Três coisas: idade, Copa e vestiário. Tudo o que aconteceu na noite desta rodada da Copa do Mundo MLS — a última antes da pausa para o Mundial — se explica a partir desses três elementos. Lionel Messi, 38 anos, pediu substituição aos 27 minutos do segundo tempo da vitória do Inter Miami sobre o Philadelphia Union por 6 a 4, e foi direto ao vestiário. Não voltou ao banco. Não deu sinais. A gravidade de uma eventual lesão ainda não foi confirmada pelo clube, mas o silêncio, nesse caso, diz mais do que qualquer nota oficial.

O gesto que parou Miami em plena festa

Havia um clima de celebração em Fort Lauderdale. O Inter Miami encerrou a fase regular da MLS antes da pausa com uma goleada de 6 a 4 sobre o Philadelphia Union, resultado que levou a equipe a 31 pontos e à vice-liderança da liga. O uruguaio Luis Suárez foi o protagonista ofensivo da noite, com um hat-trick que lembrou os tempos em que ele e Messi dividiam o ataque do Barcelona — entre 2014 e 2017, a dupla marcou 121 gols em uma única temporada pelo clube catalão. Mas foi a saída de Messi, e não os três gols de Suárez, que dominou a conversa no vestiário e nas redes sociais após o apito final.

Messi sinalizou para o banco, levantou a mão e saiu andando em direção ao túnel. Sem coxear de forma exagerada, sem ser carregado — mas também sem o passo firme de quem sai por precaução. Segundo relatos de jornalistas presentes na partida, o argentino foi diretamente ao vestiário e não retornou à beira do campo em momento algum. A partida era a última do calendário norte-americano antes da pausa que a MLS faz para liberar seus jogadores para a Copa do Mundo.

O fantasma de 2014 e o histórico de Messi em vésperas de Mundiais

Quem acompanha a carreira de Messi sabe que essa não é a primeira vez que uma lesão pré-Copa levanta interrogações. Em 2014, às vésperas do Mundial no Brasil, o camisa 10 chegou à Argentina com um histórico de contratura muscular que gerou debate sobre seu estado físico. Jogou todos os sete jogos daquela Copa, terminou como melhor jogador do torneio mesmo com a derrota na final para a Alemanha por 1 a 0 na prorrogação — um gol de Götze aos 113 minutos que ainda dói em Buenos Aires. Em 2022, no Qatar, Messi chegou com 35 anos e um nível físico que muitos questionavam. Saiu com a taça, seis gols e três assistências ao longo de sete partidas.

O padrão, porém, não garante nada. Em 2016, Messi se lesionou na Copa América Centenário e perdeu jogos importantes. O músculo posterior da coxa e a região inguinal são pontos históricos de fragilidade em sua carreira — e foi exatamente nessa região que os observadores da partida identificaram que o argentino colocou a mão ao sair do campo, embora o Inter Miami ainda não tenha confirmado o diagnóstico.

"A convocação final da Argentina ainda não foi divulgada, mas Messi deve estar na lista para jogar sua sexta edição do Mundial", informou a cobertura do UOL Esporte logo após o término da partida.

Quem a Argentina tem se o camisa 10 não estiver 100%

Quantos jogadores no atual elenco argentino são capazes de assumir o protagonismo absoluto que Messi carrega sozinho há mais de quinze anos?

A resposta honesta é: nenhum com a mesma dimensão. Mas isso não significa que a Argentina estaria desamparada. O técnico Lionel Scaloni construiu ao longo dos últimos anos um sistema que, embora desenhado para maximizar Messi, ganhou musculatura própria. Enzo Fernández, do Chelsea, é o motor do meio-campo e foi eleito jovem do torneio na Copa de 2022. Julián Álvarez, do Atlético de Madrid, marcou quatro gols naquele mesmo Mundial e chegou a 2026 como um dos centroavantes mais regulares da Europa. Lautaro Martínez, capitão da Inter de Milão que venceu a Champions League em 2023, é o referência no setor ofensivo.

No Brasil existe um ditado que se encaixa bem nesse cenário esportivo: quem não tem cão caça com gato. A Argentina tem gatos de alto nível — mas nenhum é o cão que caça com a naturalidade de Messi. A diferença entre uma Argentina com ele e sem ele não se mede apenas em gols: mede-se na capacidade de criar situações do nada, de transformar um passe em geometria impossível, de carregar a bola por 60 metros quando o jogo está travado. Isso, nenhum dado de substituição tático resolve.

"Scaloni tem peças de reposição, mas não tem substituto", como analistas argentinos costumam dizer quando o debate sobre a dependência do camisa 10 vem à tona nas vésperas de grandes torneios.

O que as próximas horas definem para a Argentina

A convocação definitiva da seleção argentina ainda não foi publicada. Messi deve aparecer na lista — a expectativa de que ele dispute sua sexta Copa do Mundo é unânime entre os especialistas que cobrem a equipe. A questão não é se ele será convocado, mas em que condições chegará ao torneio, que começa com jogos da Argentina já na primeira semana do Mundial.

O gesto que parou Miami em plena festa Messi sai lesionado na última partida an
O gesto que parou Miami em plena festa Messi sai lesionado na última partida an

Nos próximos dias, o Inter Miami e a comissão médica da seleção argentina devem divulgar algum posicionamento sobre o estado físico do camisa 10. Se a lesão for de menor gravidade — uma contratura simples ou um problema articular leve —, o período de pausa da MLS pode ser suficiente para uma recuperação completa antes da estreia. Se os exames de imagem revelarem algo mais sério, o cenário muda radicalmente, e Scaloni precisaria recalibrar toda a sua estratégia de jogo antes mesmo de o torneio começar. A Argentina estreia na Copa do Mundo em partida que será um dos jogos mais acompanhados do planeta — e saber se Messi estará em campo, ou apenas nas arquibancadas, é a pergunta que nenhum torcedor quer ter que fazer.