Quando Sócrates tinha 35 anos, ainda comandava o Flamengo numa temporada de despedida que o futebol tratou como curiosidade folclórica. Chico chegou à mesma idade em 16 de maio de 2026 fazendo algo menos poético e mais concreto: jogando.
Onde ele pode estar em 2027
O cenário mais realista para Chico ao fim desta temporada é a renovação com o Mirassol. O clube do interior paulista acumula dois anos consecutivos com o meia como titular — 36 partidas na Série B de 2024 e, agora, 34 na Série A de 2026. Esse volume de jogos não é acidente contratual; é política de clube.
Um meia de 35 anos que disputa a Série A brasileira com regularidade absoluta tem valor de mercado depreciado em cifras absolutas, mas elevado em utilidade funcional. No mercado doméstico, perfis com essa faixa etária e presença tão consistente no elenco normalmente assinam contratos anuais com cláusulas de renovação automática atreladas ao número de partidas disputadas — modelo cada vez mais comum no futebol de interior paulista.

A alternativa seria o encerramento da carreira ou uma transição para divisões menores, mas os 34 jogos disputados em 2026 tornam esse cenário improvável a curto prazo. Um jogador com esse índice de utilização não para por vontade do clube.
O que precisa acontecer até lá
O único número que falta na temporada atual é participação direta em gol. Chico registra 1 gol e 0 assistências em 34 jogos na Série A de 2026 — contribuição ofensiva baixa para um camisa 10. Manter o posto de titular com essa produção depende de dois fatores: o técnico valorizar funções que o dado bruto não captura, e o próprio Chico elevar sua participação no último terço de campo nas rodadas finais.
Para efeito de comparação interna à sua própria carreira: em 2023, no Mirassol da Série B, ele entregou 6 gols e 3 assistências em 37 partidas — seu pico de produção registrado. A queda para 1 gol e zero assistências em contexto de Série A pode refletir tanto o nível mais alto da competição quanto uma função tática diferente atribuída a ele pela comissão técnica.
Seria injusto chamar de crise — mas é uma crise em escala doméstica, discreta e silenciosa o suficiente para não aparecer nos titulares.
O que já aconteceu na trajetória
Nascido em Cascavel, no Paraná, em 16 de maio de 1991, Chico Francisco Hyun-Sol Kim construiu uma carreira que passou longe dos holofotes mas se sustentou em consistência operacional. O registro profissional disponível aponta duas casas principais: Juventude e Mirassol.
No Juventude, em 2022, ele disputou 33 jogos na Série A — marcou 1 gol e distribuiu 2 assistências, com nota média de 7,02. Participou ainda de 3 jogos na Copa do Brasil, onde marcou mais 1 gol. Era um meia de Série A com performance estável, não espetacular.
A chegada ao Mirassol abriu um novo ciclo. Em 2023, na Série B, ele teve sua melhor temporada em dados: os já citados 6 gols e 3 assistências em 37 partidas. Em 2024, a produção ofensiva recuou — 1 gol e zero assistências em 36 jogos de Série B, mais 2 assistências em 9 jogos do Paulistão. O clube subiu para a elite. Chico foi junto.
Ao longo das últimas temporadas documentadas, o meia somou 129 jogos, 9 gols e 7 assistências — trajetória construída em competições estaduais como o Campeonato Gaúcho e o Campeonato Paulista, além dos torneios nacionais.
Os obstáculos no caminho
A posição de meia camisa 10 em times da Série A exige entrega de números ofensivos. Com 1 participação direta em gol em 34 jogos, Chico navega num território de justificação constante. Em clubes menores da elite, a tolerância para esse perfil existe — mas costuma ter prazo.
A idade é o segundo fator. Aos 35 anos, 175 cm e 69 kg, ele mantém o físico dentro dos parâmetros registrados ao longo da carreira. Mas o mercado não paga pela manutenção — paga pela evolução ou pela experiência estratégica. Chico precisará demonstrar qual dos dois ele ainda representa.
Sem troféus documentados e sem projeção de mercado internacional, sua trajetória é construída sobre durabilidade e comprometimento com projetos de clube — virtudes reais, mas que raramente geram manchetes ou valorização contratual expressiva.
É o mesmo cenário que o Juventude viveu em 2022 ao apostar numa peça experiente para segurar a Série A — só que agora a aposta é do Mirassol, e o apostador já sabe exatamente o que está comprando.










