Se Neymar tivesse que entrar em campo hoje, 8 de junho, o Brasil jogaria sem ele. A ressonância magnética realizada nesta segunda-feira confirmou boa evolução da lesão grau 2 na panturrilha direita — sofrida em 17 de maio, ainda pelo Santos —, mas o prazo para que ele esteja disponível ainda não foi definido pela comissão médica da CBF. A estreia contra o Marrocos, no sábado (13), segue em aberto.

A nota oficial da CBF foi direta, mas calculada:

"O exame apontou boa evolução em seu tratamento, dentro dos parâmetros esperados. Ele seguirá o processo de recuperação e de preparação física planejado pela comissão médica da Seleção Brasileira."
Traduzindo: progresso real, mas sem data de retorno. Cinco dias para a estreia e nenhuma garantia.

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A lesão que mudou o planejamento de Ancelotti para a fase de grupos

Uma lesão muscular grau 2 na panturrilha costuma exigir entre 3 e 6 semanas de recuperação completa, dependendo da extensão do tecido comprometido e da resposta individual do atleta. Neymar chegou à Granja Comary já em tratamento, há pouco mais de dez dias, e a tendência é que consiga pisar no campo de treino ainda nesta semana — mas pisar no gramado é diferente de estar apto para 90 minutos de Copa do Mundo.

Carlo Ancelotti comandou mais um treino em Nova Jersey nesta segunda, o primeiro desde o amistoso de sábado contra o Egito. No jogo-treino, Lucas Paquetá começou entre os titulares e agradou o técnico italiano — o que já sinaliza o caminho para o confronto com o Marrocos.

Paquetá como solução imediata e o que os números dizem sobre isso

Aqui entra uma métrica que ajuda a entender o impacto real da ausência de Neymar: o xA (expected assists), que mede a qualidade das oportunidades criadas por um jogador a partir de suas assistências. Simplificando: não é só quantas assistências ele deu, mas o quanto cada passe para finalização valia em termos de gol esperado. Neymar, mesmo com a temporada irregular pelo Santos em 2026, ainda gera xA acima de 0,20 por 90 minutos em jogos que termina — número que Paquetá, com perfil mais de ligação do que de criação direta, dificilmente replica.

A lesão que mudou o planejamento de Ancelotti para a fase de grupos CBF revela e
A lesão que mudou o planejamento de Ancelotti para a fase de grupos CBF revela e

Isso não torna Paquetá uma escolha ruim. Ele tem progressive passes — passes que avançam o jogo pelo menos 10 metros em direção ao gol adversário — consistentes, e sua capacidade de circular a bola em espaços comprimidos é uma das melhores do elenco. Contra o Marrocos, que defende em bloco médio-baixo com PPDA (passes permitidos por ação defensiva) historicamente abaixo de 8 em Copas, a circulação rápida importa mais do que o drible individual.

Felipe Melo e os bastidores de um Neymar diferente

Quem esteve próximo do atacante nos últimos dias foi Felipe Melo, ex-Flamengo, que deu detalhes no SporTV sobre o estado mental do camisa 10:

"Trago uma informação aqui de pessoas que estão diariamente com o Neymar: ele está superfocado! Nunca se viu o Neymar tão focado em voltar bem como agora. Dúvida zero de que ele vai voltar bem fisicamente."

A declaração carrega peso simbólico. Neymar chegou a Copas anteriores sob questionamentos sobre comprometimento, mas o contexto de 2026 é diferente: aos 34 anos, com histórico de lesões graves, essa pode ser sua última chance real de protagonismo em um Mundial.

O cronograma que a CBF não anuncia, mas já traçou

A lógica do planejamento da comissão técnica aponta para um cenário em três fases. Na estreia contra o Marrocos (13/06), Neymar fica fora e o Brasil joga com Paquetá no papel de armador avançado. No segundo jogo, contra o Haiti em 19 de junho, a janela de retorno começa a se abrir — se a evolução seguir o ritmo do exame desta segunda. O terceiro jogo, contra a Escócia em 24 de junho, seria o alvo ideal para uma estreia sem pressão de minutagem máxima.

Essa progressão não é aleatória. Poupar Neymar dos dois primeiros jogos contra adversários tecnicamente inferiores ao Brasil para tê-lo 100% nas oitavas é uma estratégia que Ancelotti já usou no Real Madrid com jogadores em recuperação — Benzema em 2022 é o exemplo mais citado nos bastidores da CBF.

O Brasil entra em campo no sábado (13) às 19h (horário de Brasília), contra Marrocos, nos Estados Unidos, com transmissão pela Globo, SporTV e CazéTV. Se Neymar aparecer no banco ou na arquibancada, a pergunta que fica é: Ancelotti vai resistir à pressão e mantê-lo fora mesmo que o jogo precise de um gênio para ser desbloqueado?