Diz-se que o Atlanta United atravessa sua melhor fase da temporada. Na verdade, o número que define esse momento é mais frágil do que parece — e entender por que ele pode desmoronar durante a pausa da Copa do Mundo é o exercício que qualquer análise séria precisa fazer agora.
Três vitórias que constroem uma ilusão e um alerta real
O Atlanta United chega ao duelo deste domingo, 24 de maio, contra o Columbus Crew — no ScottsMiracle-Gro Field, com bola rolando às 17h (horário de Brasília) — na perseguição à quarta vitória consecutiva na MLS. Três triunfos seguidos na liga soam expressivos, mas a equipe ainda ocupa posição delicada na Conferência Leste: apenas três pontos separam os Five Stripes da décima colocação. Em campeonatos de pontos corridos, essa margem desaparece em dois jogos ruins. A pausa que se aproxima — imposta pelo Mundial de 2026, sediado nos Estados Unidos, Canadá e México — pode ser tanto um respiro quanto um ponto de ruptura para o elenco de Tata Martino.
O contexto imediato complica ainda mais o cenário. Na quarta-feira, o Atlanta foi goleado por 4 a 1 pelo Orlando City SC nas quartas de final da U.S. Open Cup, com todos os gols do adversário marcados ainda no primeiro tempo. Martino não tentou distribuir a culpa:
"Minha responsabilidade. Absolutamente eu. Não é responsabilidade dos jogadores", afirmou o técnico argentino após o jogo.Essa postura pública de absorver o erro é coerente com seu estilo de gestão, mas a equipe precisa demonstrar resiliência em campo, não apenas discurso.
Miranchuk e a geração Homegrown que pode sustentar o Atlanta no segundo semestre
Quem tem carregado a produção ofensiva do Atlanta nesta primeira metade da temporada é o meia-atacante russo Alexey Miranchuk, com sete participações em gols na MLS — número que lidera a equipe. O jogador, conhecido por ser reservado fora de campo, tem assumido protagonismo técnico e de liderança de forma crescente. Nas palavras do zagueiro Stian Gregersen,
"Ele está assumindo mais responsabilidade, está falando mais com as pessoas e está marcando. É muito fantástico, e é bom porque agora as pessoas estão vendo mais quem é Alexey Miranchuk."
Ao lado de Miranchuk, emergiu nos últimos jogos a dupla de meio-campo formada por jovens da base: Jay Fortune, internacional por Trinidad e Tobago, e Cooper Sanchez. Fortune foi o destaque do empate em 1 a 1 contra o Orlando City na MLS — jogo diferente da derrota na Open Cup —, marcando o gol decisivo, criando cinco chances (recorde pessoal) e registrando 22 passes para o terço final e 12 entradas nessa zona. Esses números colocam o atleta entre os melhores de sua posição no torneio naquela rodada, e sua recuperação após lesão no pré-temporada é um dos subplots mais relevantes da campanha. O SportNavo acompanhou a trajetória de Fortune desde sua convocação pela seleção de Trinidad, e a evolução técnica é nítida.

A situação de Miguel Almirón, o camisa 10 paraguaio e principal ativo financeiro do elenco, segue indefinida. Ele foi listado como questionável com irritação no joelho após sair ainda no primeiro tempo do jogo da Open Cup em 15 de abril. Martino tem sido cauteloso: o jogador treina individualmente e com o grupo em dias alternados, e a comissão técnica monitora o caso dia a dia. Steven Alzate (adutor) e Ronald Hernández (abdominal) também figuram no relatório de indisponibilidade.
A janela de transferências e o risco de perder peças durante a pausa do Mundial
Historicamente, pausas prolongadas em ligas domésticas funcionam como catalisadores de mercado — algo parecido com o que ocorre no futebol europeu durante as janelas de janeiro, quando clubes aproveitam o hiato competitivo para reorganizar elencos. A pausa da Copa do Mundo 2026 na MLS terá duração superior à média das interrupções por datas FIFA, o que amplia a janela de negociação informal e formal. Para o Atlanta, o risco é duplo: perder jogadores convocados por lesão durante o torneio — o que já aconteceu com Almirón, que saiu machucado de uma partida da Open Cup — e receber propostas de mercados europeus por peças como Miranchuk, cujo desempenho recente certamente atraiu olhares.
O duelo de domingo contra o Columbus Crew carrega também um componente de revanche histórica: em 4 de abril — o chamado "404 Day", referência ao código de área de Atlanta —, o Crew venceu os Five Stripes por 3 a 1 dentro do Mercedes-Benz Stadium. Além do aspecto emocional, há uma oportunidade tática concreta: o Columbus cedeu 16 dos seus 23 gols sofridos na temporada no segundo tempo, o que aponta para uma fragilidade defensiva específica que Martino e sua comissão já mapearam.
O meia Alexey Miranchuk resumiu o sentimento do grupo com a objetividade de quem entende que o calendário não espera:
"Não vai ser um jogo fácil, obviamente. É um jogo fora de casa contra outro bom time. Precisamos entender tudo e faremos tudo para terminar essa parte da temporada com um bom resultado."A segunda metade da temporada da MLS recomeça em julho, e o Atlanta precisará de um elenco intacto — ou reforçado — para sustentar qualquer pretensão de playoff. Até lá, o resultado deste domingo, 24 de maio, já dirá se a série de três vitórias foi construção ou coincidência.








