Testou. Carlo Ancelotti colocou Danilo no time principal durante o treino desta quarta-feira, 17 de junho, substituindo Ibañez na linha defensiva — e o movimento não foi casual. Dois dias antes de encarar o Haiti, na sexta-feira (19), no Lincoln Financial Field, em Filadélfia, o técnico italiano promoveu uma rodada intensa de experimentos que ainda deixa em aberto a escalação definitiva.

O que Ancelotti viu no treino que mudou o plano defensivo

Além de Danilo, outros quatro jogadores foram inseridos no time principal: Léo Pereira na vaga de Gabriel Magalhães, Fabinho no lugar de Casemiro, Luiz Henrique substituindo Lucas Paquetá e Martinelli no posto de Raphinha. Na véspera, terça-feira, Ancelotti já havia testado Bremer, Danilo Santos e Rayan entre os titulares — sinalizando que a Seleção terá ao menos cinco alterações em relação à estreia.

Segundo informações registradas pelo SportNavo, o técnico misturou os grupos ao fim do treino, o que impede qualquer leitura definitiva sobre quem começará jogando. O cenário mais provável aponta para uma formação com Alisson; Danilo (ou Ibañez), Marquinhos, Gabriel Magalhães (ou Léo Pereira) e Douglas Santos; Casemiro e Bruno Guimarães; Lucas Paquetá (ou Luiz Henrique), Raphinha, Igor Thiago (ou Matheus Cunha) e Vinícius Jr.

Ancelotti e um jogador escolhido pela CBF atenderão a imprensa direto do Lincoln Financial Field na quinta-feira (18), antes da viagem para a Filadélfia — e essa coletiva deve dar pistas mais concretas sobre o XI inicial.

Danilo como peça tática e o que a história do jogador revela

Danilo completou 36 anos em maio de 2025 e carrega uma trajetória que poucos laterais brasileiros reproduziram: atuou como lateral-direito, lateral-esquerdo e zagueiro central ao longo de passagens por Real Madrid, Manchester City e Juventus. Na Seleção, disputou a Copa do Mundo de 2018, na Rússia — onde o Brasil foi eliminado pela Bélgica nas quartas, por 2 a 1 — e a edição de 2022, no Catar, quando os brasileiros caíram diante da Croácia nas quartas de final, nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar.

Essa versatilidade é exatamente o que Ancelotti busca. Em sistemas que oscilam entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3, um defensor capaz de cobrir três posições diferentes reduz a dependência de substituições emergenciais. Historicamente, seleções que chegaram longe em Copas recentes — como a França de 2018 e a Argentina de 2022 — contaram com ao menos um jogador desse perfil na defesa: Samuel Umtiti operou como zagueiro central e reserva de lateral naquele ciclo francês; Marcos Acuña cumpriu função similar no esquema de Scaloni.

"Ancelotti quer variações táticas reais, não apenas nomes diferentes nas mesmas funções", parafraseia a análise circulada entre membros da comissão técnica da CBF ouvidos pela imprensa nesta semana.

A questão objetiva é que Ibañez, titular na estreia, tem perfil mais fixo: zagueiro de área, forte no duelo aéreo, menos confortável na saída de bola pelo lado. Danilo, ao contrário, pode construir pelo corredor direito como lateral e também se posicionar como terceiro zagueiro em fases defensivas — um recurso que Ancelotti usou com frequência no Real Madrid ao optar por Carvajal em esquemas híbridos.

Haiti como laboratório e o que isso significa para os jogos seguintes

Não há romantismo nessa escolha de adversário para experimentos. O Haiti ocupa a 134ª posição no ranking da FIFA e chegou à Copa do Mundo de 2026 como representante da Concacaf em vaga ampliada — sua primeira participação desde 1974, quando foi eliminado na fase de grupos com três derrotas, incluindo um 7 a 0 sofrido diante da Polônia. O nível técnico inferior permite que Ancelotti observe comportamentos táticos sem o risco imediato de uma eliminação precoce.

O Brasil, por sua vez, precisa da vitória. A estreia no torneio ficou aquém do esperado — resultado que torna os próximos dois jogos do Grupo decisivos. Após o Haiti, a Seleção enfrenta a Escócia no dia 24 de junho, às 19h (horário de Brasília), num duelo que pode definir a classificação antecipada.

"Temos mais uma atividade amanhã antes de viajar", confirmou membro da comissão técnica, indicando que o treino de quinta-feira (18) será o último antes do embarque para a Filadélfia.

O raciocínio de Ancelotti tem lógica de longo prazo. Copas do Mundo modernas exigem rotatividade: das 32 seleções que disputaram o torneio de 2022, apenas três chegaram à semifinal com o mesmo onze inicial em todos os jogos da fase de grupos. O técnico italiano, que conduziu o Real Madrid a duas Champions League (2022 e 2024) justamente pela capacidade de adaptar esquemas conforme o adversário, sabe que a rigidez tática é o primeiro inimigo de uma campanha longa.

Se Danilo entrar como titular contra o Haiti e demonstrar segurança tanto na marcação quanto na transição, Ancelotti terá uma carta nova para jogar nas oitavas de final — o momento em que adversários mais qualificados exigirão exatamente esse tipo de flexibilidade. O jogo começa sexta-feira às 21h30 (horário de Brasília), com transmissão ao vivo pela CazéTV, disponível no Disney+. Você apostaria em Danilo como titular também contra a Escócia, quatro dias depois, ou o experimento se encerra no Haiti?