Jonathan Calleri não escondeu o sentimento ambíguo após o empate em 1 a 1 entre São Paulo e Internacional, no Beira-Rio, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. O atacante argentino, artilheiro tricolor na temporada com 18 gols, valorizou a capacidade de reação da equipe em campo adverso, mas foi categórico ao cobrar maior eficiência nas finalizações. "Conseguimos reagir bem ao gol deles, mas falta finalizar mais. Temos que ter mais capricho na hora de definir", declarou o camisa 9, que soma 2.340 minutos em campo nesta edição do Brasileirão.

A reação tricolor e o padrão ofensivo contra o Inter

O São Paulo saiu atrás no marcador aos 23 minutos do primeiro tempo, gol de Wesley que colocou o Internacional na frente diante de sua torcida. A reação veio apenas na segunda etapa, com o empate construído aos 15 minutos através de Luciano, que balançou as redes pela 11ª vez na temporada. O meio-campista, formado nas categorias de base do Corinthians, manteve sua regularidade ofensiva que o coloca como segundo artilheiro da equipe comandada por Luis Zubeldía.

As estatísticas do confronto revelam um São Paulo superior em volume de jogo, mas pecando na definição. Foram 14 finalizações tricolores contra 9 do Inter, porém apenas 4 no alvo contra 3 dos gaúchos. Este padrão de domínio sem conversão em gols tem sido uma constante na temporada são-paulina, lembrando os problemas enfrentados na era Muricy Ramalho entre 2006 e 2007, quando o time criava muito mas finalizava pouco.

Números revelam carência ofensiva histórica do ataque tricolor

Com 41 gols marcados em 28 jogos no Brasileirão 2026, o São Paulo apresenta média de 1,46 gol por partida, número que o coloca apenas na 8ª colocação no ranking de ataques mais eficientes da competição. Para efeito de comparação, o Botafogo, líder da competição, já balançou as redes 58 vezes, mantendo média de 2,07 gols por jogo. O Flamengo, vice-líder, soma 52 tentos em 28 rodadas.

O retrospecto recente contra o Internacional também expõe as dificuldades ofensivas. Nos últimos cinco confrontos diretos entre as equipes, o São Paulo marcou apenas 6 gols, média de 1,2 por jogo. Historicamente, o duelo favorece ligeiramente o Tricolor Paulista: em 67 encontros oficiais, são 28 vitórias são-paulinas, 21 coloradas e 18 empates, com 89 gols do SPFC contra 81 do Inter.

Calleri, que chegou ao Morumbi em 2021 e acumula 71 gols em 164 jogos pela equipe, tem aproveitamento de 16,6% de conversão de finalizações nesta temporada. Número que, embora sólido, fica abaixo dos 18,2% registrados em 2023, seu melhor ano estatístico com a camisa tricolor, quando anotou 28 gols em 58 partidas.

Soluções táticas e paralelos com gerações passadas

A declaração de Calleri ecoa críticas similares feitas por Kaká em 2008, quando o meia questionava a falta de "sangue frio" nas finalizações do elenco que disputava simultaneamente Libertadores e Brasileirão. Naquela temporada, mesmo com o craque em campo, o São Paulo sofreu com a mesma síndrome: criava chances, mas pecava na definição, terminando apenas em 8º lugar no campeonato nacional.

Luis Zubeldía tem tentado diferentes formações para potencializar o setor ofensivo. A utilização de Luciano como meia-atacante, posição que ocupou contra o Inter, tem gerado bons resultados. O jogador soma 11 gols e 7 assistências na temporada, números que o colocam entre os mais decisivos do elenco. Wellington Rato, com 6 gols e 4 assistências, completa o trio de principais criadores tricolores.

O técnico argentino também tem apostado na rotatividade do ataque, alternando entre William Gomes, revelação da base com 4 gols em 22 jogos, e jogadores mais experientes como Michel Araújo. A juventude de William, de apenas 18 anos, lembra a explosão de Diego Souza em 2004, quando o então jovem atacante se tornou peça fundamental na conquista do Brasileirão.

Com 45 pontos conquistados em 28 rodadas, o São Paulo ocupa a 6ª colocação e mantém vivas as chances de classificação direta para a próxima Libertadores. O aproveitamento de 53,5% no campeonato é considerado regular, mas insuficiente para os padrões históricos do clube, que possui média de 58,2% de aproveitamento nas edições do Brasileirão conquistadas (1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008).

As próximas rodadas serão fundamentais para que o São Paulo transforme volume de jogo em pontos na tabela. A cobrança de Calleri por maior capricho nas finalizações reflete não apenas uma necessidade técnica, mas a urgência de um clube acostumado a brigar pelos títulos mais importantes do futebol brasileiro e continental.