Carlo Ancelotti encara o maior desafio desde que assumiu a Seleção Brasileira em maio de 2025: montar um time competitivo para a Copa do Mundo com um elenco devastado por lesões. Desde sua chegada ao comando da equipe, o técnico italiano acumula baixas importantes que comprometem o planejamento inicial para o Mundial.
A derrota por 2 a 1 para a França na última quinta-feira expôs as fragilidades do atual grupo. O confronto desta terça-feira (31) contra a Croácia, no Camping World Stadium em Orlando, representa a última oportunidade de testar alternativas antes da convocação final. O jogo marca também um reencontro após quase quatro anos - as duas seleções não se enfrentavam desde as quartas de final da Copa do Qatar em 2022, quando o Brasil foi eliminado nos pênaltis por 4 a 2, após empate em 1 a 1 no tempo normal.
Lista de baixas assombra preparação
O departamento médico da Seleção registra um número preocupante de desfalques. Casemiro, pilar do meio-campo nas últimas Copas, sofreu lesão no joelho direito durante treino do Manchester United e está fora por tempo indeterminado. Marquinhos, capitão e zagueiro titular, lida com problema muscular na coxa esquerda desde janeiro. Alisson, goleiro número 1 da equipe, passou por cirurgia no ombro em dezembro e ainda não retornou aos gramados.
A situação defensiva preocupa especialmente Ancelotti. Além de Marquinhos, Éder Militão sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior em outubro e não jogará a Copa. Thiago Silva, aos 40 anos, divide opiniões sobre sua condição física atual no Porto. Suas últimas atuações pela equipe portuguesa não convenceram completamente, gerando dúvidas sobre sua presença na lista final.
"Quem não acompanha futebol, pede o Neymar na Copa", declarou recentemente um ex-jogador da Seleção, destacando o clamor popular pelo retorno do camisa 10.
O caso Neymar adiciona complexidade ao cenário. Recuperando-se de lesão no Al-Hilal, o atacante não atua desde outubro e sua volta aos gramados permanece incerta. Historicamente, o Brasil enfrentou situações similares: na Copa de 2014, perdeu Neymar na semifinal por lesão, e em 2022, o jogador disputou apenas duas partidas devido a problemas físicos.
Jovens promessas ganham espaço
A crise de lesões abriu portas para nomes menos experientes. Vitor Reis, zagueiro de 19 anos avaliado em 30 milhões de euros, recebeu sua primeira convocação. O defensor pertence ao Manchester City, mas atua emprestado no Palmeiras, onde se destacou na conquista do Brasileirão 2024.
Estevão, atacante do Palmeiras de apenas 17 anos, surge como alternativa no setor ofensivo. O jovem marcou 13 gols e distribuiu 9 assistências em 41 jogos na última temporada, números que chamaram atenção de Ancelotti. João Pedro, artilheiro do Brighton na Premier League com 8 gols em 15 jogos, também disputa vaga no ataque.
A comparação com Copas anteriores revela dados preocupantes. Em 2002, o Brasil chegou ao Mundial com apenas 3 jogadores lesionados no elenco de 23. Em 2018, foram 2 baixas de última hora. Atualmente, Ancelotti lida com pelo menos 6 desfalques importantes, número que pode aumentar até a convocação final.
Estratégias táticas para compensar ausências
Sem Casemiro, o meio-campo brasileiro perdeu seu principal distribuidor de jogo. Nas eliminatórias para a Copa de 2022, o volante teve aproveitamento de 89% nos passes e média de 2,3 desarmes por partida. Douglas Luiz e André disputam a posição, mas nenhum apresenta o mesmo perfil de liderança.
Na defesa, a dupla Marquinhos-Militão acumulava 47 jogos juntos desde 2021, com apenas 8 derrotas. A parceria entre Gabriel Magalhães e Bremer, principais candidatos à titularidade, soma apenas 4 partidas pela Seleção. A falta de entrosamento preocupa a comissão técnica, especialmente considerando que a Copa do Mundo exige sincronia defensiva desde o primeiro jogo.
Ancelotti estuda mudanças no sistema tático para minimizar os impactos. O tradicional 4-2-3-1 pode dar lugar ao 4-3-3, esquema que o técnico utilizou com sucesso no Real Madrid. A formação permite maior proteção ao meio-campo e facilita a adaptação de jogadores menos experientes.
O histórico recente contra a Croácia favorece o Brasil: são 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota nos últimos 6 confrontos. Porém, o time croata que eliminou o Brasil em 2022 mantém 8 dos 11 titulares daquela partida, enquanto o Brasil renovou drasticamente o elenco. A partida desta terça-feira acontece às 21h (horário de Brasília) e pode definir os últimos ajustes antes da convocação oficial, marcada para 15 de fevereiro.

