A Aston Martin vive um momento de reconstrução profunda na temporada 2026 da Fórmula 1. Após ocupar a 8ª posição no campeonato de construtores com apenas 86 pontos conquistados, a equipe de Silverstone busca Jonathan Wheatley, ex-diretor esportivo da Red Bull e recém-saído da Audi, para liderar sua reestruturação técnica. O movimento ocorre em meio às dificuldades enfrentadas com a nova parceria Honda e à necessidade urgente de estabilidade na gestão.
Wheatley: A Aposta para Reverter o Cenário
Jonathan Wheatley deixou a Audi em 20 de março por questões pessoais, mas sua experiência de duas décadas na Red Bull o torna um alvo prioritário para Lawrence Stroll. O executivo de 58 anos esteve por trás das oito conquistas consecutivas de títulos da Red Bull entre 2010-2013 e 2021-2024, período que incluiu as campanhas vitoriosas de Sebastian Vettel e Max Verstappen.
Martin Brundle, ex-piloto e analista da Sky Sports, considera a possível contratação uma "jogada inteligente" da Aston Martin, mas alerta para um problema estrutural mais profundo. "A questão não é apenas trazer talentos, mas criar estabilidade na gestão", pontua Brundle. Nos últimos três anos, a equipe teve cinco diferentes diretores técnicos, incluindo as passagens de Dan Fallows, que veio da Red Bull, e Enrico Cardile, recém-chegado da Ferrari.
A instabilidade reflete nos resultados em pista. Fernando Alonso conseguiu apenas três pódios na temporada 2026, enquanto Lance Stroll soma 28 pontos contra os 58 do companheiro espanhol. O gap de 0,847s para o tempo médio da pole position demonstra o quanto a equipe regrediu desde o terceiro lugar no campeonato de construtores em 2023.
Parceria Honda: Expectativas vs. Realidade
A transição dos motores Mercedes para a parceria de fábrica com a Honda representava a grande aposta da Aston Martin para 2026. Contudo, os primeiros meses revelaram desafios técnicos significativos. Mike Krack, chefe de operações em pista, insiste que "não há problemas" na relação com os japoneses, mas os números contam uma história diferente.
Comparando com 2025, quando a equipe utilizava power units Mercedes e conquistou 280 pontos, a queda para 86 pontos em 2026 representa uma redução de 69% no desempenho. A confiabilidade também preocupa: Alonso teve três abandonos mecânicos, enquanto Stroll sofreu com dois problemas de unidade de potência que o tiraram de zona de pontuação.

A Honda, por sua vez, fornece motores também para a AlphaTauri, que ocupa a 9ª posição entre os construtores com 45 pontos. Os números sugerem que o problema não está exclusivamente na integração chassis-motor da Aston Martin, mas numa deficiência mais ampla do pacote Honda em comparação com Mercedes, Ferrari e Red Bull Powertrains.
Desafios Estruturais para se Tornar uma Equipe de Topo
O investimento de Lawrence Stroll ultrapassou os 500 milhões de euros desde 2020, incluindo a construção do novo complexo em Silverstone e a contratação de Adrian Newey para 2025. No entanto, a transformação em equipe de topo demanda mais que investimento financeiro - requer consistência técnica e estratégica.
A chegada de Wheatley poderia trazer a experiência em gestão de equipe vencedora que falta à Aston Martin. Durante sua passagem pela Red Bull, ele supervisionou 13 títulos mundiais e desenvolveu protocolos operacionais que se tornaram referência no paddock. Sua expertise em estratégia de corrida e coordenação entre departamentos seria fundamental para integrar as competências de Newey com a estrutura existente.
O cronograma é apertado. Com Newey assumindo oficialmente em março de 2025 e os primeiros protótipos do projeto AMR27 previstos para maio, a Aston Martin precisa definir sua liderança técnica rapidamente. A continuidade com Honda até 2030 está garantida contratualmente, mas exige melhorias substanciais na integração técnica.
Para 2025, as expectativas são de recuperação gradual. O objetivo interno é retomar o top-5 no campeonato de construtores, aproveitando a chegada de Newey e a maturação da parceria Honda. Wheatley representaria o elo final dessa reconstrução, trazendo a experiência operacional necessária para transformar potencial em resultados concretos na pista.

