O embate público entre a família de Gabriel Barbosa e a diretoria do Flamengo ganhou novos contornos após as declarações do ex-presidente Rodolfo Landim sobre o atacante. O pai de Gabigol reagiu às afirmações de que o jogador perdeu a condição de "referência" no clube, atribuindo a situação à falta de cumprimento de promessas por parte da antiga gestão.

Landim havia declarado que Gabigol "não é mais referência" no Flamengo, comentário que gerou reação imediata da família do atacante. A situação ganha contornos mais complexos quando analisada sob a perspectiva dos contratos e movimentações financeiras que envolvem não apenas Gabriel, mas outros jogadores como Gerson e Allan, todos em conflito direto ou indireto com a estrutura rubro-negra.

Números revelam queda de protagonismo

A análise dos dados de Gabriel Barbosa na atual temporada sustenta parcialmente as declarações de Landim. O atacante, que historicamente mantinha médias superiores a 0,6 gol por jogo em suas melhores fases no clube, apresenta números abaixo do esperado em 2024. Sua participação em gols decisivos também diminuiu significativamente comparado aos períodos de 2019-2020 e 2021-2022.

A situação contratual de Gabriel revela outro aspecto da crise. Com vencimento em dezembro de 2024, o atacante negocia renovação há meses sem avanços concretos. Fontes próximas às negociações indicam que as exigências salariais do jogador, estimadas em R$ 2 milhões mensais, esbarram na política de redução de custos implementada pela nova gestão.

Batalhas judiciais expõem gestão conturbada

O caso de Gerson adiciona camadas ao cenário de instabilidade. O meio-campista acusa o Flamengo de calote de R$ 6,3 milhões, alegando que contratos foram estruturados para "driblar encargos e burlar a lei". A batalha judicial em andamento na Justiça revela práticas contratuais questionáveis que podem afetar outros jogadores do elenco.

"Se honrasse a palavra", disparou o pai de Gabigol em resposta às declarações de Landim, indicando que promessas não cumpridas pela gestão anterior são o cerne do conflito.

Allan, agora no Corinthians, também protagoniza polêmica envolvendo o Flamengo. Sua expulsão por gesto obsceno no Maracanã resultou em punição do clube paulista, que debate internamente o formato das sanções com impacto salarial. O departamento jurídico corintiano analisa a aplicação de multa que pode chegar a 30% do salário mensal do volante.

Cenários para resolução dos conflitos

A renovação de Gabriel depende de concessões mútuas que parecem improváveis no cenário atual. A diretoria trabalha com teto salarial de R$ 1,2 milhão para renovações, valor distante das pretensões do atacante. Clubes do exterior, especialmente da Arábia Saudita e Estados Unidos, monitoram a situação com propostas que podem superar R$ 3 milhões mensais.

O desgaste na relação entre Gabriel e a cúpula rubro-negra também afeta o ambiente interno. Companheiros de elenco relatam clima tenso nos treinamentos, com o atacante demonstrando irritação constante. A comissão técnica de Tite trabalha para isolar as questões contratuais do rendimento em campo, tarefa que se torna mais difícil a cada declaração pública.

O Flamengo retorna aos gramados nesta quinta-feira contra o Athletico-PR, no Maracanã, em partida que pode definir novos rumos na relação entre Gabriel e a torcida, especialmente se o atacante não corresponder às expectativas em mais um jogo decisivo.