O Maracanã ainda ecoava os gritos de dor de Everton Cebolinha quando Leonardo Jardim percebeu que perdera não apenas um jogador, mas talvez também uma oportunidade. Desde sua chegada ao Flamengo em dezembro de 2024, o técnico português havia escalado o camisa 11 como titular em apenas uma ocasião, sinalizando uma relação ainda em construção entre o atacante gaúcho e o novo projeto tático rubro-negro.

A hesitação tática de Leonardo Jardim

Os números revelam uma história de cautela. Em suas primeiras semanas no comando do Flamengo, Leonardo Jardim utilizou Cebolinha como titular em somente um dos jogos disputados, preferindo apostar na versatilidade de Luiz Araújo e na experiência de Everton Ribeiro para compor seu sistema ofensivo. A escolha não surpreende quem acompanhou a trajetória do português no futebol europeu, onde sempre priorizou jogadores que dominassem múltiplas funções dentro de campo.

A lesão muscular que afastou Cebolinha dos gramados por tempo indeterminado ocorreu justamente no momento em que o técnico começava a desenhar com mais clareza seu esquema tático. O atacante, que custou 13,5 milhões de euros ao Flamengo em 2022, vinha sendo testado em diferentes posições durante os treinamentos na Gávea, numa tentativa de encontrar seu espaço no novo modelo de jogo implementado pelo comandante luso.

O legado europeu influencia as escolhas no Rio

Leonardo Jardim trouxe para o Flamengo os conceitos que o consagraram no Monaco, onde conquistou o título francês em 2017 quebrando a hegemonia do PSG. Seu sistema privilegia jogadores com mobilidade tática, capazes de alternar entre diferentes setores do campo conforme as necessidades do jogo. Neste contexto, Cebolinha precisaria demonstrar adaptabilidade que vai além de sua reconhecida habilidade individual.

A filosofia do técnico português sempre se baseou na premissa de que cada jogador deve compreender pelo menos duas funções dentro de campo. Durante sua passagem pelo Monaco entre 2014 e 2019, Jardim transformou atacantes como Thomas Lemar e Bernardo Silva em peças multifuncionais, estratégia que pretende replicar no futebol brasileiro com nomes como Luiz Araújo e Everton Ribeiro.

Alternativas ganham espaço na ausência do camisa 11

Com Cebolinha fora de combate, Leonardo Jardim intensificou os trabalhos com Luiz Araújo, que tem demonstrado maior facilidade para assimilar as movimentações exigidas pelo novo sistema tático. O atacante brasileiro, contratado junto ao Lille em 2023, possui características que se alinham melhor ao perfil desejado pelo técnico português: velocidade, capacidade de jogar pelos dois lados do campo e facilidade para buscar espaços entre as linhas adversárias.

Everton Ribeiro, por sua vez, tem sido utilizado em uma função mais centralizada, aproveitando sua visão de jogo e experiência para conectar os setores ofensivo e defensivo. O meia-atacante carioca, aos 35 anos, encontrou no esquema de Jardim uma maneira de prolongar sua relevância no futebol de alto nível, adaptando-se às exigências físicas através do posicionamento inteligente.

O futuro incerto de Cebolinha no projeto Jardim

A lesão de Cebolinha coincide com um período de definições importantes no planejamento do Flamengo para 2025. O clube investe pesadamente na modernização de seu centro de treinamento e na contratação de profissionais especializados, buscando criar condições ideais para que Leonardo Jardim implemente sua metodologia de trabalho sem interferências externas.

A hesitação tática de Leonardo Jardim Leonardo Jardim encontra em Cebolinha le
A hesitação tática de Leonardo Jardim Leonardo Jardim encontra em Cebolinha le

Quando retornar aos gramados, previsto para acontecer entre 4 a 6 semanas, Cebolinha encontrará um cenário diferente daquele que deixou ao se machucar. Os companheiros de posição terão tido tempo adicional para assimilar os conceitos táticos do técnico português, criando uma concorrência interna que pode ser determinante para seu futuro no clube carioca.

O Flamengo entra em campo novamente no próximo domingo, enfrentando o Bangu pelo Campeonato Carioca, no Maracanã. Leonardo Jardim terá nova oportunidade de testar suas alternativas ofensivas, enquanto Cebolinha inicia sua recuperação na esperança de reconquistar espaço num projeto que ainda não o abraçou completamente.