A chuva fina caiu sobre o gramado do Barradão numa quinta-feira à noite, e o número 7 do Vitória ainda corria como se o relógio não existisse. Mário Sérgio Santos Costa, o Marinho, tem 36 anos e não recebeu o comunicado.

Do outro lado da régua geracional, o camisa 9 do Internacional, Alerrandro, acumula 15 gols em 34 jogos no Brasileirão Série A de 2026. São dez anos de diferença entre os dois, uma lacuna de €2,8 milhões no Transfermarkt e uma questão que os dados tornam inevitável: quem importa mais agora, em 12 meses e em cinco anos?

Hoje, qual está em melhor momento

A resposta imediata pertence a Alerrandro. Quinze gols em 34 jogos equivalem a uma taxa de 0,44 gols por partida — volume que, no contexto do Brasileirão atual, coloca o atacante entre os centroavantes mais produtivos da competição. Quatro assistências completam o quadro de um jogador que não apenas finaliza, mas também conecta o ataque.

Marinho, contudo, não é um caso de declínio disfarçado. Doze gols e sete assistências em 27 jogos representam participação direta em 19 tentos — número absoluto inferior ao de Alerrandro, mas construído em menos oportunidades e com uma distribuição de jogo que o centroavante gaúcho não replica. A taxa de assistências de Marinho (0,26 por jogo) supera a do rival (0,12) em mais do dobro.

O que separa os dois no recorte atual é a função tática. Alerrandro opera como referência de área: recebe, gira e finaliza. Marinho funciona como um temporal de verão que chega sem aviso — parte da ponta, corta para dentro e tanto finaliza quanto serve. São perfis distintos sendo avaliados na mesma régua de gols, o que distorce a leitura superficial.

Dimensão Alerrandro Marinho
Idade 26 anos 36 anos
Jogos (2026) 34 27
Gols (2026) 15 12
Assistências (2026) 4 7
Valor de mercado (Transfermarkt) €3,0 mi €200 mil
Clube atual Internacional (empréstimo do CSKA Moscou) Vitória

No recorte de hoje, Alerrandro leva a melhor em volume de gols e em consistência de presença no time titular — 34 jogos contra 27 indicam maior regularidade. Mas o índice de contribuição criativa de Marinho é o dado que evita que essa seção seja encerrada de forma unilateral.

Em 12 meses, quem deve liderar

A janela de 12 meses traz um elemento que os números de hoje ainda não precificam: o vínculo contratual de Alerrandro com o Internacional é de empréstimo do CSKA Moscou. A definição desse acordo — compra definitiva, extensão do empréstimo ou retorno ao clube russo — é a variável mais relevante para projetar o atacante no médio prazo.

Se o Internacional exercer opção de compra ou negociar os direitos econômicos, o valor de mercado de €3 milhões serve como piso de negociação razoável para um centroavante de 26 anos com 15 gols numa temporada de Série A. O custo de intermediação e as luvas de uma operação desse porte, em condições normais de mercado, girariam entre 8% e 12% do valor bruto da transferência — ou seja, entre €240 mil e €360 mil em comissões de agente, fora o salário a ser estruturado.

Marinho, aos 36, não tem horizonte de 12 meses como ativo em valorização. Sua contribuição ao Vitória é de curto prazo, provavelmente atrelada a um contrato de duração reduzida. O histórico recente — 4 gols em 24 jogos pelo Fortaleza em 2024 — mostrava um jogador em queda antes de a temporada 2026 reacender sua produção. Doze gols em 27 jogos pelo Vitória é uma ressurreição estatística, mas não muda a equação biológica.

Em 12 meses, a liderança pertence a Alerrandro — com a ressalva de que a resolução do empréstimo define se ele permanece num ambiente que potencializa seus números ou retorna a uma liga onde, em 2024, marcou apenas 1 gol em 6 jogos pelo CSKA.

Em 5 anos, quem é a aposta mais segura

A pergunta em cinco anos tem resposta objetiva: Marinho terá 41 anos. O horizonte de carreira profissional de alto nível, nesse caso, fecha antes de 2031. Não é julgamento — é aritmética.

Alerrandro terá 31 anos em 2031, idade em que centroavantes de referência física costumam estar no pico ou na descida inicial da curva. Com carreira construída em RB Bragantino, Vitória, CSKA Moscou e agora Internacional, ele acumula 46 gols em 203 jogos de carreira — média de 0,23 por partida ao longo de toda a trajetória, inferior à taxa da temporada atual, o que sugere que 2026 representa seu melhor momento até agora.

O risco de longo prazo para Alerrandro não é físico — é de contexto. Um retorno ao futebol russo, onde a exposição internacional é limitada e o valor de mercado tende a estagnar, pode comprimir seu teto. A aposta mais segura em cinco anos passa por uma transferência que o mantenha no futebol sul-americano ou abra caminho para o europeu.

O que os direitos econômicos dizem

O CSKA Moscou detém os direitos econômicos de Alerrandro. Qualquer clube interessado em adquiri-lo de forma definitiva negocia com o clube russo, não com o Internacional. Essa estrutura de empréstimo cria uma camada adicional de complexidade — e de custo — para qualquer operação futura. Num cenário em que o atacante mantém a produção atual, o valor de mercado de €3 milhões tende a ser revisto para cima na próxima janela, o que eleva o custo de aquisição mas também o ROI potencial para quem comprar e revender.

Conforme registrado por SportNavo, atletas nessa faixa etária e com esse nível de produção no Brasileirão têm atraído sondagens de clubes de segunda linha da Europa e de ligas do Oriente Médio — mercados que pagam prêmio de assinatura, mas limitam a visibilidade.

O que isso significa para o leitor

A comparação entre os dois atacantes só faz sentido quando o critério é explicitado. Em gols brutos na temporada, Alerrandro vence. Em criação e assistências, Marinho surpreende. Em valor de mercado, a diferença é de 15 vezes. Em potencial de apreciação como ativo, não existe competição: um tem 26 anos e €3 milhões de piso, o outro tem 36 e €200 mil de teto.

  • Melhor momento agora: Alerrandro, por volume de gols e regularidade em 34 jogos.
  • Melhor custo-benefício imediato: Marinho — 19 participações diretas em gols por €200 mil de valor de mercado é uma relação que nenhum dirigente ignora.
  • Melhor investimento em janela de transferências: Alerrandro, com ressalva da estrutura de empréstimo que encarece a operação.
  • Horizonte de 5 anos: Alerrandro sem concorrência.

A conclusão é esta: Marinho está vivendo uma temporada que desafia qualquer modelo de depreciação por idade — e merece reconhecimento por isso. Mas se a pergunta é quem representa o ativo com maior ROI esperado para os próximos ciclos, a resposta está nos 26 anos de Alerrandro, nos 15 gols desta temporada e no espaço que ainda existe entre seu teto atual e o que um centroavante dessa faixa etária pode entregar quando o contexto é o certo. Marinho é o presente que surpreende; Alerrandro é o futuro que precisa ser comprado antes que o preço suba.