A saída de Dorival Júnior do Corinthians, oficializada após a derrota por 2 a 1 para o Internacional no último domingo (5), marca mais um capítulo na crônica instabilidade técnica do Timão. Em entrevista coletiva de despedida, o treinador de 62 anos revelou ter comunicado à diretoria sua decisão de deixar o cargo já no início de 2025, antecipando o fim de um mandato que durou pouco mais de um ano.

"Queria ter feito mais pelo clube. Entendi que era o momento de dar um passo para trás", declarou Dorival em sua última coletiva como técnico corintiano.

Números revelam aproveitamento mediano em relação aos antecessores

O aproveitamento de 52,3% de Dorival Júnior em 65 partidas pelo Corinthians coloca o experiente treinador em posição intermediária entre os sucessores de Tite, que deixou o clube em 2016. Sylvinho, demitido em fevereiro de 2022, teve aproveitamento de 44,7% em 38 jogos, enquanto Vítor Pereira alcançou 58,1% em 43 partidas durante sua passagem em 2022.

Vanderlei Luxemburgo, em sua segunda passagem pelo Parque São Jorge entre 2020 e 2021, registrou 49,2% de aproveitamento em 65 jogos. Já Mano Menezes, que comandou o time em duas oportunidades diferentes pós-Tite, acumulou 51,8% de aproveitamento considerando suas duas gestões. Os números evidenciam a dificuldade crônica do clube paulista em encontrar estabilidade técnica desde a era dourada sob comando de Adenor Leonardo Bacchi.

Durante o período Tite (2004-2006, 2010-2016), o Corinthians conquistou seis títulos paulistas, uma Copa do Brasil, uma Libertadores, um Mundial de Clubes e dois Brasileirões. O aproveitamento médio de 64,2% em mais de 400 partidas estabeleceu um padrão que nenhum sucessor conseguiu replicar consistentemente.

Números revelam aproveitamento mediano em relação aos antecessores Dorival Júnio
Números revelam aproveitamento mediano em relação aos antecessores Dorival Júnio

Perfil defensivo contrastou com DNA ofensivo corintiano

A filosofia tática de Dorival Júnior, tradicionalmente focada na organização defensiva e no contra-ataque, encontrou resistência entre torcedores acostumados ao futebol mais propositivo dos tempos de Tite. O Corinthians sob comando de Dorival marcou em média 1,4 gols por partida, índice inferior aos 1,7 registrados durante a gestão Vítor Pereira e os 1,6 da era Sylvinho.

O sistema tático preferido pelo técnico, com três zagueiros e alas ofensivos, foi implementado em 70% das partidas que comandou. Esta abordagem resultou em maior solidez defensiva - média de 1,1 gols sofridos por jogo - mas gerou críticas da arquibancada pela falta de criatividade no setor ofensivo. Memphis Depay, principal contratação do clube em 2024, marcou apenas oito gols em 23 partidas sob comando de Dorival.

Relacionamento com elenco seguiu padrão de predecessores

Fontes internas do clube revelam que Dorival manteve relacionamento cordial com o elenco, evitando os atritos que marcaram as saídas de Sylvinho e António Oliveira. O veterano Fagner, em entrevista após a derrota para o Inter, elogiou a postura profissional do treinador: "Sempre foi muito claro conosco, nunca faltou com respeito".

Diferentemente de Vítor Pereira, que protagonizou embates públicos com a imprensa, ou de Luxemburgo, conhecido pelas declarações polêmicas, Dorival adotou perfil discreto nas coletivas. Em 65 entrevistas como técnico corintiano, registrou apenas dois momentos de tensão com jornalistas, mantendo média de 12 minutos por coletiva.

Busca pelo substituto reflete padrão histórico de contratações

A diretoria corintiana já iniciou contatos preliminares com possíveis substitutos, seguindo o padrão de buscar técnicos com experiência em grandes clubes brasileiros. Renato Gaúcho, Fernando Diniz e Abel Ferreira figuram entre os nomes sondados, segundo fontes próximas ao presidente Augusto Melo.

Desde 2017, o Corinthians já teve 12 treinadores diferentes, média de um novo técnico a cada oito meses. Esta rotatividade custou ao clube aproximadamente R$ 45 milhões em rescisões contratuais e comissões técnicas no período. O próximo comandante assumirá com a missão de classificar o time para a próxima Copa Libertadores e iniciar a preparação para o Campeonato Paulista, que começa em 15 de janeiro.