Dez jogadores em campo, adversário pressionando e 29 minutos ainda a cumprir no segundo tempo. Foi nesse cenário adverso que o Mirassol respondeu com seu gol mais importante da noite: o 2 a 0 de Alesson, aos 34 minutos, que encerrou qualquer dúvida sobre o resultado contra o Always Ready e manteve o estádio José Maria de Campos Maia — o Maião — como a maior arma do clube na Conmebol Libertadores. Dois jogos em casa, dois triunfos, quatro gols marcados e nenhum sofrido.
A fortaleza do Maião
O aproveitamento de 100% como mandante na fase de grupos não é coincidência — é construção. Sob o comando do técnico Rafael Guanaes, o Mirassol apresenta uma identidade clara no estádio de Mirassol: pressão alta nos primeiros minutos e domínio territorial que sufoca visitantes. Contra os bolivianos do Always Ready, o padrão se repetiu: aos 10 minutos, após sequência de escanteios e pressão na área, Alesson cruzou rasteiro e Eduardo finalizou entre os defensores para abrir o marcador, com o lance confirmado pelo VAR.
Na análise do SportNavo, o diferencial do Mirassol como mandante está na capacidade de ditar o ritmo da partida desde o apito inicial — algo que a equipe não conseguiu reproduzir com a mesma consistência fora de casa, onde acumula resultado negativo frente à LDU Quito. O Maião, com sua atmosfera compacta e torcida próxima ao campo, amplifica essa característica tática do time de Guanaes.
A tática que sobreviveu à expulsão
O ponto de inflexão da partida ocorreu aos 29 minutos do segundo tempo, quando o zagueiro João Victor cometeu falta dura em Jesús Maraude e recebeu cartão vermelho direto do árbitro colombiano. O mesmo João Victor que entrou para a história ao marcar o primeiro gol do Mirassol na Libertadores viu-se como protagonista negativo — mas sua ausência não desequilibrou o resultado.
Cinco minutos depois, Carlos Eduardo fez jogada individual pela direita, driblou o marcador e rolou para Alesson, que finalizou rasteiro e anotou o segundo gol da partida. A resposta com um a menos foi imediata e revelou maturidade de um elenco que sabia que o Always Ready oferecia pouco perigo real: em todo o jogo, os bolivianos chegaram com relevância ao gol apenas em um chute de Saucedo que triscou a trave e em uma defesa de Walter em finalização de Maraude.

"A força do Mirassol jogando em casa: mais três pontos pro Leão na Conmebol Libertadores", destacou a própria Conmebol em publicação oficial nas redes sociais após o apito final.
Grupo G virou um quebra-cabeça de seis pontos
A vitória por 2 a 0 colocou o Mirassol em um grupo completamente embolado: LDU Quito, Mirassol e Lanús têm exatamente seis pontos cada após três rodadas. O critério de desempate atual coloca os equatorianos na liderança — eles venceram o confronto direto com o Mirassol. O Leão aparece em segundo, à frente do Lanús por ter vencido os argentinos diretamente. O Always Ready, por sua vez, ainda não somou nenhum ponto e praticamente já se despediu da competição.
A posição atual do Mirassol, o segundo lugar, garante vaga nos playoffs da Copa Sul-Americana, mas o objetivo declarado do clube é o mata-mata da própria Libertadores — meta que exige ao menos uma vitória nos três jogos restantes. A boa notícia é que o próximo confronto pela competição continental ocorre no Maião, diante da LDU Quito, na quinta-feira da semana seguinte — exatamente o time que lidera o grupo e que derrotou o Leão fora de casa.
A dupla jornada que define a semana do Leão
Antes de pensar na LDU, o Mirassol tem compromisso urgente no Campeonato Brasileiro: o Corinthians visita o Maião no domingo, às 20h30, pela 14ª rodada. O contexto no torneio nacional é delicado — o clube soma apenas nove pontos, cinco a menos que o Internacional, 16º colocado, e figura dentro da zona de rebaixamento.
Na avaliação do SportNavo, a dupla jornada da semana expõe a contradição do momento do clube: invicto em casa na Libertadores, pressionado no Brasileiro. O Maião que é fortaleza continental precisará ser igualmente eficiente contra os rivais domésticos para que o Mirassol não pague um preço caro na tabela da Série A enquanto constrói sua história na Copa mais importante da América do Sul. O jogo contra o Corinthians, no domingo, é o primeiro teste desse equilíbrio necessário.









