Quando o árbitro apitou o final no Maracanã, o silêncio dos poucos corintianos presentes ecoou mais alto que os gritos de festa tricolor. A derrota por 3 a 1 para o Fluminense na última quarta-feira (1º) selou a oitava partida consecutiva sem vitória do Corinthians, uma sequência que não se via no clube paulista desde 2007, quando o time também amargou oito jogos sem triunfar sob o comando de Antônio Lopes.
Jejum histórico expõe fragilidades estruturais
Os números são implacáveis: desde o triunfo por 2 a 1 sobre o Athletico-PR, em Curitiba, no dia 19 de fevereiro, o Timão acumulou três derrotas e cinco empates. Para efeito de comparação, a última sequência similar aconteceu há 17 anos, quando Ronaldo Fenômeno ainda vestia a camisa alvinegra e o clube lutava contra o rebaixamento no Brasileirão de 2007.
No Maracanã, as deficiências ficaram evidentes desde os primeiros minutos. O gol de Jhon Kennedy aos 18 minutos nasceu de erro crasso de Breno Bidon no meio-campo, permitindo que Serna partisse em velocidade e servisse o atacante tricolor dentro da área. Gabriel Paulista, zagueiro experiente contratado para dar solidez defensiva, foi driblado com facilidade pelo jovem de 22 anos.
Hércules ampliou aos 47 minutos do primeiro tempo, aproveitando rebote após finalização de Serna que explodiu na trave. A jogada expôs outro problema recorrente: a falta de compactação defensiva que permitiu ao Fluminense criar espaços mesmo com menor posse de bola.
Expulsão de Allan agrava cenário já complicado
Se o primeiro tempo já havia sido dominado pelo Fluminense, a expulsão do volante Allan aos 9 minutos da etapa final tornou a missão impossível. Com um homem a menos, o Corinthians viu Rodrigo Castillo anotar o terceiro gol tricolor aos 37 minutos, confirmando a superioridade técnica e tática dos comandados de Luis Zubeldía.
O gol de honra marcado por André aos 43 minutos serviu apenas para amenizar o placar. Nas palavras do próprio volante após a partida:
"O torcedor espera vitórias e um bom desempenho. Foi um dia de erros, tudo deu errado. Agora é trabalhar para melhorar nas próximas rodadas. A responsabilidade é do grupo todo, todo mundo tem que trabalhar e focar em recuperar os pontos perdidos."
Pressão aumenta sobre comissão técnica
Com apenas dez pontos conquistados em oito rodadas, o Corinthians ocupa a 11ª posição na tabela, situação que contrasta drasticamente com as ambições pré-temporada. Para contextualizar historicamente, em 2008, quando conquistou o Brasileirão sob comando de Mano Menezes, o clube tinha 16 pontos nas primeiras oito rodadas – seis a mais que a atual campanha.
A diferença entre o aproveitamento atual (41,6%) e o do time campeão brasileiro de 2017 (62,5% nas primeiras oito rodadas) evidencia a dimensão da crise. Fábio Carille, naquela temporada vitoriosa, havia perdido apenas uma partida neste período inicial, enquanto a atual comissão técnica já soma três derrotas.
Os problemas vão além dos números. A equipe apresenta dificuldades para criar jogadas ofensivas consistentes e sofre com desatenções defensivas que custaram caro contra o Fluminense. O meio-campo, setor considerado forte no início da temporada, tem apresentado falhas de posicionamento que facilitam os contra-ataques adversários.

Fluminense aproveita crise rival e dispara na tabela
Enquanto o Corinthians patina, o Fluminense soube capitalizar o momento favorável. Com os gols de Jhon Kennedy, Hércules e Castillo, o time carioca chegou aos 19 pontos, igualando a pontuação do líder Palmeiras, que ainda jogaria na rodada seguinte contra o Grêmio.
A vitória tricolor no Maracanã representa mais que três pontos na tabela: simboliza a diferença entre um projeto em ascensão e outro em crise profunda. O técnico Luis Zubeldía conseguiu implementar um sistema tático coeso que permite ao Fluminense ser eficiente tanto na posse quanto nas transições rápidas.
O Corinthians volta a campo no próximo domingo (5), contra o Cruzeiro, no Neo Química Arena, em partida que pode definir os rumos da temporada. Uma nova derrota ampliaria o jejum para nove jogos e colocaria a equipe em situação ainda mais delicada na tabela de classificação.

