Cinquenta e cinco gols. Esse é o número que separa Memphis Depay de qualquer outro jogador que já vestiu a camisa laranja da Holanda. O atacante do Corinthians chega à Copa do Mundo de 2026 como o maior artilheiro da história da seleção neerlandesa — um título que carrega peso histórico considerável num país que disputou três finais de Copa do Mundo (1974, 1978 e 2010) sem jamais erguer o troféu. Agora com 32 anos, nascido em 13 de fevereiro de 1994, Depay protagonizará sua terceira participação num Mundial, e nenhuma das outras duas o colocou tão claramente no centro das expectativas.
Uma trajetória construída em três Copas
A estreia de Memphis em Copas do Mundo aconteceu no Brasil, em 2014, quando o atacante tinha apenas 20 anos e jogava pelo PSV Eindhoven. Naquela campanha histórica, a Holanda de Louis van Gaal terminou em terceiro lugar, eliminada pela Argentina nas semifinais, nos pênaltis — derrota que ecoou dolorosamente num país obcecado com o título que escapou em 1974 diante da Alemanha. Memphis disputou quatro jogos, marcou dois gols e distribuiu uma assistência, tornando-se uma das revelações do torneio. A Copa de 2018 a Holanda nem disputou, ficando de fora pela primeira vez desde 2002 após fracasso nas Eliminatórias europeias.
Em 2022, no Catar, Memphis retornou ao Mundial já como capitão e principal referência ofensiva da seleção. Foram cinco jogos e apenas um gol, numa campanha que terminou nas quartas de final — novamente eliminada pela Argentina, desta vez nos pênaltis após empate em 2 a 2 no tempo regulamentar e prorrogação. O padrão de eliminações frente aos argentinos tornou-se uma das estatísticas mais melancólicas do futebol holandês contemporâneo.

Ronald Koeman e a construção do ciclo atual
Após a saída de Louis van Gaal em 2022, Ronald Koeman assumiu o comando técnico da Laranja Mecânica e conduziu o time por um ciclo irregular, mas com momentos expressivos. Na Liga das Nações subsequente, a Holanda perdeu a semifinal para a Croácia e o terceiro lugar para a Itália. Nas Eliminatórias da Eurocopa, ficou atrás apenas da França no grupo, garantindo classificação com tranquilidade.
Na Euro 2024, o time mostrou oscilações características: estreou com vitória de virada sobre a Polônia, perdeu para a Áustria, empatou com a França na fase de grupos e avançou. No mata-mata, despachou Romênia e Turquia, mas caiu para a Inglaterra nas semifinais. Nas Eliminatórias para a Copa de 2026, a Holanda venceu todos os seus jogos, com exceção de empates contra a Polônia, e selou a classificação com goleada sobre a Lituânia. Segundo levantamento do SportNavo, a seleção holandesa ocupa atualmente a sétima colocação no ranking da Fifa — posição que reflete uma equipe competitiva, porém ainda distante do patamar das favoritas.
"Com essas mudanças, nós fazemos um set de atualização para poder ter, certamente, em cada seleção os jogadores que foram a este Mundial", explicou Raul Vallecillo, representante da Panini no Brasil e na América Latina, ao descrever como o álbum de figurinhas oficial da Copa de 2026 reflete as convocações definitivas.
O capítulo corinthiano e o que ele representa para 2026
A trajetória de Memphis pelos clubes é extensa: PSV Eindhoven (2011–2015), Manchester United (2015–2017), Lyon (2017–2021), Barcelona (2021–2023), Atlético de Madrid (2023–2024) e, desde 2024, Corinthians. No clube paulista, acumulou títulos que poucos estrangeiros conquistam no futebol brasileiro: Copa do Brasil, Supercopa do Brasil e Campeonato Paulista. A passagem pelo futebol sul-americano, numa liga de intensidade física distinta da europeia, gerou dúvidas iniciais sobre o impacto no rendimento do atacante pela seleção.
A análise do SportNavo sobre o ciclo preparatório da Holanda para 2026 indica que Memphis segue sendo titular indiscutível no esquema de Koeman, com rendimento suficiente para manter a titularidade mesmo diante de um grupo que inclui nomes como Virgil van Dijk — zagueiro do Liverpool por oito anos consecutivos, que chegou a terminar em segundo lugar na Bola de Ouro de 2019, feito raro para defensores. Van Dijk é o capitão e o grande nome defensivo da geração atual, mas é Memphis quem carrega o ônus histórico do ataque.
"Todos os álbuns dos mundiais sempre têm uma variação e trazem figurinhas adicionais", afirmou Vallecillo, descrevendo o novo álbum Panini da Copa de 2026, no qual Memphis figura entre os cromos de destaque da seleção holandesa.
A Holanda pode finalmente ser campeã em 2026
A pergunta que o futebol holandês carrega desde a final de Munique em 1974, quando Johan Cruyff e companhia perderam para a Alemanha Ocidental por 2 a 1, nunca foi respondida. Em 1978, nova final, nova derrota — desta vez para a Argentina, por 3 a 1 na prorrogação. Em 2010, na África do Sul, a geração de Arjen Robben e Wesley Sneijder chegou à decisão e perdeu para a Espanha por 1 a 0, gol de Andrés Iniesta na prorrogação. São três finais, zero títulos, uma das maiores lacunas da história do futebol mundial.

A geração de 2026 não tem a qualidade individual das equipes de 1974 ou 2010, mas possui equilíbrio e um artilheiro histórico ainda em atividade. Memphis precisa superar sua marca pessoal de dois gols em uma única edição — feito registrado em 2014 — para ter uma Copa à altura do que representa para a história do futebol neerlandês. A Holanda estreia na fase de grupos em junho de 2026, num torneio que, pela primeira vez, contará com 48 seleções disputando o título nos Estados Unidos, Canadá e México.








