A Audi descartou a contratação de Christian Horner e voltou os olhos para dentro de casa. A montadora alemã avalia promover executivos já integrados à estrutura da Sauber para comandar seu ambicioso projeto na Fórmula 1, que estreia em 2026. A decisão reflete uma estratégia de continuidade técnica, aproveitando profissionais que conhecem os bastidores da equipe suíça desde antes da transição alemã.

O DNA técnico da atual Sauber

A estrutura da Sauber conta com Alessandro Alunni Bravi como representante da equipe e Beat Zehnder no comando das operações de pista. Zehnder, veterano de 30 anos na equipe, conhece cada nuance do funcionamento interno - desde a logística de transporte dos carros até a coordenação entre as diferentes áreas técnicas durante um fim de semana de corrida. Sua experiência inclui a gestão de pilotos como Kimi Raikkonen e Felipe Massa nos tempos áureos da equipe.

Jan Monchaux assume o papel de diretor técnico, trazendo experiência da McLaren e Red Bull. O engenheiro francês domina conceitos fundamentais como a otimização do downforce - a força que "cola" o carro no asfalto através do fluxo de ar sobre as asas e o assoalho. Na prática, é como se o ar empurrasse o carro para baixo, aumentando a aderência nas curvas. Monchaux também gerencia aspectos cruciais como a degradação térmica dos pneus, que funciona como um pneu de bicicleta superaquecendo no asfalto quente.

Estratégia de continuidade versus revolução

A filosofia da Audi contrasta com outras montadoras que chegaram à F1 contratando grandes nomes do paddock. Enquanto a Mercedes trouxe Ross Brawn em 2010 e a Red Bull promoveu Christian Horner internamente em 2005, a abordagem alemã privilegia a estabilidade operacional. Segundo fontes próximas ao projeto, a Audi prefere manter a estrutura de comando que já domina procedimentos como o undercut - estratégia de pit stop antecipado para ganhar posições através de pneus frescos.

O DNA técnico da atual Sauber Audi avalia nomes internos da Sauber par
O DNA técnico da atual Sauber Audi avalia nomes internos da Sauber par

A decisão também considera os diferentes modos de motor que a Audi desenvolverá internamente. Diferentemente da atual Sauber, que utiliza unidades de potência Ferrari, a equipe alemã produzirá seu próprio motor V6 turbo híbrido. Isso exige coordenação entre chassi e propulsor desde o primeiro dia, algo que profissionais internos podem facilitar por já conhecerem as limitações atuais do carro.

Os desafios técnicos da transição

O período de transição entre 2024 e 2026 demanda continuidade nas operações de pista enquanto a revolução acontece nos bastidores. A equipe precisa manter competitividade com motor Ferrari em 2025 enquanto desenvolve a integração com a unidade de potência Audi para 2026. Esse processo complexo funciona como reformar uma casa enquanto você ainda mora nela - cada mudança precisa ser calculada para não comprometer o funcionamento atual.

A gestão de pilotos também pesa na escolha do futuro chefe de equipe. Com Nico Hulkenberg confirmado para 2025 e negociações em andamento para completar a dupla, a liderança técnica precisa dominar aspectos como setup de suspensão e estratégia de combustível. Estes elementos determinam se um piloto consegue extrair décimos preciosos de cada volta, diferença entre pontuar ou ficar fora do Q3.

Estratégia de continuidade versus revolução Audi avalia nomes internos da Sauber
Estratégia de continuidade versus revolução Audi avalia nomes internos da Sauber

Calendário define prazo para decisão final

A Audi tem até março de 2025 para definir a estrutura de comando, coincidindo com os primeiros testes de pré-temporada. A equipe disputará a temporada 2025 como Sauber-Ferrari, mantendo a atual configuração técnica antes da chegada oficial da marca alemã. O primeiro Grande Prêmio sob comando alemão acontecerá no Bahrein, em março de 2026, quando a nova regulamentação de motores também entrará em vigor.