A frase saiu sem rodeios no programa PLACAR NO MUNDO, na última segunda-feira, 15 de junho. Quem falou foi Elzo, volante titular do Brasil em todos os jogos da Copa do Mundo de 1986, eleito pelo técnico Telê Santana como o melhor jogador da seleção naquele Mundial do México. O alvo era Neymar, que naquele mesmo dia fazia uma nova ressonância magnética para avaliar a lesão de grau 2 na panturrilha direita — e cujo retorno ao campo segue sem prazo definido pela CBF.
"Neymar é a maior mentira que está na seleção brasileira. Ele está sem jogar aqui no Brasil, vai fazer meses que não joga no Santos. Joga um pouquinho, quando joga sai. Então ele não tem aquela sequência de jogos. Quando que o jogador que não tem sequência de jogos está parado, só fazendo tratamento, é convocado pela seleção brasileira?"
A pergunta de Elzo não é retórica de botequim. Ela toca num dado operacional concreto: um atleta sem minutagem consistente não condiciona fisicamente dentro de uma Copa do Mundo, independente do talento individual. O próprio ex-volante completou o raciocínio:
"Não tem nada contra o Neymar, ele bem fisicamente é o melhor do mundo pra mim. Agora, do jeito que ele está, sinto muito. Foi uma convocação pra perder tempo, porque o Neymar dificilmente vai jogar uma Copa do Mundo. Pode até entrar, mas não vai ter sequência, porque fisicamente você não condiciona dentro de uma Copa."
O que os exames de Neymar revelam sobre o calendário real de retorno
A lesão de grau 2 na panturrilha direita foi sofrida em maio, ainda no Santos. Desde então, o atacante de 34 anos tem sido submetido a ressonâncias magnéticas periódicas. O exame realizado na segunda-feira (15) mostrou evolução gradual, mas a comissão técnica de Carlo Ancelotti trabalha com a expectativa de que Neymar se junte ao grupo apenas nos treinos físicos em campo ainda nesta semana — ainda sem atividades com bola. Esse cronograma, conforme registrado pelo SportNavo com base nas apurações da repórter Raisa Simplicio, da revista PLACAR, empurra a estreia do camisa 10 para, no mínimo, a terceira rodada, contra a Escócia, na quarta-feira, 25 de junho.
O jogo desta sexta-feira (19), contra o Haiti, na Filadélfia, está descartado para Neymar. A CBF não poderá mais convocar substituto: o prazo para alterações por lesão nas listas encerrou 24 horas antes da estreia brasileira, que ocorreu na última sexta-feira, 13. O Brasil, portanto, segue com o atacante santista na lista sem poder utilizá-lo — e sem poder cobrir a vaga com outro nome.
O lateral Douglas Santos, primeiro jogador a conceder entrevista coletiva após o empate de 1 a 1 com o Marrocos, adotou tom protocolar quando questionado sobre o companheiro:
"Nossa expectativa que o Neymar esteja 100% é das melhores. Estamos esperando que ele se recupere, porque estando 100% ele vai nos ajudar bastante. É um ídolo pra mim e creio que para todos os jogadores que aqui estão, que vimos ele fazendo história na Seleção e nos clubes por onde passou."A fala de Douglas, por si só, diz pouco sobre o estado clínico do atacante e muito sobre o nível de incerteza que paira no Centro de Treinamento do Red Bull, em Columbia Park.

A convocação que divide gerações e expõe a pressão sobre Ancelotti
Elzo chegou à Copa de 1986 como titular consolidado. Atuou ao lado de Alemão no meio de campo, funcionando como volante de contenção e liberando Sócrates e Júnior para posições mais adiantadas. Sua leitura sobre condicionamento físico e ritmo de jogo não vem de especulação: vem de quem disputou todos os minutos de um Mundial. O fato de um jogador com esse histórico questionar publicamente a convocação de Neymar não é ruído — é sinal de que o debate ultrapassou o senso comum e chegou à análise técnica.
Do ponto de vista dos dados disponíveis, a crítica tem substrato. Neymar acumula um histórico de lesões musculares recorrentes desde 2023, com passagens pelo Al-Hilal marcadas por longos períodos fora de campo. No Santos em 2026, o retorno foi pontual: entradas curtas, saídas precoces, sem sequência de jogos que permitisse construir base aeróbica e muscular para 90 minutos de Copa do Mundo. Seria injusto chamar de aposta — mas é uma aposta em escala de risco elevado para um torneio que não dá segunda chance.
A situação gerou reação nos bastidores. Segundo informação do jornalista Diogo Dantas, do portal O Globo, existe uma percepção crescente dentro da delegação de que a transparência adotada nas primeiras semanas virou combustível para críticas diretas a jogadores e ao técnico italiano. A CBF cancelou a entrevista coletiva agendada para segunda-feira (15) e passou a realizar treinos com portões fechados para a imprensa. Ancelotti, que admitiu publicamente a necessidade de melhorias após o empate com o Marrocos, agora opera num ambiente de maior controle de informação.
O que ainda falta resolver antes do jogo contra a Escócia
Cafu, capitão do pentacampeonato, avaliou que o problema do Brasil não está nas laterais, mas no funcionamento coletivo:
"Não digo crise na lateral. Acho que o problema da seleção brasileira é um problema de conjunto", afirmou ao programa Seleção Copa, do SporTV. A declaração aponta para algo além da ausência de Neymar — há uma questão de encaixe tático que o empate com o Marrocos expôs e que o jogo contra o Haiti precisa começar a responder.
Douglas Santos foi um dos pontos positivos na estreia, tanto no apoio ofensivo quanto na cobertura defensiva ao lado de Vinícius Júnior. O lateral do Zenit explicou o papel que Ancelotti lhe pediu:
"O Vini é um cara que tem sido nosso desafogo. A gente conversa muito no lado esquerdo para ele ter liberdade para jogar o futebol que ele sabe. Contra Marrocos, ficou nítido."Essa estrutura funciona com ou sem Neymar — e é justamente essa adaptação que Ancelotti precisará demonstrar contra a Escócia, no dia 25, caso o camisa 10 não evolua no ritmo esperado.
O Brasil enfrenta o Haiti na sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), na Filadélfia, sem Neymar e com Endrick ainda à espera de minutos — o atacante do Real Madrid não entrou contra o Marrocos. Uma vitória coloca a seleção em posição confortável no Grupo C antes do confronto decisivo com a Escócia, atual líder da chave após bater o Haiti na estreia.








