"Zagueiro que dá assistência não está defendendo bem." A frase é velha no futebol brasileiro, repetida em estádios e programas de mesa redonda. Gabriel Hernán Rojas está tratando de desmentir esse axioma com dados concretos.

Onde ele está no jogo global

Aos 29 anos — completados em 22 de junho de 2026 —, o zagueiro brasileiro defende o Racing Club no Brasileirão Série A usando a camisa 27. Sua presença na competição nacional mais disputada do calendário sul-americano coloca Rojas num ambiente de alta exigência técnica e física, onde a média de qualidade defensiva cresce a cada janela de transferências.

Com 178 cm de altura e 68 kg, Rojas não é o zagueiro de porte avantajado que domina o jogo aéreo por imposição física. Seu diferencial precisa estar em outro lugar — e os números da temporada 2026 indicam que está na capacidade de iniciar jogadas e conectar a defesa ao meio-campo.

O que os números dizem na comparação

Na temporada atual, Rojas acumula oito jogos disputados, 966 minutos em campo, zero gols e três assistências. Para um zagueiro, esse índice de participação ofensiva é estatisticamente fora da curva. A média de assistências por 90 minutos calculada a partir desses dados chega a aproximadamente 0,28 — um número que rivaliza com meias de construção em muitas equipes da Série A.

A título de comparação contextual, a maioria dos zagueiros titulares no Brasileirão encerra temporadas inteiras com zero ou uma assistência. Três assistências em apenas oito partidas posiciona Rojas num grupo bastante restrito de defensores com real contribuição no último terço do campo.

Dois cartões amarelos em 966 minutos representam uma média de advertências controlada, sem cartão vermelho — o que sugere equilíbrio entre agressividade e disciplina tática.

Resumo estatístico — temporada 2026

  • Jogos: 8
  • Minutos jogados: 966
  • Gols: 0
  • Assistências: 3
  • Cartões amarelos: 2
  • Cartões vermelhos: 0

Onde ele se distingue dos rivais

O perfil físico de Rojas — 178 cm, 68 kg — é atípico para a posição no futebol brasileiro, onde zagueiros de 185 cm ou mais são a norma. Clubes da Série A tendem a priorizar defensores com vantagem aérea em duelos de bola parada, tanto ofensivos quanto defensivos.

Rojas, portanto, precisa compensar com velocidade de leitura de jogo, posicionamento e, como os dados desta temporada sugerem, com qualidade no passe para transição. Três assistências indicam que o jogador participa ativamente da construção ofensiva — provavelmente com lançamentos longos, saídas de bola precisas ou cruzamentos de fora da área em bolas paradas.

Conforme registrado pelo SportNavo, o perfil de zagueiro-construtor tem ganhado espaço no futebol sul-americano à medida que técnicos adotam linhas de três ou saídas de bola estruturadas desde a defesa. Rojas se encaixa nessa tendência com mais naturalidade do que defensores de perfil exclusivamente marcador.

A trajetória que aponta o teto

Nascido em 1997, Rojas chegou aos 29 anos numa janela de carreira que costuma ser decisiva para zagueiros brasileiros: velhos o suficiente para terem solidez tática, jovens o suficiente para ainda valorizarem no mercado. É a faixa etária em que clubes europeus de médio porte e equipes sul-americanas de maior orçamento costumam buscar reforços defensivos com experiência comprovada em competições de alto nível.

O fato de estar no Racing Club, clube que disputa a Série A do Brasileirão, mantém Rojas na vitrine nacional. A Série A é monitorada por scouts de ligas sul-americanas e, em menor escala, por representantes europeus que acompanham o mercado brasileiro em busca de atletas com passaporte comunitário ou perfil de custo-benefício favorável.

Os próximos 12 meses serão determinantes. Se Rojas mantiver a produção ofensiva e a regularidade nos jogos restantes da temporada 2026, seu valor de mercado tende a subir dentro do contexto da Série A — especialmente porque zagueiros com capacidade real de assistência são escassos e, por isso, mais caros em negociações. Contratos para defensores nessa faixa etária e com esse perfil no Brasil giram tipicamente entre R$ 80 mil e R$ 200 mil mensais, dependendo do clube e da exposição competitiva.

A pergunta que o mercado vai responder até o fim de 2026 é direta: Rojas consegue sustentar três assistências em oito jogos ao longo de uma temporada completa? Se sim, o número que define sua próxima negociação não será o da altura — será o 0,28 de assistências por 90 minutos.