O Fluminense caiu na primeira fase em 2024. O São Paulo foi eliminado ainda na fase de grupos em 2023. O Palmeiras nem chegou às oitavas em 2022. Quando grandes clubes brasileiros tropeçam na Copa Sul-Americana, o padrão se repete: subestimação inicial, rotação excessiva e pressão tardia. O Atlético-MG, que estreia nesta quarta-feira (8) contra o Puerto Cabello, da Venezuela, pela primeira rodada do Grupo B, sabe que precisa quebrar essa sequência de vexames para não entrar na estatística negativa dos gigantes nacionais.
Os números não mentem sobre o histórico brasileiro
Desde 2020, oito clubes brasileiros de primeira linha foram eliminados antes das quartas de final da Sul-Americana. O Fluminense, atual campeão da Libertadores, caiu para o Grêmio já na primeira fase do ano passado. O São Paulo, com um investimento de R$ 180 milhões em 2023, não passou da fase de grupos. Esses dados revelam um padrão preocupante: times grandes tratam a competição como torneio menor até perceberem que estão em apuros.
O contra-argumento é óbvio: clubes brasileiros precisam priorizar o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, competições que rendem mais dinheiro. Porém, a Sul-Americana oferece vaga direta na Libertadores de 2027 e premiação de US$ 6 milhões ao campeão. Matematicamente, não faz sentido negligenciar R$ 30 milhões em premiação total apenas para poupar jogadores no Estadual.
A estratégia atleticana passa pelo elenco robusto
O Atlético-MG possui 32 jogadores no elenco profissional, número que permite rotação sem perda significativa de qualidade. O técnico Gabriel Milito conta com opções em todas as posições: Everson e Matheus Mendes no gol, quatro zagueiros de nível (Battaglia, Lyanco, Bruno Fuchs e Junior Alonso), além de meio-campistas como Gustavo Scarpa, Bernard e Alan Franco. Essa profundidade teórica deveria facilitar a gestão entre competições.
Contudo, a realidade mostra que elencos grandes não garantem sucesso automático. O Palmeiras de Abel Ferreira tinha 35 jogadores em 2022 e foi eliminado pelo Estudiantes na fase de grupos. O problema não é quantitativo, mas sim de planejamento tático e motivacional. Milito precisa encontrar o equilíbrio entre dar oportunidades aos reservas e manter a competitividade necessária para vencer fora de casa.
Puerto Cabello não é adversário para subestimar
O time venezuelano pode não impressionar no papel, mas representa exatamente o tipo de armadilha que derruba brasileiros. Puerto Cabello joga em casa, tem torcida fervorosa e não sente a pressão da obrigação de vencer. Além disso, times venezuelanos melhoraram tecnicamente nos últimos anos: o Caracas eliminou o Boca Juniors da Libertadores em 2023, e o Deportivo Táchira deu trabalho ao Flamengo.
A altitude não é fator em Puerto Cabello, mas o gramado sintético e o calor caribenho podem incomodar. Historicamente, equipes brasileiras sofrem adaptação em jogos na Venezuela, com aproveitamento de apenas 52% nos últimos cinco anos. O Atlético-MG não pode repetir erros do passado e deve encarar cada partida do grupo como decisiva.

Classificação antecipada é a única saída
A matemática da Sul-Americana é cruel: apenas os dois primeiros de cada grupo avançam às oitavas. Isso significa que qualquer tropeço inicial aumenta exponencialmente a pressão nas rodadas finais. O Fluminense perdeu para o Grêmio na primeira rodada de 2024 e nunca se recuperou psicologicamente. O São Paulo empatou as três primeiras partidas de 2023 e precisou vencer as últimas três - não conseguiu.
O Galo tem duas vantagens concretas: joga a primeira e a última rodada em casa, no Independência. Com vitórias contra Puerto Cabello e um possível rival direto na sexta rodada, a classificação sairia naturalmente. Milito sabe que começar vencendo é fundamental para criar margem de manobra nas partidas seguintes.

O Atlético-MG entra em campo às 19h desta quarta-feira, em Puerto Cabello, com transmissão do SBT e ESPN. Uma vitória simples colocaria o time na liderança provisória do Grupo B e daria o primeiro passo para quebrar a maldição dos grandes clubes brasileiros na Sul-Americana.

