Diz-se que o Mixto está em posição confortável no Grupo A4 da Série D. Com 10 pontos na quarta colocação e o G4 dentro da zona de classificação, a narrativa dominante é de que o Tigre apenas administra. O problema com essa leitura é que ela ignora um detalhe que a tabela deixa explícito: o Mixto tem duas vitórias e quatro empates — o pior aproveitamento entre os quatro primeiros colocados. Ceilândia, terceiro com os mesmos 10 pontos, tem três vitórias. Quem empata muito não controla; quem empata muito depende.

Neste sábado (30), às 16h (horário de Mato Grosso), o União recebe o Mixto no Estádio Luthero Lopes, em Rondonópolis, pela penúltima rodada da fase de grupos. O Colorado chega em quinto lugar com 8 pontos, dois abaixo do rival direto. Uma vitória do União inverte as posições e coloca Rondonópolis dentro do G4 pela primeira vez desde a rodada 6. Um empate mantém o Mixto classificado provisoriamente, mas deixa o cenário aberto para a última rodada. Uma derrota do Colorado praticamente encerra a campanha.

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O histórico recente que o Mixto prefere esquecer

A rivalidade entre os dois clubes mato-grossenses em 2026 já tem um capítulo registrado: na segunda rodada da Série D, disputada no Dutrinha, em Cuiabá, as equipes empataram em 2 a 2. O resultado, à época, parecia justo. Hoje, na perspectiva do Mixto, aqueles dois pontos perdidos em casa têm sabor amargo — teriam dado ao Tigre uma almofada muito mais confortável na tabela. No Campeonato Mato-grossense deste ano, o União levou a melhor no Dutrinha por 1 a 0, mas o Mixto terminou o torneio com o caneco: o 25º título estadual, conquistado na final contra o Luverdense. O Colorado, por sua vez, ficou fora do mata-mata e chegou perto da zona de rebaixamento estadual.

Esse contraste de trajetórias recentes é o pano de fundo psicológico do confronto. O Mixto chega como campeão estadual, mas com regularidade questionável na Série D — quatro empates em seis jogos revelam uma equipe que não perde, mas também não convence. O União chega com a derrota de 3 a 2 para o Ceilândia na bagagem, um resultado que dói pela virada, mas que mostrou, segundo a própria comissão técnica do clube, que o time tem competitividade para brigar no confronto direto.

O que a tabela do Grupo A4 realmente diz

Capital-DF lidera com 17 pontos e já está classificado. Goiatuba é segundo com 15, também garantido. A briga real é pelas duas vagas restantes entre Ceilândia (10 pontos, 3 vitórias), Mixto (10 pontos, 2 vitórias) e União (8 pontos). O Operário VG, lanterna com 5 pontos, está praticamente eliminado — tanto que recebe justamente o Capital-DF neste sábado, no Dito Souza, em Várzea Grande, sem chances reais de reverter o quadro.

A matemática para o União é direta: vencer hoje e chegar à última rodada dependendo apenas de si mesmo. Perder significa que o Colorado precisaria de uma combinação de resultados favoráveis que incluiria tropeço do Mixto na última rodada — quando o Tigre enfrenta o Ceilândia no Dutrinha, em outro duelo que promete ser igualmente decisivo. Não há tragédia: há contabilidade. E a conta do União só fecha com vitória.

Os reforços do Colorado e o peso do Luthero Lopes

Para o confronto, o União ganha três peças importantes de volta. O meia Juninho e o volante Guilherme Vieira se recuperaram de lesão e ficam à disposição da comissão técnica. O lateral Alex também está liberado após cumprir suspensão automática. São adições que ampliam opções táticas e chegam em momento preciso: a equipe precisava de profundidade no elenco para um jogo que exige intensidade por 90 minutos sem margem para erro.

"A expectativa é de bom público para empurrar o time em uma tarde decisiva", destacou a diretoria do União ao divulgar a logística de ingressos para a partida — com pontos de venda espalhados por Rondonópolis e entrada gratuita para crianças até 12 anos e idosos acima de 65.

O fator casa tem peso real neste contexto. O Luthero Lopes, quando cheio, cria pressão suficiente para desequilibrar times visitantes que chegam com a missão de apenas não perder. E o Mixto, com seu histórico de quatro empates em seis jogos, tem perfil de equipe que aceita o ponto fora de casa. A torcida do Colorado pode ser, literalmente, o décimo segundo jogador que transforma um empate em derrota para o Tigre.

O que vem depois — e por que o acesso à Série C está no horizonte

Os quatro primeiros de cada grupo avançam à segunda fase da Série D, onde haverá cruzamentos entre equipes dos Grupos A3 e A4. Quem avança entra em mata-mata com chances reais de buscar o acesso à Série C em 2027 — objetivo que tanto União quanto Mixto perseguem como meta institucional neste ciclo. Para o União, clube que disputou a Série C em anos anteriores, retornar à terceira divisão nacional representaria reposicionamento competitivo e financeiro relevante. Para o Mixto, campeão estadual e com estrutura consolidada em Cuiabá, a Série C é o próximo degrau natural após o título mato-grossense.

No Grupo A3, Primavera e Luverdense também jogam neste fim de semana com 11 pontos cada, disputando as vagas restantes — o que mostra que Mato Grosso pode ter até quatro representantes na segunda fase da Série D de 2026. Mas no Luthero Lopes, a questão é mais imediata: União e Mixto jogam hoje, às 16h, e apenas um deles sai com o destino nas próprias mãos.

O histórico recente que o Mixto prefere esquecer Dois pontos separam União e Mix
O histórico recente que o Mixto prefere esquecer Dois pontos separam União e Mix

Rondonópolis decide quem avança. O Luthero Lopes abre as portas às 14h.