Três gols. Três marcadores diferentes. Três nomes que, juntos, somam menos de um terço da idade com que Hulk encerrou seu ciclo no Galo. Esse é o número que explica o que aconteceu na Arena MRV neste sábado, 16 de maio, quando o Atlético-MG bateu o Mirassol por 3 a 1, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2026, e respondeu na prática a uma pergunta que a torcida vinha fazendo desde que a negociação com o Fluminense se confirmou.

O número 3 que reorganiza o ataque atleticano

Bernard, Cuello e Minda. Três gols, três assistências distribuídas entre si, três perfis distintos que o técnico Eduardo Domínguez, o Barba, reuniu num setor ofensivo de nova identidade. O argentino foi cirúrgico na avaliação pós-jogo ao recusar qualquer comparação direta com o ídolo que partiu:

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"Não vamos discutir a qualidade individual de Hulk. Temos os jogadores adequados para atacar rápido. São três jogadores explosivos de muita verticalidade. Precisamos, aliás, encontrar o equilíbrio entre atacar com velocidade e sem desespero."

A frase não é retórica. Ela descreve uma transição de modelo: o Atlético que tinha em Hulk um pulmão da criação — um jogador capaz de resolver sozinho, com força e técnica — agora distribui essa responsabilidade por três corredores que se movem em bloco e exploram os espaços deixados por adversários que recuam. Contra o Mirassol, time que adotou o bloco baixo durante boa parte do segundo tempo, o trio funcionou exatamente como Barba pretendia.

Com o resultado, o Galo chegou a 21 pontos e subiu para a sétima colocação do Brasileirão. O número, porém, frustra o próprio treinador, que reconhece que o desempenho coletivo da equipe em 2026 mereceria posição mais elevada na tabela.

O que Barba ainda precisa calibrar no último terço

A vitória não apagou os problemas de execução que o próprio técnico identificou. O Atlético sofreu o gol do Mirassol na única chance real que o adversário converteu — um dado que o lateral Natanael confirmou com precisão:

"Praticamente não cedemos nenhuma chance ao adversário. Na primeira que tiveram, infelizmente acabamos tomando o gol. Tivemos equilíbrio e mantemos o mental firme e forte para voltar para o segundo tempo e sair com a vitória."

Natanael, que vem atuando como zagueiro na linha de três defensores montada por Barba, é um dos símbolos dessa adaptabilidade tática. Lateral de origem, o jogador tem se mostrado disposto a ocupar qualquer posição que o esquema exija, declarando que está "pronto" para continuar onde o treinador achar necessário. Essa versatilidade é o tipo de recurso que um elenco de 33 jogadores — número citado pelo próprio Barba — precisa explorar para manter competitividade em todas as frentes.

O ponto crítico levantado pelo treinador argentino é o critério no terço final. O SportNavo acompanhou a partida e registrou ao menos quatro situações em que o trio ofensivo optou pela finalização precipitada quando a troca de passes criaria chance mais clara. Barba reconheceu essa tendência sem eufemismos: "Muitas vezes poderíamos manejar a bola com melhor critério. O último terço do campo é uma parte sensível. É difícil atacar uma equipe com o bloco baixo. Se não somos rápidos, o adversário se reorganiza."

O que esperar do Atlético antes da parada para a Copa do Mundo

O calendário não dá margem para acomodação. Antes da parada para a Copa do Mundo de 2026, o Atlético tem dois compromissos seguidos fora de casa: visita ao Corinthians e depois ao Vasco da Gama. Dois jogos em estádios adversários, contra equipes que também brigam por posições no meio da tabela, serão o teste real para saber se Bernard, Cuello e Minda conseguem replicar a explosividade da Arena MRV em ambientes hostis.

Hulk marcou e participou de momentos históricos no Galo, mas o ciclo se encerrou. O que o Atlético tem agora é um conjunto diferente — mais jovem, mais veloz, menos dependente de um nome singular. O trio que balançou as redes contra o Mirassol ainda precisa de consistência fora de casa e de mais precisão quando o espaço é reduzido. Mas o material existe, e Barba já demonstrou que sabe como trabalhar com ele.

Uma receita de cozinha leva tempo para se equilibrar: o chef pode ter os ingredientes certos desde o primeiro dia, mas o ponto exato — a temperatura, o tempo, a sequência — só se revela com repetição. O Atlético de 2026 está nessa fase, com os ingredientes na bancada e o fogo aceso.