Sessenta e seis gols. Esse número, marcado de cabeça aos 31 minutos do segundo tempo no Brinco de Ouro, em Campinas, foi suficiente para Luciano ultrapassar Rogério Ceni e se tornar o terceiro maior artilheiro do São Paulo na história do Campeonato Brasileiro. A vitória por 1 a 0 sobre o Mirassol, neste sábado (25/4), pela 13ª rodada do Brasileirão, carregou peso duplo: três pontos que mantiveram o Tricolor no G-4 com 23 pontos e um feito estatístico que coloca o camisa 10 em companhia seleta de lendas do clube.
O gol que entrou para a história
O Tricolor dominou os primeiros 45 minutos no Brinco de Ouro — estádio utilizado enquanto o MorumBis está indisponível por conta do show de The Weeknd — com 13 finalizações, mas chegou ao intervalo sem marcar. Artur e Calleri desperdiçaram as melhores oportunidades. Na etapa final, o Mirassol chegou a assustar: Alesson balançou as redes aos 39 do primeiro tempo, mas o gol foi anulado por impedimento, e André Luis, aos 16 do segundo, desperdiçou um gol feito ao chutar para fora em posição de frente para Rafael. A pressão da torcida sobre Roger Machado aumentava nas arquibancadas quando Wendell buscou a linha de fundo e cruzou na medida certa. Luciano subiu acima da defesa e cabeceou sem chances para o goleiro Walter: 1 a 0. O Mirassol ainda teve uma última chance com Tiquinho Soares, que tentou um carrinho e chutou por cima.

Os números que reescrevem o ranking histórico
O gol desta noite foi o 66º de Luciano pelo São Paulo em Campeonatos Brasileiros, superando os 65 de Rogério Ceni. O levantamento realizado pelo SportNavo mostra a dimensão dessa marca: à frente de Luciano estão apenas Luis Fabiano, com 83 gols, e Serginho Chulapa, que lidera com 108 tentos na história da competição nacional. No recorte dos pontos corridos — formato vigente desde 2006 —, Chulapa não aparece na lista por não ter disputado o torneio nesse modelo, o que coloca Luciano e Luis Fabiano como o top 2 da era moderna, com Ceni na terceira posição. O ranking histórico completo ainda contempla Careca, com 54 gols, e Müller, com 48. Na lista moderna, Calleri (46) e Dagoberto (35) completam o top 5. O gol desta noite foi ainda o quarto de Luciano nos últimos quatro jogos e o oitavo na temporada.
A reação de Luciano e o recado ao técnico
O atacante revelou que soube da marca histórica apenas após o apito final, quando a assessoria de comunicação do clube o informou nos corredores do Brinco de Ouro. A humildade da resposta contrastou com a dimensão do feito.
"Fiquei sabendo agora. A assessoria me falou. Fico muito feliz, estou atingindo grandes marcas, espero que não pare por aí. São grandes ídolos do São Paulo, que nem dá para me comparar, mas fico muito feliz com o meu trabalho", disse Luciano à imprensa.
O abraço caloroso dado a Roger Machado imediatamente após o gol também teve explicação direta do camisa 10, num contexto em que o técnico chegou ao Brinco de Ouro sob vaias — repetindo o cenário da semana anterior, quando a torcida o hostilizou no Morumbis após a vitória magra por 1 a 0 sobre o Juventude pela Copa do Brasil.
"Tanto no Roger quanto no Wendell, que é um grande jogador. Foi um gol do alívio mesmo. Precisamos cada vez mais ganhar jogos e passar confiança para o torcedor. O abraço foi para dizer que estamos juntos com o treinador. Quando as coisas estão ruins, meu nome é o primeiro a aparecer para derrubar o treinador. Estou tentando ajudar da melhor maneira possível", declarou o atacante ao SporTV.
O que a marca representa no contexto institucional
Superar Rogério Ceni numa lista de artilharia tem peso simbólico desproporcional ao número em si. O ex-goleiro, maior ídolo da história do clube com três títulos do Brasileirão como jogador, marcou seus 65 gols ao longo de quase duas décadas de carreira no São Paulo. Luciano, contratado em 2020, chegou a esse patamar em seis temporadas — ritmo que, conforme análise do SportNavo, coloca a perseguição ao segundo lugar, Luis Fabiano (83 gols), como uma possibilidade concreta nos próximos dois a três anos caso o atacante mantenha a média atual. A vitória sobre o Mirassol também encerrou uma sequência de duas derrotas seguidas no Brasileirão para o Tricolor, que retorna ao G-4 com 23 pontos — mesma pontuação de Flamengo e Fluminense, que ainda jogavam na rodada. Roger Machado, cuja permanência no cargo havia sido questionada pela própria diretoria do clube após as vaias, ganha fôlego para trabalhar.
O São Paulo volta a campo na terça-feira (28), às 21h30 (horário de Brasília), para enfrentar o Millonarios no estádio Nemesio Camacho El Campín, em Bogotá, pela Copa Sul-Americana — competição em que qualquer tropeço pode complicar a classificação do Tricolor ainda na fase de grupos.









