Todo mundo sabe que Khamzat Chimaev deixou o UFC 328 sem o cinturão dos médios. Como ninguém consegue fechar o argumento sobre quem de fato venceu aquela noite de maio é a parte que ainda divide o MMA mundial.
O russo de 30 anos, que chegou ao título com um cartel invicto e uma sequência de performances que o colocavam no debate dos melhores libra por libra do esporte, caiu diante de Sean Strickland por decisão dividida — dois juízes votaram para o americano, um para Chimaev. O cinturão foi para o outro lado. A narrativa de invencibilidade, encerrada.
A versão de Chimaev sobre o que aconteceu no UFC 328
Neste sábado, 13 de junho, na coletiva de imprensa do RAF Wrestling — evento no qual enfrenta Dillon Danis — Chimaev foi direto ao ponto quando perguntado sobre seus próximos passos no Ultimate Fighting Championship. Sem rodeios, o 'Borz' rejeitou a narrativa de derrota limpa.
"Claro que farei a revanche com o Sean. Eu não perdi a luta. Perdi para os juízes. Da próxima vez, irei arrancar a cabeça dele. Estou tentando lutar com ele, mas ele não quer sair da academia. Ele vive falando do ombro dele. Estou esperando o Dana e o Hunter para botar o cara para lutar."
A referência ao ombro de Strickland não é aleatória. O campeão americano mencionou publicamente uma lesão no ombro como justificativa para manter o ritmo de treinamento reduzido, o que Chimaev interpreta como desculpa para evitar a revanche. O dirigente citado por Chimaev é Hunter Campbell, vice-presidente executivo do UFC e braço direito de Dana White nas negociações de cartel.
A decisão dividida no UFC 328 foi real — e polêmica o suficiente para que a discussão sobre o resultado continue ativa semanas depois. Lutas decididas por divisão de juízes nessa categoria de peso historicamente geram pedidos de revanche, e o histórico recente do UFC mostra que a organização tende a atender quando a rivalidade tem calor comercial. Chimaev versus Strickland tem.
O obstáculo que Chimaev criou para si mesmo antes da revanche
Antes de qualquer conversa séria com Dana White sobre o cinturão dos médios, Chimaev precisa passar pelo compromisso que assumiu fora do octógono. O confronto com Dillon Danis no RAF Wrestling, marcado para esta data, coloca o ex-campeão em um evento de wrestling — modalidade diferente do MMA — sem pontuação de ranking UFC envolvida. Para o checheno, é uma janela de atividade enquanto o Ultimate define o próximo desafiante de Strickland.

O problema é que o UFC já tem outro nome na fila. Nassourdine Imavov, russo radicado na França, é apontado como o desafiante número 1 da divisão dos médios e tem sido cotado para disputar o cinturão contra Strickland. Imavov vem de uma sequência sólida de vitórias e construiu seu argumento dentro do octógono, sem precisar de uma derrota polêmica para justificar a posição no ranking.
Se o UFC optar por Imavov como próximo desafiante, Chimaev terá que aguardar — e possivelmente vencer mais uma ou duas lutas para recuperar a posição de número 1 contendor. A organização ainda não anunciou oficialmente qual será o próximo passo da divisão dos médios.
O que a revanche precisaria ter para ser diferente da primeira luta
Decisões divididas entre lutadores de alto nível raramente mudam de resultado na revanche sem que um dos dois apresente ajuste técnico claro. No caso de Chimaev contra Strickland, o primeiro combate expôs uma limitação específica do ex-campeão: a dificuldade de impor o wrestling contra um lutador que aceita o corpo a corpo e não recua.
Strickland, aos 33 anos, construiu seu estilo em cima de volume de golpes, pressão constante e uma capacidade surpreendente de absorver dano sem perder o fio condutor da luta. O americano não é um finalizador de alto nível, mas é extremamente difícil de nocautear e ainda mais difícil de derrubar quando está motivado a manter a distância. Chimaev, que finalizou 12 dos seus adversários anteriores, não conseguiu encerrar o combate antes dos juízes.
Para uma revanche fazer sentido esportivo — e não apenas comercial — Chimaev precisaria apresentar um jogo de distância mais desenvolvido ou uma estratégia de grappling que force Strickland para o chão de forma mais consistente. A simples repetição do plano de luta do UFC 328 entregaria o mesmo resultado.
O UFC tem até o fim do verão americano para tomar uma decisão sobre a divisão. Se a escolha for Imavov, Chimaev volta ao ranking como contendor comum. Se for a revanche, o octógono ganha uma das histórias mais quentes do ano — e Strickland, um adversário que afirma que os juízes, não ele, decidiram o primeiro capítulo.
Chimaev enfrenta Danis hoje no RAF Wrestling. Strickland espera no topo da divisão dos médios.








