O Fluminense executou uma verdadeira aula de como explorar vulnerabilidades defensivas na vitória por 3 a 1 sobre o Corinthians, no Maracanã. O Tricolor não apenas assumiu a vice-liderança do Brasileirão com 19 pontos - igualando o líder Palmeiras - como expôs fragilidades táticas que explicam por que o Timão acumula oito jogos sem vencer.
O sistema tricolor que neutralizou o meio-campo corintiano
Luis Zubeldía montou o Fluminense em um 4-2-3-1 que sufocou a criação do Corinthians desde os primeiros minutos. Com Hércules e André alternando a marcação sobre os volantes visitantes, o Tricolor conseguiu 67% de posse de bola no primeiro tempo, impedindo que o adversário se aproximasse da área de Fábio com regularidade.
A estratégia do técnico argentino explorou sistematicamente o corredor esquerdo, onde Serna encontrou espaços constantes contra a marcação de Gabriel Paulista. Foi exatamente dessa região que saíram as jogadas dos dois primeiros gols, aos 18 e 47 minutos da etapa inicial.
"Com grande atuação, o Fluminense teve maior posse de bola e impedia o Timão de se aproximar de sua área", destacou a análise técnica pós-jogo.
Os contra-ataques letais que definiram a partida
O primeiro gol nasceu de um erro de passe de Breno Bidon no meio-campo corintiano. Serna interceptou, partiu em velocidade e encontrou Jhon Kennedy livre na área. O atacante de 22 anos driblou o goleiro Kauê antes de finalizar para o fundo das redes, demonstrando a frieza que o transformou em uma das revelações da temporada.
O segundo tento seguiu roteiro similar: contra-ataque rápido iniciado por Jhon Kennedy, que localizou Serna na ponta esquerda. O atacante finalizou colocado, a bola bateu na trave e sobrou limpa para Hércules completar de primeira aos 47 minutos.
A expulsão de Allan aos nove minutos do segundo tempo selou o destino da partida. Com um jogador a mais, o Fluminense administrou o resultado até Rodrigo Castillo marcar o terceiro aos 37 minutos, consolidando uma atuação que evidenciou superioridade tática clara.
Corinthians refém das próprias limitações
A equipe paulista apresentou dificuldades estruturais que vão além do aspecto técnico. O Timão conseguiu apenas uma finalização perigosa na primeira etapa e mostrou desorganização defensiva que facilitou os contra-ataques tricolores.
O volante André ainda marcou o gol de honra aos 43 minutos do segundo tempo, mas reconheceu as deficiências coletivas na saída de campo. "Foi um dia de erros, tudo deu errado. A responsabilidade é do grupo todo, todo mundo tem que trabalhar e focar em recuperar os pontos perdidos", admitiu o jovem meio-campista.
"O torcedor espera vitórias e um bom desempenho. Agora é trabalhar para melhorar nas próximas rodadas", completou André, assumindo o peso da sequência negativa.
Com dez pontos em dez rodadas, o Corinthians ocupa a 11ª posição e vive sua pior sequência desde fevereiro, quando venceu o Athletico-PR pela última vez. A crise institucional se reflete em campo através de um futebol previsível e vulnerável a transições rápidas.
Vice-liderança consolida projeto Zubeldía
O triunfo confirma a evolução do trabalho de Luis Zubeldía, que encontrou no sistema 4-2-3-1 o equilíbrio ideal entre solidez defensiva e criatividade ofensiva. Com 19 pontos, o Fluminense iguala o Palmeiras na liderança e aguarda o confronto do Verdão contra o Grêmio na quinta-feira para conhecer sua posição exata na tabela.
A próxima rodada será decisiva para o Tricolor manter o embalo. O time volta a campo no domingo contra o Bahia, na Fonte Nova, em confronto direto contra outro postulante às primeiras posições. Para o Corinthians, restam ajustes urgentes antes do duelo com o Coritiba, no próximo sábado, na Neo Química Arena.

