A convocação de apenas 23 jogadores para as duas primeiras Copas do Mundo da era moderna (1930 e 1934) obrigava técnicos a improvisar substituições durante competições. Em 2026, Carlo Ancelotti enfrenta situação semelhante: após os cortes de Raphinha e Wesley por lesões na coxa direita, o comandante italiano promove ajustes táticos que remetem às adaptações históricas da Seleção Brasileira em momentos de crise.
Mudanças no setor ofensivo refletem estratégia histórica
A entrada de João Pedro (Chelsea) e Luiz Henrique no time titular contra a Croácia representa mais que simples substituições emergenciais. Desde 1970, quando Zagallo promoveu Jairzinho à condição de titular após lesão de Garrincha nos treinos preparatórios, o Brasil adotou padrão de valorizar velocidade nas pontas durante preparações para Mundiais. O retorno de Vinícius Júnior ao lado esquerdo, sua posição natural no Real Madrid (onde registra média de 0,67 gols por jogo em 2024), confirma essa tendência tática.
Luiz Henrique assume a vaga de Raphinha com números impressionantes: 12 gols em 38 partidas pelo Botafogo em 2024, aproveitamento superior aos 8 gols em 35 jogos do barcelonista pela Seleção desde 2022. A escalação prevista - Ederson; Ibañez, Marquinhos, Léo Pereira e Douglas Santos; Casemiro e Danilo; Luiz Henrique, Matheus Cunha, João Pedro e Vini Jr - apresenta configuração 4-2-3-1 similar à utilizada por Felipão em 2002, quando o Brasil conquistou seu último Mundial.
"Podemos competir com as melhores equipes do mundo. Olhando o jogo de hoje, jogamos contra uma equipe muito forte, de muita qualidade, competimos até o último minuto para tentar ganhar", declarou Ancelotti após a derrota por 2-1 para a França.
Retrospecto contra a Croácia indica teste decisivo
O confronto com a Croácia carrega peso histórico significativo. Desde 2006, quando Brasil e Croácia se enfrentaram pela primeira vez em amistoso (vitória brasileira por 1-0, gol de Kaká), as duas seleções disputaram apenas quatro partidas oficiais. O retrospecto favorável ao Brasil (duas vitórias, um empate, uma derrota) esconde detalhe preocupante: a única derrota ocorreu justamente na Copa do Mundo de 2022, nos pênaltis, após empate em 1-1.
A formação croata atual mantém estrutura similar à que eliminou o Brasil no Catar: Modrić (39 anos) ainda comanda o meio-campo, Perišić atua pela ponta esquerda, e Kramarić lidera o ataque. Essa continuidade contrasta com as experimentações de Ancelotti, que testou 18 formações diferentes em 24 jogos desde que assumiu a Seleção em março de 2024.
Convocação de Vitor Reis sinaliza planejamento para 2026
A convocação do zagueiro Vitor Reis (Girona), aos 20 anos, representa estratégia de longo prazo. Campeão sul-americano sub-17 em 2023, Reis soma 18 partidas no Campeonato Espanhol com aproveitamento de 67% de passes certos na saída de bola - estatística superior aos 61% de Léo Pereira pelo Flamengo em 2024. Historicamente, o Brasil promove zagueiros jovens antes de Copas: Lúcio tinha 22 anos quando estreou na Seleção em 2000, dois anos antes do título mundial.
O retorno de Marquinhos à titularidade e à faixa de capitão segue padrão estabelecido desde 2018, quando o defensor do PSG assumiu a liderança técnica da defesa. Com 87 jogos pela Seleção, Marquinhos iguala marca de Aldair e precisa de apenas 13 partidas para superar Roberto Carlos (100 jogos) entre os zagueiros mais experientes da história.
Preparação final antes da lista definitiva
A sequência de amistosos estabelece cronograma similar ao adotado antes da Copa de 2018: três jogos preparatórios (França, Croácia, Panamá), seguidos de confronto final uma semana antes da estreia (Egito, em 6 de junho). Naquela preparação, Tite promoveu 12 mudanças na escalação entre os amistosos, padrão que Ancelotti repete com as alterações contra a Croácia.
O Grupo C da Copa do Mundo 2026 apresenta adversários com históricos distintos: Marrocos (semifinalista em 2022), Haiti (estreante em Copas) e Escócia (ausente desde 1998). A estreia está marcada para 13 de junho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, às 19h, dando ao técnico italiano exatos 134 dias para definir a formação que buscará o sexto título mundial do Brasil.

