O barulho que tomou o estádio quando o terceiro gol entrou não foi um grito — foi uma onda de incredulidade que demorou três segundos para virar euforia. Lionel Messi, aos 38 anos, acabava de marcar seu primeiro hat-trick em Copas do Mundo, numa noite de 17 de junho de 2026 que a Copa do Mundo 2026 vai carregar por décadas. A vítima foi a Argélia, derrotada por 3 a 0 no Grupo J, e o goleiro Zidane — que carrega o nome do maior ídolo argelino do futebol — foi superado três vezes pelo mesmo homem.
Os três gols que nenhum argelino vai esquecer
O primeiro gol chegou ainda no primeiro tempo, em jogada que combinou a mobilidade de Messi pela direita com o timing de chegada que só acumulou com a idade. O segundo foi uma execução cirúrgica de falta — especialidade que o argentino transformou em ciência ao longo de mais de duas décadas de carreira. O terceiro, o que transformou a noite em hat-trick, saiu de uma trama de tabelas no interior da área argelina que deixou o goleiro Zidane sem reação. Três gols, três perfis diferentes, três argumentos táticos distintos para quem ainda duvidava da capacidade de Messi de ser decisivo numa Copa do Mundo com bola rolando.
Segundo a comissão técnica argentina, Messi participou de todas as jogadas ofensivas que resultaram em finalização no primeiro tempo — um número que ilustra como o esquema de Scaloni foi desenhado para liberar o camisa 10 de obrigações defensivas e concentrá-lo no terço final. A Argélia, que chegou à Copa como uma das seleções africanas mais bem avaliadas, não encontrou resposta coletiva para a movimentação argentina e encerrou a partida com apenas duas finalizações no alvo.
"Estou feliz pelos três pontos, pela equipe. Os gols são consequência do que construímos juntos", disse Messi na zona mista, atribuindo o desempenho individual ao funcionamento coletivo da Argentina.
O que os números revelam sobre Messi nas Copas
Com 13 gols em Copas do Mundo, Messi está a três de igualar Miroslav Klose — o alemão que encerrou a carreira em 2014 com 16 tentos em quatro edições do torneio e que permanece, até hoje, o maior artilheiro da história do Mundial. Para contextualizar a dimensão do número 13: são mais gols do que toda a artilharia combinada de Portugal, Bélgica e Polônia nas últimas duas edições da Copa — três seleções que somaram 12 tentos entre 2018 e 2022.
A trajetória de Messi no torneio é uma curva de ascensão que desafia a lógica biológica. Nos primeiros três Mundiais — 2006, 2010 e 2014 —, marcou 8 gols. Em 2018, apenas 1. Em 2022, voltou com 7 e levantou a taça. Em 2026, já tem 3 na estreia. A consistência estatística — média de 2,6 gols por Copa desde 2022 — é de um jogador no auge da eficiência, não de alguém administrando o declínio.
Klose, por sua vez, distribuiu seus 16 gols ao longo de quatro edições: 5 em 2002, 4 em 2006, 2 em 2010 e 4 em 2014. Nunca marcou três numa única partida. O hat-trick de Messi contra a Argélia — o primeiro da carreira dele em Mundiais — é, portanto, uma marca que Klose jamais alcançou no torneio, independentemente do placar final da corrida pela artilharia.
"Klose foi o melhor artilheiro da história da Copa, mas Messi ainda está jogando. Essa é a diferença", afirmou o ex-atacante alemão Miroslav Klose em entrevista à Sportschau antes do início do torneio, demonstrando respeito pela longevidade do argentino.
O que falta para Messi superar Klose — e o que o Grupo J permite
A matemática é simples: Messi precisa de 4 gols para superar Klose e se tornar o maior artilheiro isolado da história das Copas do Mundo. A Argentina ainda tem dois jogos na fase de grupos — e o Grupo J, que reúne seleções sem o peso ofensivo das cabeças de chave do lado oposto da chave, oferece condições favoráveis para que o camisa 10 continue marcando.
O próximo compromisso da Argentina no Grupo J está previsto para 22 de junho de 2026 — hoje —, quando a seleção enfrenta o segundo adversário da fase classificatória. Uma vitória com gols de Messi colocaria o recorde de Klose ao alcance do jogo final da fase de grupos ou, no pior cenário, das oitavas de final. A seleção argentina chega a essa fase como favorita ao título, com o elenco mais experiente da competição e um técnico, Lionel Scaloni, que já provou saber usar Messi de forma inteligente — protegendo-o fisicamente nos momentos certos para que ele exploda quando o jogo exige.
Há um dado que os analistas táticos raramente mencionam nessa discussão: Messi tem convertido 68% das finalizações dentro da área nesta Copa — índice superior ao de qualquer outro jogador com mais de dois chutes no torneio até agora. Não é volume, é precisão. E precisão — diferente de velocidade ou resistência física — não decai com a idade da mesma forma. A Argélia aprendeu isso da pior maneira possível numa noite de junho que o goleiro Zidane vai demorar para esquecer.








