35 gols somados em 69 jogos. Esse é o número que coloca Calleri e Tiquinho Soares no centro do debate sobre centroavantes no Brasileirão Série A 2026. Para ter referência: 35 gols é mais do que qualquer defesa do campeonato sofreu integralmente até esta rodada. Dois atacantes, idades próximas, posições idênticas — e avaliações de mercado que divergem quase o dobro.
Se você fosse comprar um, qual escolheria
A pergunta tem resposta mais direta do que parece quando os dados são colocados lado a lado.
| Dimensão | Calleri | Tiquinho Soares |
|---|---|---|
| Idade | 32 anos | 35 anos |
| Posição | Atacante (CF) | Atacante (CF) |
| Jogos (2026) | 36 | 33 |
| Gols (2026) | 18 | 17 |
| Assistências (2026) | 2 | 4 |
| Valor de mercado (Transfermarkt) | €1,50 milhão | €800 mil |
Calleri está vinculado ao São Paulo e carrega o histórico de segundo maior artilheiro estrangeiro da história do clube. Tiquinho está emprestado pelo Santos ao Mirassol — condição que, por si só, já impõe uma variável contratual relevante: qualquer clube interessado precisaria negociar com o Santos, não com o Mirassol.
Do ponto de vista de aquisição, Calleri apresenta o custo de mercado mais alto (€1,50 milhão contra €800 mil), mas também maior previsibilidade: o vínculo está estabelecido com um único clube. O processo de compra de Tiquinho envolve pelo menos dois agentes institucionais — Santos e Mirassol — o que eleva o custo de intermediação e o tempo de negociação.
Quem entrega mais agora
Na temporada 2026, Calleri registra 18 gols em 36 jogos — taxa de 0,50 gol por partida. Tiquinho marca 17 gols em 33 jogos — taxa de 0,52 gol por partida. A diferença é estatisticamente irrelevante: menos de 0,02 gol por jogo.
O diferencial aparece nas assistências. Tiquinho distribui 4 assistências contra 2 de Calleri. Em termos de participação direta em gols, o atacante do Mirassol soma 21 envolvimentos em 33 jogos (0,64 por partida). Calleri soma 20 em 36 jogos (0,56 por partida).
Isso sugere que Tiquinho opera com maior amplitude no terço final — não apenas finaliza, mas também ativa companheiros. Para sistemas que exigem um pivô com saída de bola ou que jogue de costas para o gol, o dado é relevante.
Conforme registrado pelo SportNavo em coberturas anteriores do Brasileirão, centroavantes com mais de 4 assistências em uma temporada tendem a ser utilizados em esquemas com dois pontas abertos — o que é exatamente o modelo do Mirassol em 2026.
Calleri, com menor participação em assistências, funciona mais como referência fixa de área. O São Paulo constrói ao redor dele — e os 18 gols mostram que o modelo é eficiente. Mas o perfil é mais dependente do suporte dos meias.
Resumo do momento: Tiquinho entrega marginalmente mais em volume de participações. Calleri é ligeiramente mais eficiente em finalizações brutas por jogo disputado.
Quem chega mais longe nos próximos 5 anos
Aqui a análise muda de direção com clareza.
Calleri tem 32 anos. Em um horizonte de 5 anos, chegaria aos 37 — ainda dentro da janela de centroavantes que mantêm produtividade em ligas de nível médio, mas com declínio esperado a partir dos 34-35 anos. O Transfermarkt precifica esse ciclo em €1,50 milhão, o que reflete um ativo em fase de produção plena, com janela de valorização limitada.
Tiquinho tem 35 anos. O horizonte de 5 anos o levaria aos 40 — fora do alcance de qualquer projeção de desempenho sustentado em alto nível. O valor de mercado de €800 mil já desconta esse fator. A carreira inclui passagens por Porto, Olympiakos e Botafogo (com títulos da Libertadores e do Brasileirão em 2024), o que indica um atleta que sabe performar sob pressão — mas o ciclo produtivo está em fase terminal.
Para um clube que pensa em planejamento de elenco além de 2027, Tiquinho não é uma aposta racional. O investimento em um atacante de 35 anos deve ser tratado como contrato de curto prazo, com foco exclusivo em entrega imediata.
Calleri, com 32 anos, ainda oferece uma janela de 2 a 3 temporadas em nível competitivo — o que, para um clube de médio porte brasileiro, representa um ciclo completo de planejamento.
- Calleri: janela estimada de 2-3 temporadas produtivas; valor de mercado com potencial de manutenção até os 34 anos.
- Tiquinho: janela de 1-2 temporadas; valor de mercado em trajetória de queda acelerada após os 35 anos.
O voto final, com os critérios na mesa
Os números desta temporada são quase idênticos — e isso é o dado mais honesto da comparação. Tiquinho Soares entrega ligeiramente mais em participações totais (21 contra 20 envolvimentos diretos em gols), mas em menos jogos e com a ressalva de que atua em um sistema do Mirassol construído para potencializar exatamente esse perfil.
Calleri opera em um ambiente de maior pressão institucional — o São Paulo exige resultados em competições nacionais e continentais — e mantém taxa de gols comparável. Isso indica resiliência maior sob pressão de contexto.
Se o critério for entrega imediata, os dois estão empatados dentro da margem de erro estatística. Se o critério for custo-benefício de aquisição, Tiquinho é mais barato (€800 mil contra €1,50 milhão) — mas envolve complexidade contratual adicional pelo empréstimo. Se o critério for horizonte de investimento, Calleri vence sem disputa: três anos de diferença de idade representam, no mercado de centroavantes veteranos, a diferença entre um ativo em uso pleno e um em fase de depreciação acelerada.
A conclusão é técnica: para um clube que precisa de um camisa 9 para os próximos dois ou três anos, Calleri é a compra mais racional — maior valor de mercado, maior previsibilidade contratual e janela produtiva mais longa. Tiquinho Soares é a opção correta apenas para quem precisa de gols agora, em 2026, com orçamento restrito e sem ambição de continuidade no projeto.













