7 a 1 sobre Curaçao na estreia — esse placar não é apenas um resultado, é um argumento. A Alemanha chega à segunda rodada da Copa do Mundo 2026 com o melhor saldo de gols do Grupo E e a possibilidade concreta de garantir a classificação para o mata-mata já neste sábado (20), às 17h (de Brasília), diante de uma Costa do Marfim que também venceu na estreia e chega embalada a Toronto.
O Grupo E que beneficia quem vencer hoje
A tabela do Grupo E, após a primeira rodada, é direta: Alemanha e Costa do Marfim têm 3 pontos cada, Equador e Curaçao estão zerados. A diferença está no saldo — a Mannschaft tem +6, os marfinenses apenas +1, após a vitória por 1 a 0 sobre o Equador com gol de Amad Diallo nos acréscimos. Quem vencer hoje abre vantagem que, na prática aritmética do novo formato com 48 seleções, equivale a um passaporte quase carimbado para as oitavas de final.
Equador e Curaçao se enfrentam às 21h em Kansas City, o que torna o duelo de Toronto ainda mais decisivo: o vencedor saberá que os dois adversários restantes na chave estão, no mínimo, um passo atrás. A Costa do Marfim, com saldo inferior, precisa do resultado positivo para não ficar na dependência da última rodada.
Nagelsmann avalia mudanças e Undav quer a titularidade
Julian Nagelsmann tem um problema de luxo raro em Copas do Mundo: jogadores que entraram como reservas e jogaram bem demais para ser ignorados. Deniz Undav, atacante do Stuttgart, marcou um gol e distribuiu duas assistências saindo do banco contra Curaçao. Ao longo da temporada 2025/2026, o alemão acumula números expressivos pelo clube — e em apenas dez convocações pela seleção já contabiliza sete gols e quatro assistências, totalizando 11 participações diretas em gols.
A eventual entrada de Undav no time titular abriria espaço para Nagelsmann poupar Leroy Sané ou Jamal Musiala, pensando no desgaste físico de uma fase de grupos intensa. A Alemanha goleou com seis marcadores diferentes na estreia, o que demonstra amplitude ofensiva, mas também levanta a questão sobre qual combinação o treinador prefere para um adversário tecnicamente mais qualificado do que Curaçao.
Wahi liberado e o dilema tático da Costa do Marfim
O técnico Emerse Faé chega ao confronto com uma dor de cabeça resolvida e outra criada. Elye Wahi, atacante de 23 anos do Eintracht Frankfurt, foi inicialmente impedido de entrar no Canadá após relatos de envolvimento em investigações sobre manipulação de resultados — mas obteve autorização de viagem e voltou à lista de opções. A questão agora é se Faé o escalará desde o início ao lado de Bazoumana Touré, ou se optará por Ange-Yoan Bonny, Oumar Diakité ou Evann Guessand.
A outra dor de cabeça é mais agradável: Amad Diallo, do Manchester United, marcou o gol da vitória sobre o Equador saindo do banco e acumula seis gols pela seleção desde outubro de 2025 — mais do que qualquer outro jogador marfinense nesse período. Ele pressiona por uma vaga entre os titulares, o que provavelmente deslocaria Nicolas Pépé. Um esquema 4-4-2 com Diallo pela direita e Yan Diomandé — alvo de uma oferta de 100 milhões de euros do Liverpool — pela esquerda é o cenário mais discutido. Franck Kessié e Séko Fofana devem continuar no meio, com Guela Doué, Wilfried Singo, Emmanuel Agbadou e Ghislain Konan na defesa.
Onde assistir e o efeito cascata nos grupos E e F
A partida entre Alemanha e Costa do Marfim será transmitida pela Globo, com narração de Paulo Andrade e comentários de Caio Ribeiro e Alline Calandrini, conforme apurado em matéria do SportNavo. A bola rola às 17h (de Brasília), no BMO Field, em Toronto.
O resultado de hoje também tem impacto indireto no Grupo F. A Suécia, que goleou a Tunísia por 5 a 1 na estreia, enfrenta a Holanda às 14h em Houston — e uma vitória sueca garante a classificação dos escandinavos. Se a Alemanha também vencer à tarde, dois representantes europeus estarão nas oitavas antes mesmo da última rodada, o que redesenha os cruzamentos possíveis para seleções como o Brasil, que lidera o Grupo C.
Historicamente, a Alemanha nunca foi eliminada na fase de grupos de uma Copa do Mundo até 2018, quando caiu diante da Coreia do Sul em Kazan com um placar de 2 a 0 que chocou o mundo. Desde então, a Mannschaft busca reencontrar a consistência das campanhas de 2002, 2006 e 2014. Com 7 gols marcados na estreia e um adversário direto à frente, a janela está aberta — falta fechar o cadeado.








