Falhou. Em 71 minutos dentro de campo, Deyverson não registrou uma única finalização ao gol adversário na derrota da LDU por 2 a 0 para o Mirassol, nesta quinta-feira (7), no Estádio José Maria de Campos Maia, pela 4ª rodada do Grupo G da Libertadores. O número é sintomático: zero chutes em jogo de Copa continental é o tipo de dado que encerra debates sobre rendimento antes mesmo de abri-los.
O que o Mirassol fez para anular a LDU desde o primeiro minuto
O Leão Caipira entrou em campo com linha de pressão alta e compactação entre linhas bem definida. O esquema de Rafael Guanaes priorizou a recuperação da bola no campo adversário, impedindo que a LDU organizasse transições ofensivas com tempo. O resultado foi uma equipe equatoriana que, segundo os dados da partida, registrou apenas uma finalização em toda a primeira etapa — defendida tranquilamente pelo goleiro Walter.
Deyverson, escalado como referência de área pelo técnico Tiago Nunes, ficou isolado. Sem receber passes em profundidade e sem linha de apoio que chegasse com consistência, o atacante brasileiro operou quase exclusivamente como pivô fixo — função para a qual seu perfil de jogo, baseado em movimentação e pressão sobre a defesa, não é estruturalmente adequado. A LDU optou pelos contra-ataques, mas a compactação defensiva do Mirassol cortou as saídas em velocidade antes que chegassem à área.
O primeiro gol saiu aos dois minutos do segundo tempo: cobrança de escanteio pela direita, zagueiro Lucas Oliveira apareceu na sobra e abriu o placar. Aos 16 minutos, após falta sobre Carlos Eduardo, o lateral-esquerdo Reinaldo converteu o pênalti com precisão para marcar seu primeiro gol em 2026 — encerrando um jejum de mais de cinco meses. Reinaldo, que havia perdido a mãe, Maria das Graças da Silva, no sábado (2), e viajado a Maceió para o velório, exibiu uma camisa personalizada com o nome "Maria das Graças" e o número 6 na comemoração. Com 2 a 0, o Mirassol administrou a posse e ditou o ritmo sem pressão.
Deyverson na LDU e os números que explicam a reação da torcida equatoriana
A análise do SportNavo aponta um padrão que vai além do jogo desta quinta. Deyverson foi contratado pela LDU como figura de mercado — a expectativa era de um centroavante capaz de segurar a bola, criar profundidade e finalizar. Contra o Mirassol, nenhuma dessas funções foi cumprida de forma mensurável. Zero finalizações em 71 minutos equivale ao mesmo volume de chutes ao gol registrado por toda a linha defensiva da LDU na partida — dado que contextualiza a ausência ofensiva do atacante dentro do sistema.
A reação nas redes sociais foi imediata e direta. Torcedores equatorianos não pouparam críticas nem ao jogador nem à comissão técnica.
"Cornejo e sua falta de futebol é notório. Villamil se esqueceu de jogar, e o de Deyverson é decepcionante. Chegou como figura, mas sua contribuição é nula."
Outro comentário foi ainda mais incisivo em relação à responsabilidade institucional:
"Se Deyverson e Villamil forem titulares apesar do seu péssimo desempenho, a culpa não é deles, mas sim de Tiago Nunes por mantê-los no time. Se Tiago Nunes continuar como técnico da LDU, a culpa não é dele, mas sim de toda a responsabilidade da diretoria por mantê-lo no cargo apesar da péssima temporada de 2026 que ele está tendo."
A crítica estrutura bem o problema: a torcida equatoriana não trata o rendimento de Deyverson como episódio isolado, mas como sintoma de uma gestão técnica que questiona publicamente. Tiago Nunes, ex-Corinthians e Athletico-Paranaense, acumula pressão crescente na temporada.
O que muda no Grupo G e o que a LDU precisa fazer para sobreviver
Com a derrota, a LDU permanece com 6 pontos no Grupo G — mesma pontuação do Lanús, que ocupa a segunda colocação. O Mirassol, com 9 pontos e 100% de aproveitamento em seus três jogos como mandante na fase de grupos, lidera isolado. O Always Ready, lanterna com 3 pontos, ainda tem chances matemáticas de classificação.
O cenário para a LDU é de pressão direta: qualquer tropeço nas rodadas finais pode significar eliminação. Para Deyverson, o contexto é ainda mais delicado. Um atacante contratado para ser referência ofensiva em competição continental precisa apresentar números — finalizações, duelos ganhos, participações em gols. Até aqui, o retorno mensurável está aquém do esperado pela torcida e, aparentemente, pela própria diretoria do clube.
O Mirassol, por sua vez, encerrou os jogos em casa na fase de grupos e agora enfrenta dois compromissos como visitante: contra o Always Ready, em El Alto, na altitude de 3.600 metros, e contra o Lanús, na Argentina. Uma vitória em qualquer um dos dois jogos pode confirmar a classificação do Leão Caipira ao mata-mata da Libertadores — feito que, há dois anos, seria descrito como improvável para um clube do interior paulista disputando sua primeira Copa continental.









