Rogério Ceni voltou a falar sobre regularidade após a vitória do Bahia por 3 a 0 contra o Athletico Paranaense, na 9ª rodada do Brasileirão 2024. O técnico destacou que a consistência será fundamental para o time sonhar com o título nacional. Mas essa não é a primeira vez que Ceni aposta nesse conceito - uma análise de suas declarações em São Paulo e Fortaleza revela uma evolução interessante no discurso.

A regularidade como mantra: do São Paulo ao Bahia

No São Paulo, entre 2017 e 2021, Ceni frequentemente mencionava a necessidade de regularidade, especialmente após conquistas pontuais. Depois do título da Copa do Brasil 2023, declarou: "Precisamos transformar momentos especiais em rotina". O aproveitamento final no Tricolor foi de 52,7% em 189 jogos.

No Fortaleza, em 2022 e início de 2023, o discurso se intensificou. Ceni comandou o Leão em 98 partidas, com aproveitamento de 61,2%. Durante a campanha que levou o time às quartas de final da Copa Libertadores, repetiu constantemente que "grandes equipes se constroem com regularidade, não com lampejos".

Agora no Bahia, após 9 rodadas do Brasileirão 2024, o time ocupa posição no G-6 com 15 pontos. O discurso mantém a essência, mas ganhou maturidade: "Não adianta fazer 3 jogos bons e 2 ruins. Título se conquista mantendo padrão alto por 38 rodadas".

Números que comprovam a evolução tática

Os dados mostram diferenças significativas na aplicação prática do conceito de regularidade. No São Paulo, Ceni teve sequências instáveis: 5 vitórias seguidas contra 4 derrotas consecutivas eram comuns. A maior sequência invicta foram 12 jogos em 2021.

No Fortaleza, a regularidade melhorou. O time teve 3 sequências de 7 jogos sem perder durante 2022. O aproveitamento como mandante chegou a 73%, contra 58% no São Paulo. A defesa também evoluiu: média de 1,2 gols sofridos por jogo no Ceará, ante 1,4 em São Paulo.

No Bahia atual, apenas 9 jogos não permitem conclusões definitivas, mas os indicadores iniciais são positivos. O time tem a 4ª melhor defesa do campeonato com 8 gols sofridos. O meio-campo com Cauly (3 gols e 2 assistências) e Thaciano (2 gols) apresenta números superiores aos meias de Ceni em clubes anteriores no mesmo período de temporada.

O discurso 3.0: maturidade e pragmatismo

A principal evolução no discurso de Ceni está na especificidade. Em São Paulo, falava genericamente sobre "manter o nível". No Fortaleza, começou a detalhar: "regularidade defensiva primeiro, criativa depois". No Bahia, o conceito ganhou nuances táticas.

"Regularidade não é jogar igual sempre. É saber quando apertar, quando segurar, quando arriscar", declarou após vencer o Athletico. Essa sofisticação reflete 7 anos de experiência como técnico. O Ceni de 2024 entende que consistência passa por variação tática inteligente.

As mudanças também aparecem na gestão de elenco. No São Paulo, rodava pouco o time titular. No Fortaleza, começou a alternar mais. No Bahia, já promoveu 14 jogadores diferentes como titulares em 9 rodadas, mantendo rendimento estável.

Outro aspecto relevante: a comunicação com torcida mudou. Em São Paulo, após derrotas, focava nos erros. No Fortaleza, equilibrou autocrítica com proteção ao grupo. No Bahia, adotou tom mais propositivo: "Vamos construir algo duradouro, não apenas um momento".

Métricas digitais confirmam mudança de percepção

O engajamento nas redes sociais reflete essa evolução. Declarações de Ceni sobre regularidade no São Paulo geravam 60% de comentários negativos no Instagram oficial. No Fortaleza, esse índice caiu para 35%. No Bahia, apenas 20% das reações são críticas.

O alcance das publicações também aumentou. Posts com falas do técnico no Bahia alcançam média de 180 mil visualizações, contra 120 mil no Fortaleza. O Tricolor de Aço soma 2,8 milhões de seguidores no Instagram, aproveitando bem a popularidade do comandante.

Torcedores do Bahia compartilham 40% mais conteúdos relacionados ao técnico comparado ao período Fortaleza. Hashtags como #CeniNoTricolor e #RegularidadeBahia viralizaram após vitórias importantes, demonstrando aceitação do discurso.

A paciência da torcida baiana também impressiona. Pesquisa do SportNavo indica que 78% dos torcedores confiam no trabalho de longo prazo de Ceni, percentual superior aos 65% registrados no início da passagem pelo Fortaleza.

Essa confiança se traduz em resultados práticos. A frequência média na Arena Fonte Nova subiu 15% desde a chegada do técnico. Números que mostram como o discurso maduro sobre regularidade finalmente encontrou terreno fértil para se desenvolver plenamente no futebol brasileiro.