Não, Kevin Viveros não é apenas o homem de apoio nesse Athletico-PR que vem se consolidando na tabela do Brasileirão 2026. O colombiano é o arquiteto silencioso de um sistema que o técnico atleticano montou para explorar justamente os espaços que o Internacional costuma deixar nas transições — e foi exatamente esse padrão que destruiu o time gaúcho na Arena de Baixada neste sábado, 25 de julho. O Athletico venceu por 2 a 0, com gols de Leozinho, aos 45 minutos do primeiro tempo, e do próprio Viveros, aos 60 da etapa final. A pergunta que fica não é quem marcou, mas como o Inter permitiu que isso acontecesse duas vezes no mesmo jogo.
O começo eufórico (ou tenso)
A Arena de Baixada estava carregada desde o apito inicial — e o Internacional entrou no campo como quem subestimou o peso do ambiente.
O primeiro tempo foi um exercício de compressão. O Athletico apostou num bloco médio compacto, com saída rápida em transição, enquanto o Inter tentava construir pelo centro sem conseguir romper as linhas atleticanas. A movimentação de Viveros entre as linhas foi constante — o colombiano funcionou como pivô de ligação entre o meio-campo e o ataque, criando superioridades numéricas nos bolsões laterais. Essa dinâmica gerou o gol que fechou o primeiro tempo.
Aos 45 minutos, Viveros recebeu pelo lado direito, conduziu dois passos para dentro e encontrou Leozinho em diagonal, numa jogada que explorou o espaço entre o lateral e o zagueiro do Inter. O chute de pé direito foi colocado, sem chance para o goleiro. O gol foi tecnicamente simples, mas tático na essência — resultado de uma combinação ensaiada que o Inter não conseguiu antecipar. O placar de 1 a 0 no intervalo era justo pelo que se viu.

O meio que decidiu o tom
Quinze minutos do segundo tempo bastaram para o Athletico transformar vantagem em sentença.
O Internacional voltou do intervalo com ajustes visíveis na saída de bola, tentando dar mais amplitude ao jogo. Mas o Athletico respondeu com velocidade antes que qualquer correção surtisse efeito. Aos 60 minutos, em jogada que nasceu de recuperação no meio-campo atleticano, a bola chegou rapidamente a Viveros, que desta vez não distribuiu — finalizou. O gol do colombiano foi de campo aberto, num momento em que a defesa do Inter ainda estava se reposicionando após a transição. Dois a zero, e o jogo estava encerrado como disputa.
Aqui reside um dado que contextualiza a superioridade atleticana além do olho nu. O xG — Expected Goals, métrica que calcula a probabilidade de cada chance virar gol com base em ângulo, distância e contexto da jogada — do Athletico no segundo tempo superou 1.4, enquanto o Inter não chegou a 0.3. Em linguagem direta para quem não acompanha estatísticas avançadas: o Athletico criou chances de altíssima qualidade, e o Inter praticamente não criou nada que assustasse. A diferença no placar refletiu a diferença nas oportunidades reais de gol, não apenas na eficiência dos atacantes.
O final que mudou tudo
Com dois gols de vantagem, o Athletico administrou o jogo como quem conhece o valor dos três pontos na metade da tabela.
Os últimos trinta minutos foram de controle atleticano. O técnico do Athletico optou por substituições que reforçaram a organização defensiva e reduziram os espaços para o Inter tentar a reação. O time gaúcho, por sua vez, não encontrou soluções táticas para furar o bloco baixo atleticano — faltou criatividade nas trocas de passes e objetividade nas finalizações. O placar de 2 a 0 se manteve sem sustos, e a Arena de Baixada encerrou a noite em festa.
Conforme apurado em matéria do SportNavo, o Athletico vem investindo na montagem de um elenco com foco em jogadores de alto rendimento em transições rápidas — Viveros, contratado no início de 2026 por valores que giram em torno de 4 milhões de euros, é o exemplo mais claro dessa política. O colombiano já soma contribuições diretas em gols nesta temporada, consolidando-se como um dos melhores custo-benefício do Brasileirão 2026. O Internacional, por outro lado, atravessa um momento de instabilidade que vai além do campo — as movimentações na diretoria gaúcha nos últimos meses indicam que o clube ainda busca um padrão de jogo que convença.
O que cada torcida levou para casa
O resultado da Baixada não é apenas três pontos — é um recado sobre trajetórias opostas no Brasileirão 2026.
Para o Athletico-PR, a vitória por 2 a 0 na 20ª rodada representa consolidação. O time paranaense soma pontos que o mantêm na parte de cima da tabela, e a dupla Leozinho-Viveros começa a ganhar consistência como referência ofensiva. A próxima rodada, fora de casa, será o teste real para saber se esse Athletico tem fôlego para sustentar a posição durante o segundo turno.
Para o Internacional, a derrota acende alertas que vão além do resultado isolado. O time gaúcho perdeu para um adversário direto na tabela, sem criar chances reais de gol, e sem apresentar reação tática convincente no segundo tempo. Com a sequência do Brasileirão 2026 entrando em fase decisiva, o Inter precisará de respostas rápidas — tanto no campo quanto nos bastidores — para evitar que a distância para o G-6 se torne irreversível nas próximas rodadas.










