Dois cartões vermelhos em questão de semanas e uma diretoria que já não esconde o desconforto. O volante André, do Corinthians, tornou-se um problema disciplinar concreto para o clube após ser expulso no clássico contra o Palmeiras por gesto considerado obsceno — o mesmo tipo de infração que gerou a punição anterior, confirmada em segunda instância pelo STJD, e que encaixou o jogador no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de atos contrários à ética desportiva.

A versão de André e o clima no vestiário

Ao fim da partida, foi o goleiro Hugo Souza quem veio a público explicar o que aconteceu internamente. Segundo o camisa 1, André se dirigiu ao elenco e afirmou que o movimento flagrado pelo árbitro foi apenas um ajuste no calção, e não um gesto intencional.

"Ele explicou pra gente que estava só ajeitando o calção. A gente acredita nele, né? Pediu desculpas ao grupo", disse Hugo Souza após o empate sem gols contra o Palmeiras.

O apoio dos companheiros existiu, mas o problema de André transcende o vestiário. A situação é semelhante à que envolveu o volante Allan em partida recente diante do Fluminense, o que amplifica a percepção interna de que o tema comportamental precisa ser tratado com mais rigor pelo clube.

Diretoria insatisfeita e multa no horizonte

A explicação apresentada por André não foi suficiente para aplacar a insatisfação da cúpula do futebol corintiano, encabeçada por Marcelo Paz. O entendimento interno é claro: o episódio era evitável, especialmente por ser a repetição de um padrão em curto espaço de tempo. A tendência é que o jogador seja convocado para uma conversa formal com a diretoria, e a possibilidade de multa financeira não está descartada, conforme apuração do SportNavo.

O técnico Fernando Diniz também foi apontado como parte da solução. A comissão técnica reconhece a necessidade de trabalhar o aspecto emocional do elenco, e Diniz deve abordar o tema internamente nos próximos dias — um clube que ocupa a 16ª colocação do Brasileirão, com apenas 11 pontos, um a mais que o Cruzeiro, primeiro dentro da zona de rebaixamento, não pode se dar ao luxo de perder peças por indisciplina.

O peso da reincidência no STJD

O maior risco para André agora está no tribunal. O volante não chega ao STJD como réu primário: sua condenação anterior, enquadrada no artigo 258 do CBJD, já está confirmada em segunda instância. O novo vermelho, desta vez por jogada violenta — um carrinho por trás no volante Thiago Mendes, do Vasco, na reta final do primeiro tempo —, será enquadrado no artigo 243, que prevê punição de um a seis jogos.

"O CBJD prevê que penas podem ser agravadas em caso de reincidência, mesmo se a infração disciplinar não for a mesma da primeira condenação", conforme a redação do código aplicado pelo tribunal.

O ritmo adotado pelo STJD nas últimas semanas indica que a denúncia deve ser formalizada ainda nesta semana, com julgamento em primeira instância antes da próxima rodada do Brasileirão. O gancho automático pelo cartão vermelho já tira André do confronto contra o Mirassol, no Maião, domingo às 20h30. A depender do agravamento da pena, o jogador pode desfalcar o Corinthians por um período ainda mais longo.

Um problema que vai além de André

A análise do SportNavo sobre o histórico disciplinar recente do elenco corintiano revela um padrão preocupante. Além de André, Matheuzinho também foi expulso no clássico contra o Palmeiras, após acertar o rosto de Flaco López — e o time terminou a partida com dois jogadores a menos. O empate sem gols, embora preservado pela solidez defensiva, esconde o preço real da indisciplina: o Corinthians teve a melhor oportunidade do jogo numa arrancada de Yuri Alberto que parou em defesa de Carlos Miguel, o goleiro do Palmeiras. Com mais um jogador em campo, a história poderia ter sido diferente.

O Corinthians volta a campo na terça-feira, dia 15 de abril, às 21h30 (de Brasília), contra o Santa Fe, pela fase de grupos da CONMEBOL Libertadores. Sem André e em situação delicada no Brasileirão, o clube precisa urgentemente estancar as perdas disciplinares antes que a temporada se torne irreversível.