O frio cortante de Angers contrastava com o calor das arquibancadas lotadas no estádio Raymond-Kopa. Endrick pisou no gramado como titular pela primeira vez em três rodadas, mas o que deveria ser a solução para os problemas ofensivos do Lyon se transformou em mais uma tarde de desperdício. O empate por 1 a 1 com o Angers custou ao time de Lyon a chance de figurar no G3 do Campeonato Francês, em uma partida que expôs as limitações na finalização que perseguem a equipe há semanas.
Números revelam paradoxo da criação sem conversão
Os dados do confronto contra o Angers são reveladores do dilema tático que Pierre Sage enfrenta. O Lyon disparou 18 finalizações ao longo dos 90 minutos, mas apenas quatro encontraram o alvo defendido por Yahia Fofana. O Expected Goals (xG) da equipe chegou a 2.1, indicando que as chances criadas tinham qualidade suficiente para decidir a partida com folga.

Com Endrick em campo desde o primeiro minuto, o Lyon mostrou maior intensidade ofensiva nos primeiros 30 minutos, período em que acumulou oito das 18 finalizações totais. O brasileiro participou diretamente de três dessas tentativas, incluindo uma cabeçada que passou raspando pela trave aos 23 minutos. A presença do ex-Real Madrid no ataque permitiu ao Lyon explorar mais os cruzamentos da direita, tática que rendeu seis chegadas perigosas na primeira etapa.
Contudo, os números da temporada revelam que o problema do Lyon vai além da escolha do centroavante titular. Nos últimos seis jogos do Campeonato Francês, a equipe converteu apenas 11% de suas finalizações, índice que despenca para 8% quando Endrick não está em campo. O atacante brasileiro, mesmo com participações esparsas, mantém média de conversão de 18% na temporada, quase o dobro da média geral do time.
Sage reconhece falhas na definição
A frustração do técnico Pierre Sage era visível no banco de reservas durante o segundo tempo. Após o apito final, o comandante não poupou críticas à falta de efetividade de seus atacantes. "Criamos o suficiente para ganhar dois jogos, mas nossa finalização segue sendo nosso maior problema", admitiu Sage em entrevista coletiva.
"Endrick mostrou fome de gol e movimentação inteligente, mas futebol não se ganha só com vontade. Precisamos ser mais clínicos", disparou o técnico francês.
O Lyon dominou territorialmente o confronto, com 62% de posse de bola e 11 escanteios cobrados. Lacazette, que jogou recuado para dar espaço a Endrick na área, criou quatro oportunidades claras mas viu suas assistências desperdiçadas pelos companheiros. Aos 67 minutos, o veterano francês foi às redes em cobrança de pênalti, mas o gol solitário não foi suficiente para garantir os três pontos.
Endrick busca sequência para provar valor
Para Endrick, a titularidade contra o Angers representou uma oportunidade de mostrar evolução após semanas no banco. O jovem de 18 anos completou 78 minutos em campo, seu maior tempo de jogo desde a vitória sobre o Montpellier, há três rodadas. Durante sua permanência, o Lyon finalizou 15 vezes, contra apenas três tentativas nos 12 minutos finais com Mikautadze em seu lugar.
As estatísticas individuais de Endrick no jogo chamam atenção: três finalizações, dois passes decisivos e 87% de acerto nos passes. O brasileiro também venceu quatro dos seis duelos aéreos que disputou, aproveitando sua estrutura física para brigar com os zagueiros do Angers. Sua movimentação permitiu que Cherki e Fofana encontrassem mais espaços pelas laterais, tática que gerou as melhores chances da partida.
A permanência de Endrick como titular nos próximos jogos depende da capacidade do Lyon de converter as oportunidades que cria. Pierre Sage tem pela frente o dilema de manter a aposta no brasileiro ou voltar ao esquema com Lacazette centralizado. Os números sugerem que a presença de Endrick melhora a criação, mas a eficiência coletiva segue sendo o grande desafio.
O Lyon volta a campo no próximo domingo, contra o Nantes, no Groupama Stadium. Uma vitória é fundamental para se manter na briga pelo G3 francês, já que o time ocupa atualmente a quinta posição com 32 pontos, três atrás do Lille.

