9 de outubro de 2025. No dia em que Vitinho completou 32 anos, o mundo do futebol brasileiro já havia se acostumado a vê-lo como um nome do passado — aquele atacante que brilhou no Flamengo, foi para a Arábia Saudita e sumiu das manchetes nacionais. Mas o aniversário chegou com um presente inesperado: uma temporada no Corinthians que está redefinindo a narrativa de sua carreira.
Onde ele pode estar em 2027
Imagine julho de 2027: um atacante de 33 anos, com passagem por Flamengo, Al Shabab e Al-Ettifaq na bagagem, disputando uma vaga em campo no Brasileirão Série A. A cena não seria improvável — seria, na verdade, a continuidade lógica do que Vitinho está construindo no Parque São Jorge ao longo de 2026. Com 11 gols e 2 assistências em 33 partidas nesta temporada, o atacante carioca já superou a marca de qualquer temporada sua no futebol árabe, onde somou no máximo 6 gols em uma única edição da Pro League saudita. Se mantiver essa média — aproximadamente um gol a cada três jogos —, Vitinho pode encerrar 2026 como um dos dez maiores artilheiros do Corinthians na era dos pontos corridos. Não é um feito menor para quem voltou ao Brasil sem o holofote que a imprensa reserva aos retornos mais barulhentos.
O cenário mais otimista para 2027 passa por uma renovação contratual no Corinthians e pela consolidação como referência ofensiva do clube. O cenário mais conservador, mas igualmente digno, seria uma transferência para outro clube da Série A que precise de um atacante experiente, com currículo internacional e capacidade de jogar nas duas pontas do campo. Em ambos os casos, Vitinho chega a 2027 com algo que o futebol dificilmente devolve a quem passou anos no exterior: relevância doméstica.
O que precisa acontecer até lá
A chave para esse futuro está em um dado que vai além do gol marcado: o expected goals, ou xG — métrica que calcula quantos gols um jogador deveria marcar com base na qualidade das chances que cria e recebe. Quando um atacante marca mais do que seu xG sugere, ele está convertendo acima da média; quando fica abaixo, está desperdiçando oportunidades. Vitinho, nesta temporada, precisa manter sua eficiência de conversão elevada para que os 11 gols não sejam apenas um pico isolado, mas a confirmação de um padrão. O desafio técnico é esse: transformar presença em área em consistência estatística ao longo de uma campanha inteira.
"Ele voltou ao Brasil diferente. Não é mais o menino veloz do Flamengo. É um atacante que lê o jogo, que sabe onde se posicionar. Esse tipo de inteligência tática não se aprende em academia — se aprende jogando em ligas exigentes por anos." — comentarista esportivo especializado em futebol sul-americano
Para que 2027 seja promissor, o Corinthians precisará sustentar uma campanha competitiva no segundo semestre de 2026. Um time que luta por posições na tabela gera mais oportunidades para seus atacantes — e Vitinho, com a camisa 11 nas costas, é o tipo de jogador que cresce em partidas de pressão. A gestão do físico também importa: aos 32 anos, com 180 cm e 76 kg, ele não é um atleta frágil, mas o volume de jogos num calendário brasileiro exige cuidado com a preservação muscular.
O que já aconteceu na trajetória
Victor Vinícius Coelho Santos nasceu no Rio de Janeiro em 9 de outubro de 1993 e construiu uma carreira que pode ser dividida em três atos distintos. O primeiro e mais luminoso foi no Flamengo, onde a temporada de 2021 representou seu pico até então: 31 partidas no Brasileirão com 4 gols e 8 assistências, além de 11 jogos na CONMEBOL Libertadores com 3 gols e 2 assistências — números que revelavam um atacante capaz de produzir tanto em nível nacional quanto continental. Naquele mesmo ano, somou ainda 2 gols e 4 assistências em 8 jogos pela Copa do Brasil, tornando-se uma das engrenagens mais versáteis do elenco rubro-negro.
O segundo ato começou em 2022, quando Vitinho embarcou para a Arábia Saudita. Primeiro no Al-Ettifaq, depois uma passagem pelo Al Shabab em 2023, e um retorno ao Al-Ettifaq no mesmo ano. O período árabe foi de adaptação e produção discreta — 3 gols em 27 jogos pelo Al-Ettifaq em 2022, depois números levemente melhores em 2023, quando somou passagens pelos dois clubes sauditas. Em matéria do SportNavo sobre o fenômeno dos brasileiros na Pro League, o nome de Vitinho aparecia como exemplo de jogador que manteve produção consistente sem nunca dominar as manchetes. Não foi um fracasso, mas também não foi a explosão que alguns esperavam.
O terceiro ato — o atual — começou com a chegada ao Corinthians. Vestir a camisa 11 no Parque São Jorge não é uma escolha simbólica aleatória: é a numeração dos atacantes de referência, dos homens que precisam decidir jogos. E Vitinho, com 33 partidas disputadas e 11 gols marcados em 2026, está honrando o peso dessa camisa.
Os obstáculos no caminho
O principal adversário de Vitinho não está em campo adversário — está no espelho do tempo. Aos 32 anos, um atacante brasileiro que passou anos no exterior enfrenta o ceticismo estrutural do mercado nacional. Contratadores e torcidas tendem a supervalorizar a juventude e a subvalorizar a experiência acumulada em ligas diferentes. O risco é que, mesmo com 11 gols na temporada, Vitinho seja tratado como solução temporária em vez de peça de médio prazo.
Há também o desafio da concorrência interna. O Corinthians é um clube que movimenta o mercado de transferências com frequência, e a chegada de um atacante mais jovem no próximo janela poderia reduzir o espaço de Vitinho no time titular. A história do futebol brasileiro está cheia de jogadores que tiveram boas temporadas e foram preteridos por apostas mais baratas e mais novas — independentemente dos números que apresentaram.
Por fim, existe o obstáculo silencioso da regularidade. Vitinho já demonstrou, ao longo de sua carreira, que consegue produzir em alto nível quando está em ritmo de jogo — as temporadas de 2021 no Flamengo são prova disso. A questão é que o futebol brasileiro de 2026 exige mais do que picos: exige constância semana a semana, em clássicos, em viagens longas, em gramados irregulares. É esse nível de entrega contínua que vai determinar se os 11 gols desta temporada são o começo de um novo capítulo ou apenas uma vírgula bem pontuada numa história que ainda busca seu ponto final.










