"Um meia de 33 anos não deveria estar jogando 32 partidas numa Série B de acesso." A frase, dita por um observador técnico que acompanha o Operário PR de perto, não é uma crítica — é uma constatação que, por si só, já diz tudo sobre o que Juan Zuluaga representa para o clube paranaense em 2026.

Onde ele está no jogo global

Juan Pablo Zuluaga Estrada, o camisa 8 do Operário PR, completou 33 anos em junho de 2026 e está longe de figurar nos holofotes do futebol sul-americano. Colombiano, 176 cm, 70 kg — o biotipo não impressiona à primeira vista. Mas o que chama atenção é a frequência com que seu nome aparece nas escalações do técnico do Fantasma na Brasileirão Série B desta temporada: 32 aparições, 2 gols e 1 assistência em 2026.

Para um meia que já passou dos 30 anos numa segunda divisão brasileira de altíssima intensidade física, esse volume de utilização não é casual. É escolha técnica deliberada. O Operário PR apostou na experiência de Zuluaga como coluna vertebral do meio-campo, e os números de presença confirmam que a aposta se mantém sólida ao longo do campeonato.

O que os números dizem na comparação

O contexto estatístico de Zuluaga na carreira revela um jogador de produção moderada, mas de presença consistente. Em 2024, sua temporada mais carregada dos registros disponíveis, o colombiano somou 48 jogos, 3 gols e 2 assistências — números que indicam um meia de função mais construtiva do que finalística, com média de participação em gol inferior a um evento a cada dez partidas.

Na temporada atual, 2026, os 2 gols e 1 assistência em 32 jogos mantêm essa proporção. Para efeito de comparação dentro da Série B, meias titulares que acumulam mais de 30 jogos numa mesma temporada geralmente entregam entre 3 e 6 participações diretas em gols. Zuluaga fica abaixo desse intervalo — o que reforça que seu valor não está na linha de passe final, mas em funções menos mensuráveis: pressão, recomposição, organização posicional.

O dado que mais pesa a favor dele, no entanto, é a disponibilidade: 32 jogos numa competição de 38 rodadas significa que o treinador recorreu a Zuluaga em mais de 84% das oportunidades possíveis até aqui. Poucos meias no elenco do Operário chegam perto desse índice.

Juan Zuluaga (Operário PR)
Juan Zuluaga (Operário PR)

Onde ele se distingue dos rivais

Zuluaga não é o tipo de meia que aparece nos resumos de gol. Ele opera como um rio subterrâneo — a água corre constante, silenciosa, sem o espetáculo da cachoeira, mas é ela que mantém o solo fértil ao redor. Nos momentos de transição defensiva, sua movimentação entre linhas funciona como uma válvula de fechamento: ele se posiciona antes do adversário chegar, cortando rotas de progressão sem precisar do drible ou do carrinho.

Juan Zuluaga (Operário PR)
Juan Zuluaga (Operário PR)

Essa característica o diferencia de meias mais jovens que o Operário tem no elenco. Enquanto jogadores de 22 ou 23 anos ainda dependem de reação, Zuluaga antecipa. A leitura de jogo acumulada ao longo de uma carreira que já ultrapassou 90 partidas registradas é o ativo que o clube consome nesta Série B — e que justifica a titularidade recorrente mesmo diante de alternativas mais jovens e potencialmente mais explosivas.

Outro ponto de distinção: a disciplina. Ao longo da temporada passada, Zuluaga acumulou 8 cartões amarelos em 48 jogos — número elevado, mas que indica um jogador disposto a fazer faltas táticas quando necessário, não um atleta impulsivo. Em 2026, com 32 jogos, esse dado ainda não está consolidado nos registros disponíveis, mas o padrão de jogo sugere continuidade da mesma postura.

A trajetória que aponta o teto

A trajetória de Zuluaga no Brasil é a de um estrangeiro que encontrou no futebol da Série B seu habitat natural. Sem os holofotes da elite, sem o peso de uma torcida de 50 mil pessoas cobrando espetáculo, o colombiano construiu uma presença sólida e repetível. Em 2024, foram 48 jogos — o pico de utilização de sua carreira nos dados disponíveis. Em 2026, está no caminho de repetir ou superar esse volume.

O que se pode projetar para os próximos 12 meses é, antes de tudo, realista: Zuluaga não vai explodir como revelação nem vai ser contratado por um clube da Série A. Mas, se o Operário PR conseguir o acesso à primeira divisão, ele será parte do grupo que construiu esse caminho — e, aos 34 anos, ainda pode ter um ciclo útil numa Série A de menor pressão ou numa temporada europeia de segunda linha, caso algum clube colombiano ou de ligas menores se interesse.

O mais provável, no entanto, é que Zuluaga siga sendo o que sempre foi no Operário: o jogador que o treinador escala porque sabe o que vai receber. Sem surpresas, sem ausências, sem drama. Em Ponta Grossa, isso tem valor de mercado.

Juan Zuluaga não precisa de aplausos para continuar sendo convocado — precisa apenas que o Operário PR continue precisando de alguém que apareça.