A altitude de 3.577 metros de La Paz sempre foi o pesadelo dos clubes brasileiros na Libertadores. O Flamengo decidiu enfrentar esse desafio com uma estratégia radical: deixar sete titulares no Rio de Janeiro para o confronto contra o Bolívar, incluindo peças-chave como Arrascaeta e Pedro.

Desfalques estratégicos ou excessivos

A comissão técnica rubro-negra optou por não levar Varela, Ayrton Lucas, Erick Pulgar, Arrascaeta e Pedro. Allan ficou de fora por questões médicas específicas - o volante apresenta traços falcêmicos, condição que compromete o transporte de oxigênio em grandes altitudes. Léo Pereira também foi preservado devido a um quadro viral.

O clube estabeleceu base em Santa Cruz de La Sierra, a 416 metros de altitude, para minimizar o impacto fisiológico antes de seguir para La Paz apenas no dia do jogo. A estratégia de aclimatação gradual é protocolo padrão, mas a quantidade de desfalques gera questionamentos.

Panorama brasileiro na fase de grupos

Enquanto o Flamengo adota cautela extrema, outros representantes brasileiros mostram diferentes abordagens na competição. O Atlético-MG mantém campanha perfeita no Grupo G após vencer o Peñarol por 3 a 2 na Arena MRV. Gustavo Scarpa foi decisivo com dois gols de primeira, demonstrando precisão cirúrgica nas finalizações.

"Acaba não sendo treinado por ser mais uma característica. No primeiro gol eu nem precisei ajeitar o corpo, mas no segundo eu imaginei que o Hulk daria um passe mais curto e eu consegui ajeitar o corpo a tempo e fui feliz no chute", explicou Scarpa após a partida.

O Botafogo reagiu após duas derrotas consecutivas, superando o Universitario por 3 a 1 no Nilton Santos. Eduardo, substituto do lesionado Tiquinho, abriu o placar, enquanto Luiz Henrique marcou seu primeiro gol com a camisa alvinegra. O time carioca segue na lanterna do Grupo D com três pontos.

Grêmio mostra força mental na Argentina

O Imortal conquistou sua primeira vitória na competição de forma emblemática: venceu o Estudiantes por 1 a 0 na Argentina mesmo com um jogador a menos desde os 21 minutos do segundo tempo, quando Villasanti foi expulso. Nathan Fernandes definiu o triunfo após jogada coletiva iniciada por ele mesmo e finalizada com passe de Gustavo Nunes.

A vitória do Grêmio ilustra como a mentalidade tática pode superar adversidades numéricas. O sistema defensivo compacto e as transições rápidas em contra-ataque provaram eficácia contra um adversário tecnicamente superior em seu domínio.

Dilema tático do Flamengo

A decisão rubro-negra cria um dilema interessante: preservar os principais jogadores pode garantir melhor condição física, mas compromete a qualidade técnica do conjunto. A linha de pressão boliviana historicamente explora a menor intensidade dos visitantes nos primeiros 20 minutos de jogo.

O sistema tático do Bolívar em La Paz privilegia marcação alta e transições verticais rápidas, aproveitando o desgaste acelerado dos adversários. Sem Arrascaeta na criação central e Pedro como referência ofensiva, o Flamengo precisará encontrar alternativas de movimentação e finalização.

Desfalques estratégicos ou excessivos Flamengo poupou sete titulares para La P
Desfalques estratégicos ou excessivos Flamengo poupou sete titulares para La P

Os dados históricos mostram aproveitamento de apenas 31% dos times brasileiros em La Paz nos últimos cinco anos da Libertadores. A altitude reduz em média 12% a capacidade pulmonar e 8% a potência muscular de atletas não aclimatados.

O Flamengo enfrenta o Bolívar nesta quinta-feira, às 21h30, no Estádio Hernando Siles, precisando pontuar para manter as pretensões de liderança no Grupo E. A estratégia de Tite será testada contra um dos ambientes mais hostis do futebol sul-americano.