Um caçador que já abateu três presas raras, parado diante da única que ainda escapou. Jon Rahm chega à rodada final do PGA Championship em Aronimink, na Pensilvânia, compartilhando a liderança com -4 — e com o peso de uma conta aberta que a Espanha carrega desde sempre no golfe.
O Grand Slam que a Espanha nunca fechou
A frase de impacto é simples: nenhum espanhol jamais levantou a Jarra Wanamaker. Seve Ballesteros venceu três Opens Britânicos e dois Masters. José María Olazábal conquistou Augusta duas vezes. Sergio García, o mais próximo, terminou em segundo lugar no PGA Championship em 1999 e novamente em 2008. Jon Rahm chegou mais longe do que qualquer compatriota: US Open em 2021, Masters de Augusta em 2023 e Open Britânico em 2024 — três majors em quatro anos. O único que falta é exatamente o que está sendo disputado agora.
O próprio Rahm reconheceu a ironia histórica antes do torneio começar:
"Estatisticamente, por alguma razão, é nossa pior atuação em todos os majors", disse o basco na coletiva de imprensa prévia ao torneio. "Sería maravilloso completar el Grand Slam. Poder unirlo todo con los grandes del pasado en España... estaré peleando por ello."
Aronimink exige o que Rahm tem de melhor
O campo do Aronimink Golf Club, em Newton Square, nos arredores de Filadélfia, não perdoa imprecisão. Com fairways estreitos e greens rápidos, o layout pune qualquer bola mal posicionada na calle — e é exatamente esse tipo de exigência que diferencia os majors que Rahm venceu dos que ele deixou escapar. Em Torrey Pines, no US Open de 2021, sua precisão de aproximação foi decisiva. Em Augusta, no Masters de 2023, sua capacidade de leitura de greens rápidos foi o fator determinante. Aronimink combina os dois desafios.
Na segunda rodada desta sexta-feira, Rahm assinou um par lutado, mantendo-se em -1 no dia para chegar ao total de -4 — placar que o coloca na liderança ao lado dos americanos Alex Smalley e Maverick McNealy, segundo apuração do SportNavo a partir dos dados oficiais do torneio. Seu compatriota David Puig também se destacou, com quatro birdies na segunda rodada para chegar a -2 no total, mostrando que a delegação espanhola tem dois nomes competindo na parte de cima do leaderboard.

Os coadjuvantes que tornam o domingo imprevisível
Rahm não estará sozinho na perseguição ao título. Scottie Scheffler chega a Aronimink como campeão defensor — venceu o PGA Championship no ano passado — e mesmo com uma temporada irregular em 2026 elevou seu nível em Augusta, terminando na terceira posição no Masters de abril. Rory McIlroy, que em abril conquistou seu segundo Masters consecutivo, é dono de dois títulos no PGA Championship: o de 2012 em Kiawah Island, com oito golpes de vantagem — a maior margem da história do torneio — e o de 2014 em Valhalla. O norte-irlandês tem sido um dos críticos mais contundentes da saída de Rahm para o LIV Golf em 2023, o que adiciona uma camada extra de tensão ao confronto de domingo.
A presença de Rahm no LIV é, aliás, parte do contexto que torna sua caçada ao Grand Slam ainda mais singular. Ele abriu mão da regularidade no circuito PGA para jogar no projeto saudita — e ainda assim, nos majors abertos a jogadores de ambos os circuitos, continua sendo protagonista. O Open Britânico de 2024 foi sua prova mais recente disso.
A rodada final do PGA Championship começa neste domingo, 17 de maio, em Aronimink. Rahm sai empatado na liderança com -4, a quatro rodadas de completar o único Grande que falta para transformar a Espanha no primeiro país europeu a deter todos os quatro majors da era moderna através de um único golfista. É o mesmo cenário que Sergio García viveu em 1999 — só que agora a aposta é diferente.









