Quando o árbitro Daniele Orsato apitou o final da prorrogação em 9 de dezembro de 2022, no Education City Stadium, o Brasil via pela quinta vez consecutiva o sonho do hexa escapar nas quartas de final de uma Copa do Mundo. A derrota nos pênaltis por 4-2 para a Croácia, após empate em 1 a 1, marcou o fim do ciclo Tite e deixou cicatrizes que ainda não cicatrizaram completamente. Agora, 15 meses depois, as duas seleções se reencontram no Camping World Stadium, em Orlando, para um amistoso que carrega muito mais simbolismo do que a data FIFA sugere.
A escalação brasileira naquele fatídico 9 de dezembro tinha Alisson; Danilo, Thiago Silva, Marquinhos e Danilo; Casemiro, Lucas Paquetá e Neymar; Raphinha, Vinícius Jr. e Richarlison. Do lado croata, Livaković; Juranović, Lovren, Gvardiol e Sosa; Modrić, Brozović e Kovačić; Kramarić, Petković e Perišić. Apenas seis jogadores daquela partida devem estar em campo hoje: Alisson, Marquinhos e Vinícius Jr. pelo Brasil; Modrić, Gvardiol e Kramarić pela Croácia.
Os valores de mercado em confronto
Segundo levantamento do Transfermarkt, os cinco jogadores mais valiosos do Brasil para este confronto são Vinícius Jr. (120 milhões de euros), Rodrygo (100 milhões), Endrick (60 milhões), Bruno Guimarães (50 milhões) e Paquetá (40 milhões). Somados, representam 370 milhões de euros em valor de mercado. Do lado croata, Gvardiol lidera com 75 milhões, seguido por Modrić (10 milhões aos 38 anos), Kramarić (18 milhões), Sučić (25 milhões) e Perišić (8 milhões), totalizando 136 milhões.
A disparidade nos valores reflete a renovação geracional que o Brasil promove sob o comando de Ancelotti, enquanto a Croácia mantém a espinha dorsal da geração que conquistou o vice-campeonato mundial de 2018 e chegou às semifinais em 2022. Modrić, aos 38 anos, acumula 174 jogos pela seleção e permanece como o maestro de uma equipe que eliminou o Brasil com apenas 47% de posse de bola naquelas quartas de final.
Ancelotti busca identidade tática
Carlo Ancelotti assume a seleção brasileira com o desafio de criar uma nova identidade tática após a saída de Fernando Diniz. O técnico italiano, que acumula cinco títulos da Liga dos Campeões como treinador, deve testar formações diferentes da tradicional 4-2-3-1 utilizada por Tite. A convocação de Danilo, do Flamengo, sinaliza a intenção de renovar o setor defensivo.
"Entre os nove defensores vai estar o Danilo", garantiu Ancelotti sobre o lateral-esquerdo rubro-negro.
A ausência de Neymar, que segue em processo de recuperação física no Santos, representa uma oportunidade para Ancelotti observar como a seleção se comporta sem sua principal referência técnica dos últimos oito anos. O camisa 10 acumula 128 jogos e 79 gols pela seleção desde sua estreia em 2010, sendo artilheiro em duas Copas das Confederações (2013 e 2021) e nas Olimpíadas de 2016.

O retrospecto histórico entre as seleções
Brasil e Croácia se enfrentaram apenas quatro vezes na história. O primeiro confronto ocorreu em 8 de junho de 2014, no Itaquerão, com vitória brasileira por 3-1 na abertura da Copa do Mundo, com gols de Marcelo (contra), Neymar e Oscar, além do gol croata de Perišić. O segundo encontro foi em 12 de junho de 2018, em Liverpool, amistoso que terminou empatado em 2-0. O terceiro duelo aconteceu em 3 de junho de 2022, também amistoso, com vitória croata por 1-0 em Split.

A derrota nas quartas de final de 2022 quebrou uma invencibilidade brasileira de 15 jogos em Copas do Mundo desde a semifinal de 2014 contra a Alemanha. Aquela eliminação nos pênaltis marcou a quinta vez consecutiva que o Brasil caiu nas quartas: França 2006, Holanda 2010, Alemanha 2014, Bélgica 2018 e Croácia 2022.
O amistoso desta terça-feira marca o início de um novo ciclo que tem como meta a Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, México e Canadá. Ancelotti terá 18 meses para moldar uma seleção que busca encerrar o jejum de 24 anos sem conquistar o título mundial, o mais longo da história do futebol brasileiro desde a primeira conquista em 1958.

