O calor do Estádio da Luz não consegue esquentar a pontaria do Benfica. Nas arquibancadas de Rio Maior, na segunda-feira passada, mais um empate sem gols expôs a maior dor de cabeça de José Mourinho desde que chegou ao clube: a incapacidade de converter chances claras em gols decisivos.

Os números não mentem. Entre os quatro primeiros colocados da Liga Portugal Betclic, o Benfica ostenta a pior taxa de conversão de finalizações em gols. Uma estatística que faz o técnico português revirar os olhos no banco de reservas e questionar cada jogada ensaiada nos treinos da Cidade do Futebol.

Pavlidis e o fantasma da área adversária

Vangelis Pavlidis carrega o peso de ser o artilheiro da equipe, mas os números revelam uma realidade cruel. O atacante grego precisa de uma média de cinco finalizações para balançar as redes uma única vez nesta temporada. Em 12 jogos disputados pelo Benfica, conseguiu marcar apenas dois gols.

O problema se agrava quando a equipe joga longe da Luz. Em partidas fora de casa, mais de 70% das finalizações do Benfica acontecem de fora da área de penalidade. Uma estatística que explica os nove empates conquistados pela equipe de Mourinho até agora na competição.

"A vida não está fácil para Vangelis Pavlidis. Máximo goleador do Benfica em 2025/26, o ponta de lança atravessa o momento mais complicado da temporada", admitiu fonte próxima ao clube.

Nos corredores do centro de treinamento, assistentes técnicos cochicham sobre a necessidade de encontrar soluções táticas para aproximar os atacantes da meta adversária. O esquema preferido por Mourinho privilegia a posse de bola no meio-campo, mas falha na hora de criar oportunidades claras dentro da área.

O preço dos empates na corrida pelo título

Nove empates em casa e fora transformaram o Benfica numa equipe matematicamente longe da briga pelos dois primeiros lugares. O tropeço em Rio Maior, contra um adversário teoricamente inferior, simbolizou a frustração que toma conta do vestiário encarnado.

Pavlidis e o fantasma da área adversária Benfica desperdiça finalizações e Mouri
Pavlidis e o fantasma da área adversária Benfica desperdiça finalizações e Mouri

No Estádio Dr. José Martins Vieira, o silêncio dos mil torcedores benfiquistas presentes nas arquibancadas contrastava com o barulho da festa da casa. Mais uma noite em que as oportunidades criadas não se transformaram nos três pontos necessários para manter viva a esperança do título.

A pressão sobre Mourinho cresce a cada rodada. O técnico que prometeu revolucionar o futebol português se vê diante do maior desafio tático da carreira recente: ensinar seus atacantes a finalizar com precisão cirúrgica dentro da área de penalidade.

Soluções urgentes para reverter o cenário

Nos bastidores da Luz, dirigentes e comissão técnica trabalham em alternativas para resolver a crise ofensiva antes que a temporada escorregue definitivamente pelas mãos. Mudanças no sistema tático, alterações no posicionamento dos atacantes e até mesmo reforços no mercado de inverno estão sendo avaliados.

O fantasma dos chutes de fora da área assombra principalmente os jogos como visitante. Enquanto outras equipes conseguem penetrar na defesa adversária com passes verticais e jogadas de velocidade, o Benfica se contenta com finalizações distantes que raramente incomodam os goleiros rivais.

A próxima oportunidade de Mourinho testar novas soluções será no fim de semana, quando o Benfica recebe o Famalicão no Estádio da Luz. Uma partida que pode definir se as Águias ainda têm condições de brigar por objetivos ambiciosos nesta temporada ou se precisarão se contentar com posições intermediárias na tabela.