A Itália consolidou um dos maiores vexames da história do futebol mundial ao confirmar sua ausência na Copa do Mundo de 2026. Pela terceira edição consecutiva, a seleção tetracampeã ficará fora do torneio mais importante do planeta, quebrando um jejum que remonta a 1934. Nos últimos 90 anos, apenas entre 1930 e 1934 os azzurri estiveram ausentes de uma Copa do Mundo por dois ciclos seguidos.
O abismo entre glória e decadência
Em 9 de julho de 2006, no estádio Olímpico de Berlim, a Itália conquistou seu quarto título mundial ao derrotar a França por 5 a 3 nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar. Fabio Grosso converteu a cobrança decisiva, coroando uma campanha impecável comandada por Marcello Lippi. A seleção italiana havia superado Austrália (1 a 0), Ucrânia (3 a 0) e Alemanha (2 a 0) no mata-mata, demonstrando solidez defensiva e eficiência ofensiva.
Dezoito anos depois, o cenário é radicalmente oposto. A eliminação nas eliminatórias europeias para 2026 representa o terceiro fracasso consecutivo, após as ausências nas Copas da Rússia (2018) e do Catar (2022). Em 2017, a Azzurra perdeu a repescagem para a Suécia por 1 a 0 no agregado. Cinco anos mais tarde, foi superada pela Macedônia do Norte por 1 a 0 em Palermo, resultado que causou espanto mundial.
Números que expõem a crise estrutural
A análise estatística revela a dimensão da queda italiana. Entre 1934 e 2014, a seleção participou de 18 das 20 Copas do Mundo disputadas, chegando a seis finais e conquistando quatro títulos (1934, 1938, 1982 e 2006). O aproveitamento nas fases classificatórias era exemplar: desde 1958, apenas em duas ocasiões precisou da repescagem antes do atual ciclo de fracassos.
A geração campeã em 2006 apresentava média de idade de 28,7 anos, combinando experiência e maturidade tática. Francesco Totti (29 anos), Andrea Pirlo (27), Gennaro Gattuso (28) e Fabio Cannavaro (32) formavam o núcleo técnico sob comando de Lippi. Atualmente, a seleção carece de lideranças consolidadas e sofre com a falta de renovação no sistema de base.
"Além do vexame de se tornar a primeira tetracampeã a ficar fora de três Copas do Mundo seguidas, a Itália sofre rombo milionário com a eliminação", conforme reportado pela imprensa especializada.
Falhas no processo de transição
O período pós-2006 foi marcado por decisões equivocadas na gestão da seleção. Após a saída de Lippi, a Federação Italiana (FIGC) promoveu cinco mudanças de comando técnico entre 2010 e 2018: Cesare Prandelli, Antonio Conte, Giampiero Ventura, Roberto Mancini e Luciano Spalletti. A instabilidade impediu a implementação de um projeto consistente de médio prazo.
Roberto Mancini conseguiu resultados pontuais, como a conquista da Eurocopa 2021 ao vencer a Inglaterra por 3 a 2 nos pênaltis em Wembley. Contudo, sua saída abrupta em agosto de 2023 para assumir a seleção saudita evidenciou a falta de planejamento institucional. Spalletti herdou um grupo em transição, sem tempo hábil para implementar sua filosofia de jogo.

A crise se estende ao futebol doméstico. A Serie A perdeu competitividade internacional nas últimas duas décadas, com clubes italianos conquistando apenas duas Champions League desde 2007 (Milan em 2007 e Inter em 2010). A formação de talentos locais foi negligenciada em favor de contratações estrangeiras, reduzindo o pool de jogadores disponíveis para a seleção nacional.
Impacto financeiro e institucional
A ausência na Copa de 2026 representa prejuízo estimado em 300 milhões de euros para a FIGC, considerando receitas de patrocínio, direitos de transmissão e premiação da FIFA. A marca da seleção italiana, tradicionalmente valorizada no mercado global, sofre desvalorização significativa com três eliminações consecutivas.
"Vergonha e tragédia foram as palavras mais utilizadas pela imprensa mundial para descrever o novo vexame da Itália nas eliminatórias", segundo veículos especializados.
A reestruturação necessária passa pela reformulação do sistema de base, investimento em centros de treinamento e mudança na mentalidade tática. O modelo alemão pós-2004, que resultou no título mundial de 2014, serve como referência para a reconstrução italiana. A próxima Copa será em território americano expandido, com 48 seleções, oferecendo maior número de vagas europeias que podem beneficiar a Azzurra na retomada.
A Itália volta a campo em março de 2025 para a Liga das Nações da UEFA, competição que pode servir como laboratório para Spalletti implementar seu projeto de renovação com vistas às eliminatórias para a Copa de 2030.

