Em 2022, foram 6 jogos na Série A e 1 gol. Em 2023, o Campeonato Paulista trouxe 2 gols e 1 assistência em 10 partidas — números que reacenderam a expectativa. Depois veio a passagem pelo Vitória em 2024, com 25 jogos na Série A e nenhuma participação direta em gol. O que o torcedor são-paulino sente, portanto, é a sensação de um jogador que oscila entre a promessa e a contenção — e que, aos 27 anos, ainda não encontrou o pico definitivo.
O que para o torcedor argentino é um meia box-to-box que precisa marcar para ser valorizado, para o torcedor brasileiro é muitas vezes um organizador de jogo que só aparece nas estatísticas quando o placar muda — e Luan vive exatamente nessa zona cinzenta de percepção.
Sob a lente da planilha de dados
Os números de Luan ao longo da carreira constroem um perfil coerente, mas que exige leitura contextual. Em 2021, a nota média de 7,07 na Libertadores foi a mais alta registrada em competição continental — acima da média de 6,62 que ele apresentou na mesma temporada pelo Campeonato Paulista. Em 2023, o Paulistão voltou a ser sua vitrine: nota 6,93 em 10 jogos, com 2 gols e 1 assistência, o que representa sua melhor produção ofensiva em uma única competição.
Na temporada atual, 30 jogos com 0 gols e 1 assistência no Brasileirão Série A de 2026 colocam Luan num patamar de contribuição discreta — mas dentro de um padrão que ele já demonstrou em 2020, quando também somou 30 jogos na Série A com 0 gols e 1 assistência. A repetição do dado não é coincidência: ela revela um jogador que encontrou um nível de atuação estável, porém sem a variação positiva que um meia ofensivo precisa apresentar para se tornar protagonista.
Conforme registrado pelo SportNavo, o histórico de Luan em competições continentais — Libertadores e Sul-Americana — soma ao menos 17 partidas distribuídas entre 2021 e 2022, o que o coloca num seleto grupo de meias brasileiros com experiência real em fases avançadas de torneios da CONMEBOL. Esse currículo, que não aparece no marcador de gols, tem peso concreto em qualquer avaliação técnica séria.
Sob a lente do mercado
Aos 27 anos, Luan está numa janela delicada do ponto de vista mercadológico. É jovem o suficiente para ter mais cinco ou seis temporadas de alto rendimento, mas já carrega um histórico extenso o suficiente para que qualquer clube interessado saiba exatamente o que está comprando — e o que não está.
O retorno ao São Paulo após a passagem pelo Vitória em 2024 indica que o clube paulista enxerga valor no perfil do jogador: experiência continental, versatilidade tática e capacidade de manter desempenho consistente ao longo de uma temporada longa. Os 30 jogos em 2026 confirmam essa leitura. O que o mercado vai querer saber nos próximos doze meses é se Luan consegue elevar sua participação direta em gols — seja marcando, seja assistindo — para um patamar que justifique um contrato de maior protagonismo.
O cenário mais realista é de continuidade no São Paulo, com possível disputa de posição à medida que o clube movimenta seu elenco para o segundo semestre. Uma segunda opção seria uma janela de empréstimo para um clube de Série A ou Série B que precise de um meia com experiência continental e capacidade de jogo sem bola. O que parece improvável, dado o histórico, é uma transferência para o exterior — ao menos enquanto os números ofensivos não apresentarem crescimento consistente.
Resistiu — e agora a pergunta que o Morumbi começa a formular é se resistir vai ser suficiente para o próximo capítulo.











