A vitória por 3 a 0 sobre o Athletico Paranaense na Arena Fonte Nova não foi apenas mais um resultado positivo para o Bahia no Brasileirão 2026. Foi a materialização do discurso de Rogério Ceni sobre a importância da regularidade como fator decisivo na briga pelo título nacional. O técnico tem razão ao destacar este aspecto: historicamente, equipes que conquistam o campeonato brasileiro mantêm aproveitamento superior a 60% ao longo de toda a competição, algo que exige não apenas qualidade técnica, mas principalmente consistência nas escalações e desempenho dos pilares do elenco.
A base sólida: quem são os intocáveis de Ceni
O conceito de regularidade defendido por Ceni passa diretamente pela identificação dos jogadores fundamentais em seu sistema tático. Na atual temporada, alguns nomes se destacam pela presença constante entre os titulares e pelos números que sustentam essa confiança. O goleiro Marcos Felipe, por exemplo, disputa todas as 9 rodadas iniciais como titular absoluto, mantendo média de 1,2 gol sofrido por partida - índice que coloca o Bahia entre as três melhores defesas do campeonato até aqui.
No setor defensivo, a dupla de zaga formada por Gabriel Xavier e Kanu acumula juntos mais de 780 minutos em campo nas primeiras rodadas, demonstrando a confiança do técnico na solidez dessa parceria. Xavier, inclusive, contribui ofensivamente com 2 gols marcados em jogadas de bola parada, evidenciando como a regularidade de Ceni vai além da simples manutenção de posições - inclui aproveitamento tático específico de características individuais.
No meio-campo, Cauly emerge como a principal referência criativa e estatística do time. Com 4 gols e 3 assistências nas primeiras 9 rodadas, o meia-atacante não apenas justifica sua titularidade absoluta, mas também representa o modelo de jogador que Ceni considera essencial: técnico, regular e decisivo nos momentos cruciais. Sua média de 82 minutos por jogo demonstra como a gestão física desses pilares para manter o nível competitivo ao longo de 38 rodadas.
Profundidade do elenco: o desafio da rotação inteligente
A regularidade exaltada por Ceni, entretanto, não significa imobilismo tático ou dependência excessiva de poucos jogadores. A análise dos minutos distribuídos pelo técnico revela estratégia mais sofisticada: manter um núcleo de 13 a 14 jogadores com minutagem significativa, permitindo rotação sem perda de qualidade. Esse modelo quando se observa que equipes campeãs brasileiras utilizam, em média, 22 a 24 jogadores ao longo de toda a temporada.
No ataque, a concorrência entre Everaldo e Biel ilustra perfeitamente essa filosofia. Everaldo soma 6 participações em gols (4 marcados, 2 assistências) em 540 minutos jogados, enquanto Biel contribui com 3 gols em 380 minutos. A alternância entre ambos permite que Ceni mantenha intensidade ofensiva sem sobrecarregar fisicamente nenhum dos dois, estratégia que se mostra crucial especialmente considerando o calendário brasileiro e a possível participação em competições sul-americanas.
A situação do volante Jean Lucas exemplifica outro aspecto da regularidade: a capacidade de diferentes perfis ocuparem a mesma função tática. Com média de 75 minutos por jogo quando titular, Jean Lucas oferece características de marcação e primeiro passe que se complementam com o perfil mais ofensivo de outros meio-campistas do elenco. Essa versatilidade posicional para manter padrão de jogo mesmo com alterações pontuais na escalação.
Números que sustentam o discurso da consistência
Os dados das primeiras 9 rodadas corroboram a tese de Ceni sobre regularidade como diferencial competitivo. O Bahia mantém 67% de aproveitamento dos pontos disputados, índice que, se sustentado ao longo das 38 rodadas, resultaria em aproximadamente 76 pontos - total histórico de equipes que brigam efetivamente pelo título brasileiro. Mais relevante ainda: a equipe não sofreu mais de 2 gols em nenhuma partida até aqui, demonstrando solidez defensiva que é marca registrada de times regulares.
A distribuição de gols também reflete essa filosofia: 8 jogadores diferentes já balançaram as redes pelo Bahia na temporada, evidenciando como a regularidade não depende exclusivamente de um artilheiro, mas sim de sistema coletivo eficiente. Cauly lidera com 4 gols, seguido por Everaldo (4) e Gabriel Xavier (2), mas a contribuição de Biel, Luciano Juba e outros atacantes demonstra profundidade ofensiva sustentável ao longo de uma temporada inteira.
O retrospecto em casa adiciona outro elemento fundamental à equação da regularidade: das 5 partidas disputadas na Arena Fonte Nova, o Bahia venceu 4 e empatou 1, com aproveitamento de 86,7%. Esse fator casa é historicamente decisivo em campanhas de título - equipes campeãs costumam perder no máximo 2 a 3 jogos em seus domínios durante toda a competição.
O teste da maratona: sustentabilidade até dezembro
A verdadeira prova da regularidade preconizada por Ceni virá nas próximas semanas, quando o calendário se intensifica e a profundidade do elenco será testada de forma mais rigorosa. Equipes que disputam efetivamente o título brasileiro costumam manter pelo menos 15 jogadores com mais de 1.500 minutos ao final da temporada, distribuição que exige planejamento criterioso e gestão física apurada.
O perfil etário do elenco tricolor favorece essa sustentabilidade: a média de idade dos titulares mais utilizados gira em torno de 26 anos, faixa considerada ideal para suportar a carga física de uma temporada completa. Jogadores como Cauly (26 anos), Jean Lucas (25) e Everaldo (27) estão no auge da maturidade técnica e física, combinação essencial para manter regularidade em alto nível competitivo.
A estratégia de Ceni passa ainda pelo aproveitamento inteligente dos jogos como laboratório para ajustes táticos. As 3 vitórias por diferença de 2 ou mais gols obtidas até aqui permitem que o técnico teste variações sem comprometer resultados, construindo um banco de opções que será fundamental nos momentos decisivos da reta final do campeonato. Essa regularidade no processo de evolução tática pode ser o diferencial que transformará o discurso em realidade prática na busca pelo título brasileiro.

