A terceira fase da Copa do Brasil 2024 marca a entrada dos grandes protagonistas do futebol brasileiro na competição, mas também acende o alerta vermelho nos vestiários de Flamengo, Palmeiras e São Paulo. O mata-mata mais democrático do país tem um histórico implacável de eliminar favoritos, e os primeiros resultados da rodada já mostram que não há jogo fácil quando a taça está em jogo.

O Bahia, que venceu o Criciúma por 1 a 0 na terça-feira, oferece um exemplo perfeito dos perigos que rondam esta fase. Apesar da vitória magra, o Tricolor dominou completamente a partida no confronto inédito entre as equipes pela Copa do Brasil. "Fizemos boa partida, dava para ter feito mais gols", declarou Thaciano, autor do único gol da partida, em entrevista ao SporTV. O placar enxuto, porém, deixa a decisão em aberto para o jogo de volta no Estádio Heriberto Hülse.

O desafio dos gigantes contra os 'pequenos'

Enquanto isso, os três grandes de São Paulo e Rio enfrentam seus próprios testes. O Flamengo recebeu o Amazonas no Maracanã na quarta-feira, com Tite comandando um elenco repleto de estrelas contra um adversário da Série B que chega com a típica garra dos times do interior. O São Paulo, por sua vez, viajou até Belém para enfrentar o Águia de Marabá no Mangueirão, um ambiente sempre hostil para visitantes.

O Palmeiras, atual bicampeão da Libertadores, não pode subestimar o Botafogo-SP no Allianz Parque. Abel Ferreira, técnico português conhecido por sua meticulosidade, sabe que a Copa do Brasil não perdoa deslizes, independentemente da diferença técnica entre as equipes. A escalação com Endrick e Rony no ataque mostra que o Verdão leva a competição a sério desde o primeiro minuto.

A pressão do favoritismo

A Copa do Brasil tem uma característica cruel: transformar jogos "obrigatórios" em verdadeiras armadilhas. Times menores chegam sem pressão, jogando o tudo ou nada, enquanto os favoritos carregam o peso da expectativa. Um único deslize pode custar meses de preparação e milhões em premiação. O formato de ida e volta na terceira fase adiciona ainda mais tensão, já que um resultado ruim fora de casa pode complicar drasticamente a classificação.

O case Bahia x Criciúma ilustra perfeitamente essa dinâmica. Mesmo dominando e criando várias oportunidades, o time de Rogério Ceni conseguiu apenas uma vantagem mínima. Na volta, em Santa Catarina, o Criciúma jogará em casa com a vantagem do empate sendo suficiente para levar a decisão aos pênaltis. É exatamente esse tipo de situação que faz técnicos de grandes clubes perderem o sono.

O que esperar dos confrontos decisivos

Os jogos de volta, marcados para o final de maio, prometem alta tensão. O Bahia terá que administrar sua pequena vantagem em território catarinense, enquanto Flamengo, Palmeiras e São Paulo precisarão confirmar em casa o que (esperadamente) conseguiram como visitantes. A história da Copa do Brasil está repleta de zebras memoráveis, e 2024 pode adicionar novos capítulos a essa rica tradição de surpresas.

A Copa do Brasil não perdoa. É uma competição onde David sempre tem uma chance real contra Golias, e os grandes clubes sabem disso melhor que ninguém.