O empate sem gols entre Coritiba e Fluminense, neste sábado (4), no Couto Pereira, expôs mais que uma atuação apática do time carioca na 10ª rodada do Brasileirão. A insatisfação explícita de John Kennedy ao começar no banco revelou um problema estrutural: o Fluminense desenvolveu uma dependência preocupante do atacante de 22 anos, contratado por R$ 18 milhões junto ao Vasco em janeiro de 2025.
Os números revelam a dependência
Uma análise detalhada dos 28 jogos do Fluminense na temporada 2026 mostra dados alarmantes sobre o impacto de John Kennedy. Quando o atacante inicia como titular, o aproveitamento tricolor salta para 68%, com média de 2,1 gols por partida e 58% de posse de bola. Nos seis jogos em que começou no banco, como contra o Coritiba, essa média despenca para apenas 33% de aproveitamento, 0,8 gols marcados e 51% de posse.
O técnico Marcelo Oliveira optou por preservar Kennedy após uma sequência de quatro jogos consecutivos, considerando que o atacante acumula 2.340 minutos em campo nesta temporada - o maior número entre os jogadores de linha do elenco. A decisão, no entanto, custou caro: sem seu principal finalizador, o Fluminense registrou apenas duas finalizações certas em 90 minutos no Paraná.
Fontes próximas ao departamento médico revelaram que Kennedy apresentou fadiga muscular após o clássico contra o Botafogo, na rodada anterior. O contrato do atacante, válido até dezembro de 2029, inclui cláusula de proteção por sobrecarga física, estabelecendo limite de 65 jogos por temporada - meta que pode ser ultrapassada se o Fluminense avançar na Copa do Brasil.
O sistema tático em xeque
A ausência de Kennedy expôs as limitações do esquema 4-2-3-1 adotado por Marcelo Oliveira desde março. O atacante não apenas finaliza - suas 16 assistências em 2026 representam 34% de todos os passes decisivos do time. Contra o Coritiba, Germán Cano assumiu a função de referência, mas registrou apenas 19 toques na bola, o menor número entre os titulares.
A situação gerou tensão no vestiário. Kennedy chegou a questionar publicamente a rotação, segundo relatos de bastidores, argumentando que sua forma física permite sequência de jogos. O empresário do atacante, Ricardo Alves, confirmou conversas com a diretoria sobre o planejamento de minutagem até dezembro.
"Não entendo por que me tiraram do time principal. Estou em grande fase e quero ajudar o Fluminense a conquistar seus objetivos", teria dito Kennedy após o empate, segundo fontes próximas ao jogador.
Mercado atento à situação
O desempenho irregular do Fluminense sem Kennedy chamou atenção de clubes europeus. Scouts do Brighton, da Premier League, acompanharam três dos últimos cinco jogos do atacante, avaliando um possível investimento de €12 milhões. A cláusula de rescisão, fixada em €25 milhões, pode ser acionada apenas no meio de 2027.
Internamente, a diretoria tricolor reconhece a necessidade de encontrar alternativas táticas. O presidente Mário Bittencourt autorizou investimentos de até R$ 8 milhões para contratar um centroavante reserva na janela de julho, visando reduzir a pressão sobre Kennedy e permitir maior flexibilidade no sistema de jogo.
A situação representa um dilema clássico do futebol brasileiro: como equilibrar a dependência de um jogador decisivo com a sustentabilidade física e tática da equipe. Com 38 pontos em 28 jogos, o Fluminense ocupa a 8ª posição, mas os números indicam que sem Kennedy em campo, a briga por classificação à Libertadores pode ficar comprometida.
O próximo teste será na quarta-feira (8), contra o Internacional, no Maracanã. Marcelo Oliveira já confirmou o retorno de Kennedy ao time titular, mas a questão de fundo permanece: até quando o Fluminense pode sustentar essa dependência sem prejudicar seu planejamento de longo prazo.

